terça-feira, 2 de novembro de 2010

Por que você pode (e deve) fazer seu filho dormir bem
As crianças precisam de mais horas de sono do que se imagina. E ele é fundamental para a saúde e o desenvolvimento
Clarissa Passos, iG São Paulo |
Foto: Getty Images
O sono é essencial para o desenvolvimento de órgãos, músculos e ossos da criança

Conversamos com o médico Derblai Sebben, que estudou Ritmos Biológicos na USP (Universidade de São Paulo) e Medicina do Sono na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), para saber quais são os principais erros que os pais cometem em relação ao sono dos filhos. Deixá-los acordados até tarde, não manter horários de rotina e supor que a criança não dorme "porque é assim mesmo" estão entre os maiores enganos. Mas o pior dos problemas é deixar a criança dormir menos do que precisa - e elas precisam de muitas horas de sono por dia. Confira.
iG: Quais os erros mais comuns que os pais cometem em relação ao sono dos filhos?
Derblai Rogério Sebben:
O principal problema da vida moderna é a falta de ritmo - ou seja, a falta de rotina. A vida moderna dos pais faz com que a gente viva correndo. A pessoa acorda atrasada de manhã, corre para tomar café e passa o resto do dia ansiosa. Isso incomoda a criança facilmente. Elas sofrem com essa falta de rotina, com a vida apressada dos pais. As crianças ficam agitadas, essa falta de ritmo leva à hiperatividade da criança. E isso geralmente tem relação direta com a falta de rotina dos adultos.
As crianças precisam de ritmo. Ritmo é igual a saúde. Se você quer que alguém se desenvolva com mais saúde, a estratégia é cuidar dos ritmos.Comer na hora certa, dormir na hora certa, criar e seguir uma rotina. Se os pais não mantêm uma rotina para si, isso passa para as crianças - e elas adoecem, psicológica e fisicamente.
Outro erro comum dos pais é achar que as crianças já nascem com problemas de sono. As mães me falam: "meu filho não dorme, desde bebê ele é assim". Nada disso! A não ser que a criança nasça com um problema neurológico mais grave, sempre explico para elas que a "programação genética" da criança é ela dormir quando o sol se põe e acordar quando o sol nasce. Muitos pais se enganam e acham que o filho tem um problema, mas é só falta de rotina.
iG: Muitos pais estabelecem uma rotina em que a criança vai dormir mais tarde porque eles chegam tarde do trabalho, e querem passar algum tempo com o filho. Como resolver este dilema? É melhor ficar sem ver os pais no dia a dia?
Derblai:
Os estudos mostram que, durante o horário das 8 às 10 horas da noite, a criança se beneficia muito mais do sono do que da presença dos pais. Mas isso pode ser adaptado, claro. Se querem passar um tempo com os filhos, seria mais razoável que, ao chegar em casa, os pais tivessem uma conduta que vá tranquilizando a criança. Fazer um lanchinho leve, colocar na cama, ler uma história são opções melhores do que chegar e brincar, fazer bagunça, estimular. A criança poderia dormir às 8 ou 9, mas acaba dormindo às 10 horas da noite, porque os pais chegam e estimulam demais. As mães e os pais devem se lembrar que às 8, 9 da noite, eles próprios já estão cansados também. O melhor é que os filhos já estejam dormindo quando os pais chegam em casa, se eles chegam tarde. E, uma vez por semana, os pais podem se comprometer a chegar mais cedo e ficar com a criança antes dela dormir.
Leia também
iG: Qual a importância do sono na infância?
Derblai:
Até os 18, 20 anos de idade, o organismo da criança ou do adolescente está em formação. Enquanto nós, adultos, dormimos para regenerar os órgãos, a criança dorme para formá-los. Órgãos, ossos, músculos - o corpo inteiro delas está em desenvolvimento, crescimento. O principal deles é o cérebro. O sono tem participação fundamental no desenvolvimento neurológico. A criança que dorme bem forma melhor seu cérebro, o que influencia também no comportamento. Dormir bem previne o déficit de atenção e a hiperatividade.
iG: Quanto tempo de sono por dia uma criança, em cada fase, deve ter?
Derblai:
Quando recém-nascido, o ideal é dormir de 15 a 18 horas por dia. Na fase de lactente, até os dois anos, a recomendação é de 13 a 15 horas. Os pré-escolares (até 5 anos) precisam de 12 a 13 horas diárias de sono. A criança em idade escolar (de 5 a 11 anos), precisam de 10 a 12 horas e o adolescente, de 9 a 10 horas.
Foto: Divulgação
O médico Derblai Sebben, especialista em questões do sono: "o principal problema da vida moderna é a falta de ritmo"

iG: Qual a melhor hora para as crianças irem para a cama?
Derblai:
Por volta das 7, 8 horas da noite, a produção do hormônio melatonina, que regula o sono, sobe - e a adrenalina desce. Esse é o horário em que é mais fácil a criança dormir. Mais fácil do que às 10 horas da noite, quando se inverte a produção.
iG: Quais os problemas que a falta de sono acarreta para as crianças?
Derblai:
A criança que dorme mal pode ter problemas de imunidade - fica resfriada com mais frequência, por exemplo. Quando dormem mal, os pequenos não ficam como a gente, em ritmo lento. Eles ficam elétricos e podem ter problemas de comportamento.
iG: Quais as dicas para a hora de colocar uma criança para dormir?
Derblai:
O sono é uma questão biológica. Quem dorme é o corpo, o cérebro tem que ser orientado para dormir. Como induzir o cérebro ao sono? As palavras-chave são escuro e silêncio. Esta dupla dispara a liberação da melatonina. Outras dicas práticas são ter um horário fixo e criar um ambiente apropriado para o sono. Fazer um ritual é uma boa ideia: pode acender uma velinha, deixar uma luz de abajur suave, contar uma história, fazer uma massagem - não massagem especializada, apenas um toque agradável. O importante do ritual é sua repetição. E ele deve ser bem simples. Quanto mais simples para a mãe, melhor para a criança. Quem quiser saber mais sobre o assunto, recomendo a leitura de dois livros muito bons sobre o tema: "Bom sono" (editora Celebris), de Richard Ferber, e "Nana Nenê - Como resolver o problema de insônia de seu filho" (editora Martins Fontes), de Eduard Estivill.
iG: E o que não fazer na hora de dormir?
Derblai:
Colocar para dormir com televisão ligada, DVD ou música não são atitudes recomendáveis.


Bebês começam a dormir a noite toda entre 2 e 4 meses de idade
Pesquisa mostra que crianças conseguem dormir de maneira ininterrupta, antes do que se imaginava
The New York Times
Foto: Getty Images
Boa notícia para as mães: bebês são capazes de dormir uma noite inteira a partir dos 2 meses

Uma nova pesquisa pode dar algum alívio para aqueles pais que não dormem muito: a maioria das crianças começam a dormir a noite inteira entre 2 e 4 meses de idade. No entanto, o estudo diz que para o bebê regularizar seu sono com o da família pode levar um pouco mais de tempo.

“As mudanças mais rápidas que ocorrem no sono das crianças acontecem nos primeiros quatro meses de vida. Anteriormente, nós subestimávamos a capacidade dos bebês de dormir durante uma noite inteira. Descobrimos que se uma criança dorme pelo período tradicional de sono noturno (cinco horas - da meia noite às 5 da manhã) também pode dormir por oito horas".

"Bebês são mais propensos a começar a dormir por esse período com dois meses de idade, com mais de 50% de chances de continuar a fazê-lo até os quatro meses”, diz Jacqueline Henderson, coordenadora do estudo junto à Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia.

“A partir disso, examinamos outra definição de sono noturno que pode se adequar muito mais aos hábitos da família: o sono das 10 da noite às seis da manhã. Descobrimos que bebês têm mais tendência a dormir neste período a partir dos 3 meses de idade”, afirma Henderson.

Para o estudo, Henderson e seus colegas recrutaram pais de 75 recém-nascidos que concordaram em escrever diários sobre o sono dos seus bebês por seis dias a cada mês. Os pesquisadores verificaram a informação nos diários a partir do uso de filmagens do sono das crianças.

Eles avaliaram o sono das crianças utilizando três critérios: sono ininterrupto de meia noite até as cinco da manhã, pelo menos oito horas de sono ininterrupto ou sono de acordo com a grade familiar – com sono ininterrupto entre dez da noite e seis da manhã.

“Eu acredito que os pais são mais interessados no terceiro critério que nos diz se o bebê dorme em sincronia com seus pais”, diz a diretora do Centro Pediátrico de Avaliação do Sono do Hospital Infantil de Pitsburgh, Sageeta Chakravorty. De acordo com Chakravorty, às vezes os pais tentam tanto fazer com que seus bebês durmam de acordo com o sono deles, que isso pode levar a outros distúrbios de sono.

“Entender os padrões de sono das crianças, saber o que você precisa e descobrir como combinar esses dois, é a arte e a ciência da paternidade. Mas as pressões da vida moderna nem sempre permitem que os pais e as crianças desenvolvam este equilíbrio”, acrescenta a diretora.

Exceções

Segundo Hugh Bases, pediatra do Centro Médico Langone da Universidade de Nova York, é importante notar que este estudo foi feito com bebês que nasceram no tempo certo, o que quer dizer que esses dados não se aplicam, necessariamente, a bebês prematuros. Além disso, ele mostra que mais da metade das crianças usadas no estudo eram as segundas da família, por isso, os pais estariam mais experientes.

Bases diz que, uma vez que seu bebê começou a dormir durante uma noite inteira, os pais devem esperar que algumas noites ele acordará. Por exemplo, se a criança não se sentir bem. “Muitas coisas podem interromper o ciclo do sono. Dormir a noite inteira é algo que se consegue de maneira irregular. A boa notícia é que as crianças podem facilmente ser recolocadas no sono durante a noite toda”, ele afirma.

Confira alguns conselhos do pediatra Hugh Bases para que seu bebê tenha uma boa noite de sono:

Coloque seu bebê no berço enquanto ele ainda está acordado, sonolento, porém acordado

Não balance seu bebê até que ele durma ou deixe que ele durma no seu colo

Se seu bebê acorda no meio da noite, não vá imediatamente ver o que acontece com ele. Dê algum tempo para que ele volte ao normal sozinho

Se o bebê continuar a chorar, e você sentir que não pode esperar mais, sua visita ao bebê deve ser entediante e limitada. Não o pegue no colo. No lugar disso, conforte-o – acaricie suas costas, fale em uma voz mais baixa – e depois saia

Se tudo isso não funcionar e o bebê continuar a chorar, você pode desistir por esta noite, pegá-lo no colo, e tentar fazer tudo isso na próxima noite

Tristeza hormonal


Depressão pós-parto pode ser confundida com problema na tireoide

Chris Bertelli, iG São Paulo


“Nem toda tristeza no período pós-parto é depressão.” A avaliação do endocrinologista Pedro Saddi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é um alívio para muitas mães. Sonolência, fraqueza e tristeza também podem ser sintomas de hipotireoidismo, o funcionamento insuficiente da tiroide, uma glândula de apenas 20 gramas, que tem o formato de uma borboleta e está localizada no pescoço. A tireoide é a responsável pelo bom funcionamento de praticamente todo o corpo. Ela produz dois hormônios importantes – o T3 e o T4 –, que controlam dos batimentos cardíacos ao metabolismo, passando pela atividade cerebral.

O hipotireoidismo é uma doença comum em mulheres, principalmente aquelas que acabaram de dar à luz. O corpo dá sinal de que algo não está bem nas seis primeiras semanas após o nascimento do bebê. Segundo um estudo realizado pelo Departamento de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), 13% das paulistas sofrem de tireoidite pós-parto.


Ainda não se sabe exatamente porque essa disfunção aparece no pós-parto, mas os médicos acreditam que a doença seria o resultado de uma falha na reorganização do organismo feminino. “Durante a gravidez, o corpo e os hormônios da mulher se alteram. A imunidade – a defesa do organismo – sofre modificações e o corpo fica mais tolerante. Ao término da gestação, ela deixa essa tolerância e vai para um estágio de intolerância, rejeitando estímulos do próprio corpo. A tireoide passa a ser reconhecida como um corpo estranho e é atacada”, explica o endocrinologista.

Tratamento simples, sem prejudicar a amamentação

Muitos casos de tireoidite pós-parto são passageiros, mas não devem deixar de inspirar cuidados. Se o exame que mede o TSH, hormônio da tireoide, confirmar a doença, a mãe deverá tomar remédio todos os dias para regular o funcionamento da glândula. O hormônio ingerido pela mãe pode passar parcialmente para o bebê por meio do leite, mas a tiróide dele regulará as funções do corpo sem trazer maiores consequências.

Disfunções

As disfunções da tireoide são mais comuns em mulheres “por conta da ação direta do estrogênio, o hormônio feminino, sobre a glândula”, explica Hans Graf, presidente da Sociedade Latino-Americana de Tireoide e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). O hipotireoidismo e o hipertireoidismo, respectivamente o funcionamento insuficiente e o exagerado da tireoide, são as mais freqüentes. Segundo estimativas da entidade, 10% das mulheres acima dos 40 anos e 20% das mulheres acima de 60 anos têm algum desses problemas.

Tireoide preguiçosa

Nem sempre os sinais de que a tireoide anda produzindo menos hormônio do que deveria são facilmente perceptíveis. Os principais sintomas da doença como fraqueza, depressão, dores musculares, alteração de humor e ganho de peso podem passar despercebidos ou ainda serem facilmente confundidos com estresse. “Eu nunca senti nada de diferente, só descobri que tinha isso durante um check-up pedido pelo médico”, conta a aposentada baiana Darci Souza de Albuquerque, de 65 anos, que há cinco toma remédios para manter o bom funcionamento da glândula.

O hipotireoidismo pode ser congênito ou causado por doenças autoimunes, como a doença de Hashimoto, na qual o corpo passa a produzir anticorpos contra a própria tireóide. Em recém-nascidos, o problema é identificado pelo “teste do pezinho”. Em adultos, os médicos recomendam exames de sangue para medir a dosagem do TSH (hormônio que regula a tireóide). A partir dos 35 anos, eles devem ser feitos anualmente.

Glândula a todo vapor

Mas, e quando a tireoide funciona muito além do esperado? Nesse caso, os sintomas são claros, já que todos os processos metabólicos estão acelerados. “A pessoa perde peso muito rapidamente, tem taquicardia, insônia, tremor nas extremidades”, relata o Dr Hans Graf. O hipertireoidismo é mais comum em mulheres mais jovens, em torno dos 20 anos, mas apenas 2% da população feminina apresentam a disfunção.

O problema também é ocasionado por uma doença autoimune, a doença de Graves. Apesar de o diagnóstico ser mais fácil, o tratamento, neste caso, é mais complicado. Existem três formas de controlar o hipertireoidismo: com medicamentos que diminuam a produção de T4, com a administração de iodo radioativo e com a extração total da tireoide – em casos mais graves.

A culpa é da genética?

As duas disfunções mais comuns estão relacionadas com uma combinação de predisposição genética e fator ambiental. “O estresse, por exemplo, faz com que a produção de cortizol, um hormônio imunoregulador, aumente, desencadeando a doença”, relata Dr. Graf. “Há um aumento nos casos de hipotireoidismo, por exemplo. Isso pode estar relacionado com o estresse ou também com o aumento do consumo de sal pela população. O brasileiro ingere de 6g a 10g de sal diariamente, quando o recomendado pela Organização Mundial de Saúde é de 4g a 6g”, alerta o médico.
Cansaço pode ser doença na tireoide
No passado problema era chamado pelos médicos de síndrome da dona de casa cansada
Bruno Folli, iG São Paulo |

Quando a mulher chegava aos 40 ou 50 anos, uma série de transformações acontecia: os filhos começavam a sair de casa, a menopausa chegava e o marido se aposentava. Esses eram os principais "sintomas" usados pelos médicos dar o diagnóstico de... síndrome da dona de casa cansada.
“Não é mentira. Isso realmente estava descrito em livros de medicina há uns 40 ou 50 anos”, afirma Laura Ward, professora da Unicamp e vice-presidente do departamento de tireóide da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

 
Foto: Thinkstock/Getty Images
A glândula tireóide fica no pescoço, na altura do pomo de adão

Essa improvável síndrome reunia sintomas como cansaço excessivo, depressão, lentidão, dor de cabeça e palidez. Hoje, a medicina avançou e se tornou capaz de identificar a produção irregular de hormônios pela glândula tireoide, doença chamada de hipotireoidismo. “Provavelmente era isso que causava a síndrome da dona de casa cansada”, avalia Laura.

Como aconteceu no passado, o hipotireoidismo continua sendo confundido com outras doenças porque seus sintomas são pouco específicos. Mas o perfil dos pacientes já é bem conhecido. Cerca de 90% dos portadores são mulheres, sendo que a doença se torna mais incidente após os 40 anos e no período pós-parto.
“A prevalência de problemas na tireoide é de 10%. Isso foi verificado em estudos internacionais e confirmado por um recente estudo feito em Bauru, neste ano”, revela a endocrinologista.
Apesar dos sintomas serem pouco específicos na maioria dos casos, existem alguns sinais mais característicos como queimação gástrica, constipação intestinal, falta de ar, angina e perda de audição.
Hormônios fora de controle
Quando esses sintomas se manifestam, é sinal que os hormônios da tereóide – T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) – já estão bem abaixo do normal. Quando isso acontece, a glândula hipófise aumenta o nível de TSH para estimular mais a tireoide.
“É uma forma de tentar compensar a doença”, explica a endocrinologista Gisah Amaral de Carvalho, professora da Universidade Federal do Paraná. Quando esses hormônios todos saem do normal, a pessoa se torna sujeita a muitos problemas graves. Um deles é a depressão.
“Pacientes com a taxa de TSH acima de 10 têm três vezes mais chances de manifestar sintomas depressivos”, afirma. Um estudo feito nos Estados Unidos, na Universidade da Carolina do Norte, revela que é três vezes maior (56%) a incidência de ao menos um episódio de depressão em mulheres com ligeira diminuição das funções da tireoide.
Melhor diagnóstico
O exame de TSH é o mais indicado para diagnosticar o hipotireoidismo precocemente. Isso porque este hormônio é o primeiro a manifestar alterações. “Ele se eleva 100 vezes mais do que o T4 diminui”, compara Laura.
O diagnóstico por alterações de TSH pode ser feito no estágio sub-clínico, quando a pessoa não tem nenhum sintoma. “Como o exame não é caro e é coberto por muitos planos, ele pode se tornar um exame de rotina. Ele pode ser feito junto a testes de colesterol, por exemplo, especialmente a partir dos 40 anos”, recomenda Laura.
Campanha
A farmacêutica Sanofi-Aventis acaba de lançar a Campanha Mulher Sem Falta, na qual alerta para a importância dos sintomas e do diagnóstico precoce. O foco são mulheres com mais de 30 anos, faixa etária na qual a prevalência da doença aumenta. Como parte da campanha, a farmacêutica lançou um site para dar mais detalhes sobre a doença.
Especialistas revelam que a incidência da doença tem aumentado, ela passou de 3,9 para 14 casos em cada 100 mil habitantes nos últimos 10 anos. E um dos motivos seria o envelhecimento da população.
“Alguns fatores ambientais também podem influenciar, como o consumo de alimentos industrializados e produtos tóxicos (cigarro), além da exposição à radiação, caso de alguns tratamentos contra câncer”, afirma Laura.
Além do site, a farmacêutica pretende levar a campanha ao Metrô de São Paulo e às mídias sociais.



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Até onde elogiar os filhos?


Embora muitos pais ajam desta forma para desenvolver a autoestima dos filhos, o excesso de elogios pode ser prejudicial

Renata Losso, especial para o iG São Paulo

 
Embora não pareça, assumir que o filho é uma criança especial – principalmente numa sociedade competitiva – possui alguns perigos que podem vir à tona se este reconhecimento não for feito da maneira correta. Para o norte-americano Richard Weissbourd, psicólogo na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e autor do livro “The parents we mean to be” (“Os pais que desejamos ser”, ainda sem título em português), é importante ressaltar as qualidades que os pequenos possuem, mas é preciso ter muito cuidado: se eles sentirem que são melhores do que os outros em todos os sentidos – e não em particularidades –, podem acabar se tornando arrogantes e presunçosos, afirma ele em seu blog homônimo ao livro.

 
Segundo o especialista, fazer com que os filhos percebam e valorizem os próprios pontos fortes sem serem acompanhados da soberba é um desafio que está presente no dia a dia de todos os pais. Para alguns, pode até parecer uma tarefa fácil, mas o psicólogo afirma que muitas crianças de famílias modernas ainda estão longe de chegar ao comportamento ideal em questão. Para Silvana Rabello, psicanalista especialista no comportamento infantil e professora da PUC-SP, estar atento às atitudes que a criança toma e às próprias é determinante.

 
“Quando a criança é bem pequena, os pais acabam perdendo um pouco os parâmetros e a relação com os filhos fica parecida com as relações de paixão, mas à medida que ela começa a sair das fraldas e entrar para o mundo social, é preciso um pouco mais de lucidez”, revela a especialista.

 
Mas a rotina do mundo moderno nem sempre propicia este tipo de percepção. Cabeça cheia, problemas no trabalho, falta de tempo e também a falta de energia podem acabar impedindo os pais de verem a criança se tornando exibida ou metida, na maioria dos casos por não discriminarem devidamente quando ela faz algo que realmente merece reconhecimento ou não.

 
Filho, você é muito, muito, muito especial

 
De acordo com Karina Haddad Mussa, psicóloga e psicoterapeuta especializada em medicina comportamental e neuropsicologia pela Unifesp, em São Paulo, o problema realmente não está em elogiar o filho na tentativa de reconhecer ou enaltecer uma qualidade, mas em não ter critérios para tal. “Desde a década de 70 muitos pais interessados em incrementar a educação dos filhos fizeram do elogio uma moda para obter crianças autoconfiantes, bem-sucedidas, brilhantes”, afirma Mussa.

O problema disso tudo, segundo ela, são os pais que exageram nos elogios por não se sentirem realizados e projetarem expectativas frustradas e irreais nas crianças, esperando que ela se torne o máximo a qualquer momento, e aqueles que o fazem por estarem ausentes e se culparem por isso, compensando a falta na vida da criança com agrados e mimos verbais e materiais. “Os filhos destes pais podem acabar crescendo com limites prejudicados, sem as interdições necessárias ao bom desenvolvimento do caráter e da personalidade, podendo chegar a extremos de insensibilidade e indiferença diante das pessoas que o cercam e agindo como os ‘donos do mundo’ por serem incapazes de lidar com frustrações”, diz.


É preciso mesmo ser melhor em tudo?

Para a psicóloga e psicopedagoga Alba Weiss, do Rio de Janeiro, a questão do elogio não necessariamente levará a criança a ter uma personalidade arrogante. “Hoje em dia muitos pais possuem valores de individualidade e competitividade, frutos do capitalismo, e a colaboração para com as pessoas é deixada de lado principalmente quando colocam na cabeça da criança que ela tem que ser a melhor”, afirma a especialista. A arrogância, segundo ela, não surge necessariamente do elogio – que precisa ocorrer desde que seja real –, mas muitas vezes de um adulto que possui uma falsa autoestima.

 
“Os pais ficam perdidos nisso de se compararem com os outros pais: quem dá a melhor festa, quem dá o presente mais bonito, quem usa a melhor marca. A comparação tem que ser consigo mesmo no sentido de se superar”, explica Weiss. Mas o erro ocorre principalmente pela vida muito atribulada dos pais em que, no que concerne aos filhos, acaba sendo mais fácil ceder: “Dá muito trabalho cuidar dos filhos hoje em dia por também não existir uma sociedade repressora como antigamente, então o elogio é só uma ponta do iceberg, mas se tiver uma base de incentivo não necessariamente irá criar este problema”.


Não faz mais que a obrigação

 
Porém, o inverso do elogio exagerado também pode criar problemas no comportamento infantil. Segundo Weiss, ser um pai duro para a criança poder crescer é também um equívoco. “Somos movidos pela motivação e o elogio é uma forma de mostrar que a criança está sendo olhada. Não é à toa que elas ganham estrelinhas em produções feitas na escola, por exemplo”, afirma. Ainda segundo Mussa, os pais que não elogiam os filhos por acharam que não fazem mais do que a obrigação em tirarem 10 na escola, por exemplo, irão colaborar para que o filho se torne inseguro, sem autoconfiança e insatisfeitos por acharem que nunca irão atingir a perfeição por eles idealizada para receberem o elogio e a aprovação dos pais.

Para que a criança não passe a vida se torturando em busca de satisfazer os pais – o que pode acontecer mesmo na vida adulta –, é preciso ter conhecimento de que o elogio feito com propriedades é um incentivo para o filho continuar se esforçando, o que não acontece pelo elogio sem fundamento. Um exemplo dado por Weiss fala de uma professora que diz à criança que o desenho que ela fez é lindo e depois o joga fora: “criança que ver o trabalho no lixo não terá o eco do elogio por ter sido uma impressão falsa”.

 
Elogio na hora certa


Segundo Mussa, o elogio como um reforço positivo deve acontecer somente mediante o esforço realizado em busca de um objetivo, independentemente do resultado. “O elogio feito na hora e na medida certa promoverá o incentivo e a promoção de melhorias no que se refere ao desenvolvimento de potenciais habilidades da criança”, explica a especialista. Os pais que estiverem voltados para este princípio ajudarão o filho a desenvolverem a auto-estima e a autoconfiança, por ser elogiado pela dedicação a algo. Mas o cuidado para ele não se tornar cheio de si não para por aí.

 
É necessário também ensinar os filhos a falhar, já que existe na vida sofrimentos que podem nos ajudar a aprimorarmos. “Se uma criança está prestes a repetir o ano escolar e o pai vai à escola atrás de uma pessoa influente para evitar que isso aconteça, por exemplo, imagine o desastre na vida desta criança”, questiona a psicóloga. Desta forma a criança não saberá lidar com as consequências dos próprios atos, já que alguém sempre irá tentar resolver as coisas para ela.


De acordo com o norte-americano Weissbourd, os pais que se focarem na qualidade dos filhos e também ressaltarem as qualidades de outras crianças ao redor estarão no caminho para que não haja arrogância no comportamento dos pequenos. Ajudá-las a entender que todos são diferentes, mas que todos possuem atributos e vulnerabilidades em comum com outros, é também um dos passos para que elas tenham um senso maior de humanidade.

 
Mas segundo Mussa, isto não irá acontecer se o pai ficar dizendo sempre na hora do almoço que o filho é lindo, inteligente e maravilhoso sem se referir a um esforço: “O reforço positivo sem critério perde, desta forma, o papel principal, que é desenvolver uma qualidade ou comportamento”.