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quinta-feira, 22 de março de 2012

Doença misteriosa que afeta crianças devasta nordeste de Uganda

 

Autoridades sanitárias pesquisam as possíveis causas da doença desde 2009, sem sucesso


Reuters Health* IG


Foto: Reuters

Nancy Lamwaka tem hematomas por todo o corpo porque perdeu
 a capacidade de reconhecer o perigo


Na maioria das manhãs, Michael Odongkara leva a filha para fora de casa e amarra o tornozelo da menina a uma árvore. Não é algo que ele goste de fazer. Mas a doença que provoca violentos ataques epiléticos diminuiu tanto a capacidade mental da criança, de 12 anos, que ela já não fala e, muitas vezes, se perde no caminho. Certa vez, ela se perdeu no mato por três dias.

"Dói muito amarrar minha própria filha a uma árvore... mas eu sou forçado a faze-lo porque quero salvar a vida dela. Eu não quero que ela se perca e morra em um incêndio, ou ande e se afogue nos pântanos próximos ", disse ele.


Lamwaka sofre de uma doença que está sendo chamada de “nodding syndrome”, ou síndrome do cabeceio (em tradução literal). De origem desconhecida e sem cura, as autoridades de Uganda estimam que mais de três mil crianças tenham sido afetadas pela doença.Nomeada desta forma por provocar episódios semelhantes a ataques epilépticos, a doença, que afeta principalmente crianças entre cinco e 15 anos, já fez mais de 200 vítimas em Uganda nos últimos três anos. Milhares de crianças no sul do Sudão também estão doentes.
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Como as crises são muitas vezes desencadeadas por alimentos, as crianças que têm a síndrome tornam-se desnutridas e atrofiam mental e fisicamente.

"Há um efeito geral no sistema neurológico e na memória que prejudica a visão, o ato de comer ou até mesmo o simples reconhecimento do ambiente," disse Emmanuel Tenywa, conselheiro no controle de doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS), em Uganda.

Lamwaka teve convulsões até cinco vezes por dia nos últimos oito anos e sua saúde deteriorou. O pai assiste impotente.

"Quando ela ainda falava, ela pedia comida", disse ele. "Hoje em dia ela só estende a mão”, relata.

Por que isso acontece?

A síndrome foi documentada pela primeira vez na Tanzânia em 1962. Cinquenta anos depois, os pesquisadores ainda não sabem o que ela é.

"Temos uma longa lista de coisas que não causam a doença. Mas nós ainda não temos uma causa definitiva", disse Scott Dowell, diretor da divisão de detecção global de doenças e resposta de emergência dos Centers for Disease Control (CDC).

Funcionários do CDC de Atlanta estiveram em Uganda durante nove dias em fevereiro, na última das três viagens para investigar a doença.

"Excluímos, por meio de nossos estudos de campo e testes de laboratório, mais de três diferentes causas hipotéticas, incluindo 18 famílias de vírus", disse Dowell.

É uma situação relativamente rara para o CDC: de 600 surtos de doenças investigadas pela divisão da organização de detecção da doença global, apenas seis não foram resolvidas.

Embora eles não tenham razão para acreditar que a doença vá se espalhar, os pesquisadores podem não estar certos. Dowell cita a "doença do emagrecimento", que surgiu na África Ocidental na década de 1980 e acabou por ser o início da AIDS.

Possíveis pistas

Os pesquisadores têm algumas pistas: uma é uma possível ligação com o parasita da mosca preta que causa cegueira do rio, uma condição chamada de oncocercose. "Todos esses casos são relatados em áreas onde há a oncocercose, por isso, acreditamos fortemente que há uma relação entre os dois", disse Tenywa, da OMS.

Os investigadores pretendem fazer testes genéticos em amostras de pele colhidas de crianças para tentar estabelecer uma ligação.

"Nas próximas semanas pretendemos descobrir se esta é uma variante da oncocercose ou se poderia ser algum outro tipo de parasita que se parece com a oncocercose", disse Dowell, do CDC.
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Os pesquisadores também observaram uma deficiência de vitamina B6 nas populações onde a doença é prevalente.

Enquanto a causa da doença permanece desconhecida, as autoridades estão se concentrando em tratar os sintomas. Pesquisadores do CDC se reuniram com autoridades de saúde de Uganda para discutir como uma triagem de tratamentos poderia funcionar.

A triagem vai testar dois tipos de anticonvulsivantes, assim como suplementos de vitamina B6. Algumas crianças afetadas já estão tomando antiepilépticos, com variados graus de sucesso.

"Eu acho que todo mundo está de acordo que, nesta fase, seria bom ter uma ideia muito melhor sobre quais os tratamentos estão funcionando e se algum deles são prejudiciais", disse Dowell.

Investigadores dizem que eles esperam ter um protocolo para triagem, que irá incluir 80 crianças, pronto para ser submetido à aprovação ética em Uganda e nos Estados Unidos em algumas semanas.

Amargura

Mas para aqueles que vivem com a doença e seus efeitos, tudo parece estar se movendo muito lentamente. Em Uganda, a frustração com uma resposta do governo está crescendo.

"As pessoas estão muito amargas e acham que o governo as abandonou", disse Martin Ojara, coordenador do conselho local da sub-região de Acholi, onde a doença está concentrada.

Embora o governo tenha anunciado recentemente um plano para estabelecer centros de tratamento e trazer trabalhadores de saúde para tratar a doença, muitos acham pouco.

Pegando fogo

Crianças com a síndrome são propensas a acidentes, como afogamento e queimaduras, por causa de deficiência mental, e muitas das mortes pela doença são o resultado dessas causas secundárias.

Desde que contraiu a doença, Lamwaka teve muitos incidentes. Seu corpo é coberto de hematomas resultado de diversas quedas e suas mãos estão machucadas porque recentemente ela caiu no fogo, quando os pais estavam fora.

"Ela não sabe que está pegando fogo, que está queimando, até que alguém leve-a para longe do fogo", disse o pai. Ele admite que parou de levá-la ao médico.

"Mesmo que eles nos deem remédios, eu não tenho certeza se eles vão ajudar", disse Odongkara.


Sentada em uma sombra próxima está a avó, Jujupina Ataro, 72. Ela tem três netos com a doença e passa seu tempo dando banho e alimentando-os. Ela disse que muitos de seus vizinhos e amigos também têm filhos com a doença.

"Eu conheço muitos nesta área. Se um médico viesse você veria quantas pessoas... é incontável", disse ela. "É como se a geração estivesse sendo exterminada."

* reportagem de Sonya Hepinstall

domingo, 13 de novembro de 2011

Após mortes de crianças nos EUA, pastor defensor de palmadas fica na berlinda

 

Livro de Pearl que ensina pais a usar uma vara para disciplinar os filhos foi encontrado em casas de crianças mortas após agressão

 
 
The New York Times | IG
 
 
Depois do culto na Igreja de Cane Creek em um domingo recente, algumas dezenas de famílias realizaram um piquenique, cercadas por crianças que riam e brincavam.
O pastor Michael Pearl, de barbas brancas, havia pronunciado seu sermão em calças manchadas, e agora, ao lado de sua esposa Debi, se misturava calorosamente com as famílias de seu ministério evangélico, incluindo alguns de seus próprios netos.
 
Foto: NYT
Michael Pearl na igreja Cane Creek, em Pleasantville, Tennessee
 
O clima pastoral nas colinas do Tennessee oferecia um contraste alarmante com a grande tempestade que abalou todo o país sobre os ensinamentos de Pearl sobre como disciplinar crianças, que defende o uso sistemático de uma "vara" para ensinar os pequenos a se submeter à autoridade. Os métodos, vistos como normais por alguns pais e como horríveis por outros, são "modelados", Michael Pearl gosta de dizer, sobre "os mesmos princípios usados pelos Amish para treinar mulas teimosas".
 
O debate sobre os ensinamentos de Pearl primeiramente tomou conta de sites cirstãos, mas ganhou nova intensidade com a morte de uma terceira criança supostamente nas mãos dos pais, que tinham em suas casas o livro de Pearl: "To Train Up a Child" ("Educar uma Criança", em tradução literal). Em 29 de setembro, os pais foram acusados de homicídio por abuso e estão aguardando julgamento.
 
Mais de 670 mil cópias do livro autopublicado de Pearl estão em circulação e ele é especialmente popular entre os cristãos que educam seus filhos em casa e o elogiam em suas revistas e sites. Pearl "fornece instruções sobre o uso de varas, a partir dos seis meses, para desencorajar o mau comportamento e descreve como fazer uso de implementos para bater nos braços, pernas ou costas, incluindo o uso de um cano flexível que, Michael Pearl diz, “pode ser enrolado e transportado em seu bolso".
 
O furor em parte reflete as divergências da sociedade sobre os castigos corporais, que os cristãos conservadores dizem ser adotado na Bíblia e que muitos americanos consideram razoável até certo ponto, enquanto muitos pais e pediatras o rejeitam. A questão foi levada a outro nível recentemente, quando um vídeo de um juiz do Texas chicoteando sua filha foi publicado online.
 
Michael Pearl, 66, e Debi Pearl, 60, dizem que culpar seu livro pelo abuso extremo de alguns pais instáveis é absurdo e que eles explicitamente aconselham contra agir com raiva ou deixar hematomas. Eles afirmam que seus métodos, quando usados corretamente, geram adolescentes em paz e felizes.
 
"Se você encontrar um livro dos 12 passos na casa de um alcoólatra você não iria culpar o livro", disse Michael Pearl em uma entrevista.
 
Mas ele reconheceu que os métodos não são adequados para pais fora de controle ou severamente sobrecarregados.
 
No caso mais recente, Larry e Carri Williams, de Sedro-Woolley, Washington, educavam seus seis filhos em casa quando adotaram uma menina e um menino da Etiópia, de 7 e 11 anos, em 2008. Os dois eram vistos por seus novos pais como rebeldes, de acordo com amigos.
 
Tarde da noite, em maio desse ano, a menina adotada, Hana, foi encontrada de bruços, nua e anormalmente magra no quintal da casa. Sua morte foi causada por hipotermia e desnutrição, determinaram as autoridades.


Foto: NYT
Estoques do livro de Michael Pearl e de sua mulher, Debi,
To Train Up A Child
 
Segundo o relatório do xerife, os pais a tinham privado de comida por muitos dias seguidos e a faziam dormir em um celeiro frio ou em um chuveiro externo com uma mangueira. Muitas vezes, eles a chicotearam, deixando marcas nas suas pernas. A mãe havia elogiado o livro de Pearl e dado uma cópia para uma amiga, segundo o relatório do xerife.

Hana havia sido espancada no dia de sua morte, segundo o relatório, com o tubo de plástico flexível que é recomendado por Michael Pearl. "É um bom instrumento para algumas palmadas", disse ele na entrevista, "é leve demais para causar danos ao músculo ou ao osso".
 
Algumas das táticas do casal Williams também pareciam envolver conselhos de Pearl levados a extremos. Os Pearls dizem que "um pouco de jejum é uma boa formação", por exemplo, e sugerem molhar uma criança com uma mangueira caso ela esqueça de usar o banheiro corretamente. Os Williams se declararam inocentes e estão aguardando julgamento.
 
O promotor do Condado de Skagit disse que não iria acusar os Pearls de envolvimento no crime e que o caso de homicídio não dependia das leituras dos Williams ou de sua religião.
 
Mas o doutor Frances Chalmers, um pediatra que examinou o corpo de Hana para o Departamento de Serviços Sociais do Estado de Washington, disse sobre os métodos de Pearl: "Meu medo é que esse livro, embora talvez bem intencionado, possa facilmente ser mal interpretado e levar ao que eu considero um abuso físico e psicológico."
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O mesmo tipo de tubo foi usado para bater na menina Lydia Schatz, de 7 anos de idade, adotada aos 4 anos da Libéria, que morreu em Paradise, na Califórnia, em 2010. Seus pais, Kevin e Elizabeth Schatz, tinham o livro de Pearl, mas ignoraram seu conselho contra a amarração prolongada ou machucados. Eles chicotearam Lydia por horas, com pausas para oração. Ela morreu de danos graves aos tecidos e sua irmã mais velha teve que ser hospitalizada, disseram as autoridades.
 
O Schatzes, que ensinavam seus nove filhos em casa, três dos quais adotados, estão ambos servindo longas penas de prisão depois que o pai se declarou culpado de assassinato em segundo grau e de tortura, e a mãe de homicídio voluntário e de castigos corporais. O promotor do Condado de Butte Mike Ramsey criticou publicamente o livro de Pearl como uma influência perigosa.
 
Os ensinamentos de Pearl também apareceram no julgamento de Lynn Paddock do Condado de Johnson, Carolina do Norte, que foi condenada por assassinato em primeiro grau de Paddock Sean, de 4 anos de idade, em 2006. Os Paddocks adotaram seis crianças americanas, algumas com problemas emocionais, e descobriram o site de Pearl na internet, disse Lynn Paddock.

Sean sufocou depois de ser enrolado em um cobertor. Seus irmãos testemunharam que eram espancados diariamente com o mesmo tubo flexível.
 
Alguns pais conservadores cristãos rejeitam os ensinamentos de Pearl e começaram uma petição pedindo que lojas como a Amazon não estoquem seus livros.

Crystal Lutton, repsonsável pelo Grace-Based Discipline, um dos vários blogs cristãos que se opõem à punição corporal, disse que o perigo com os métodos de Pearl é que, "se você não obtiver resultados, a única coisa a fazer é punir mais duramente".

Os pais que frequentam a igreja de Michael Pearl disseram que seguem a abordagem do casal e estão intrigados com a controvérsia. Os filhos dos Pearls também dizem que os ataques a seus pais estão equivocados. "Eu tive uma infância maravilhosa", disse sua filha Shoshanna Easling, 28, que está criando seus dois filhos da mesma maneira.

"Meus pais nunca falaram comigo com raiva e eu só consigo me lembrar de tomar uns tapas algumas vezes." Michael Pearl disse que Shoshanna apanhou provavelmente 50 vezes quando pequena, mas que isso logo se tornou desnecessário.

Por meio da venda de livro e vídeo, o Ministério da Grande Alegria dos Pearls gera US$ 1,7 milhão por ano, que eles dizem retornar para a causa.

Grande parte do seu conselho é padrão: os pais devem ser amorosos, passar muito tempo com seus filhos, ser claros e consistentes e nunca atacá-los por raiva. Mas, citando passagens bíblicas como: "Aquele que poupa a vara aborrece a seu filho", eles fornecem instruções para usar a "vara" em crianças desafiadoras para proporcionar sua "limpeza espiritual".
 
Foto: NYT
Michael Pearl conversa com garoto na igreja Cane Creek,
em Pleasantville, Tennessee
 
Eles ensinam os pais a utilizar tapas leves para ensinar as crianças a não se desenrolar de um cobertor. Conforme as crianças crescem, os pais são incentivados a responder ao desafio de bater forte o suficiente para arder, seja com um cinto, uma colher de pau ou um tubo flexível.

Michael Pearl descreve a criação dos filhos como um teste. Se um aviso verbal não funcionar, ele disse, "você tem as sementes da autodestruição."

As três mortes conhecidas envolvendo crianças adotadas preocupam Lisa Dia Veleff, de Portland, Maine, uma mãe adotiva de duas crianças da Etiópia. "Essas crianças foram arrancadas de seu país de origem, de sua família, cultura e língua", observou. "A última coisa que elas precisam é apanhar de seus novos pais."

Michael Pearl disse que se opõe à adoção de crianças mais velhas. Mas sobre a questão central, ele e sua esposa não vacilam. "Abandonar o uso da vara seria para desistir de nosso pontos de vista da natureza humana, de Deus e da eternidade", escreveram.
Por Erik Eckholm

sábado, 9 de julho de 2011

Sudão do Sul se torna o mais novo país do mundo

Na capital Juba, centenas comemoram independência em relação ao norte; separação nasce de acordo de paz firmado em 2005


BBC Brasil - IG

O Sudão do Sul se tornou oficialmente às 0h01 locais de sábado (18h01 desta sexta-feira em Brasília), 0h01 de sábado, hora local) o mais novo país do mundo, ao se tornar independente do restante do Sudão. Nas ruas da capital do país, Juba, centenas de pessoas comemoraram a independência logo após o horário oficial da separação do norte.

Segundo o enviado da BBC a Juba Will Ross, às vésperas do nascimento do país as rádios tocaram sem parar o hino nacional sul-sudanês, composto por estudantes locais.

Foto: AP
Com a bandeira do novo país, homem comemora a independência do Sudão do Sul pelas ruas de Juba

O país nasce a partir de um acordo de paz firmado em 2005, após 12 anos de uma guerra civil que deixou 1,5 milhão de mortos. Em janeiro, 99% dos eleitores do Sudão do Sul votaram a favor da separação da região, predominantemente cristã e animista, em relação ao norte, governado a partir de Cartum, onde a população é em sua maioria muçulmana e de origem árabe.

Nesta sexta-feira, o governo do presidente sudanês, Omar Bashir, reconheceu formalmente a independência da parte sul de seu país. Ele estará em Juba, no sábado para a festa, assim como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que será recepcionado pelo presidente interino do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit.
Apesar de possuir grandes reservas de petróleo, o Sudão do Sul nasce como um dos países mais pobres do mundo, com a maior taxa de mortalidade materna, a maioria das crianças fora da escola e um índice de analfabetismo que chega em 84% entre as mulheres.

Embora não haja estatísticas oficiais, a ONU estima que a população do país varie entre 7,5 e 9,5 milhões. O Sudão do Sul também nasce sendo um dos maiores do continente, superando as áreas de Quênia, Uganda e Ruanda somadas.

Abyei e Kordofan

A independência está sendo celebrada sem que as fronteiras entre o sul e o norte já estejam completamente definidas. Um foco de tensão é o debate sobre quem ficará a região de Abyei, rica em petróleo.

Em maio, forças do Sudão do Norte entraram em Abyei. Os conflitos forçaram 170 mil pessoas a deixarem suas casas, para fugir da violência.

O acordo de 2005 previa um referendo para os moradores da área decidirem se ficariam com o norte ou o sul, mas por causa da tensão a votação ainda não ocorreu. Antecipando-se a uma eventual retomada da guerra civil, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, também em maio, o envio de uma missão de paz com 7 mil militares para a área, a maioria da Etiópia.

A separação também acendeu os ânimos na região de Kordofan do Sul, que está sob controle do governo de Cartum.
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Povoada por minorias étnicas sem ligação com a população árabe do norte, a região quer se juntar ao novo país. Confrontos na região já provocaram o deslocamento de 60 mil moradores.

Petróleo, selos e capital

A questão do petróleo é uma das questões mais sensíveis na divisão do Sudão. A maior parte das reservas fica no sul, mas quase toda a infraestrutura para refino e transporte fica no norte. Por enquanto, a receita é dividida meio a meio.

Além de discutir uma nova divisão nos lucros, o sul e o norte também têm de dividir a dívida pública do Sudão. A nacionalidade dos sul-sudaneses que vivem no norte é outro problema. O governo de Cartum já revogou a cidadania destas pessoas, que agora migram em massa para a antiga terra natal, para se tornarem cidadãos do mais novo país do mundo.

Mas as delicadas questão envolvendo o norte não são os únicos problemas que o Sudão do Sul está tendo que enfrentar. O país ainda discute, por exemplo, quem irá estampar as notas da futura nova moeda, o design dos selos e até qual será a capital – Juba ou uma nova cidade a ser construída, que pode até ter o formato de animais ou frutas africanas.

O nascimento do país também provocou mudanças na ONU, onde engenheiros discutem se incluem mais uma cadeira no já apertado plenário da Assembleia Geral, ou se o Sudão do Sul vai ocupar o espaço do Vaticano ou da Autoridade Palestina, que têm assento na sala, mas não são Estados-membros.