Mostrando postagens com marcador Saúde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saúde. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de julho de 2011

Doença que dificulta aprendizado de matemática é alvo de especialistas

Cerca de 6% da população mundial sofre de discalculia do desenvolvimento, transtorno neurológico que dificulta o aprendizado da matemática

AE | IG
Foto: Getty Images Ampliar
Discalculia é tão prejudicial ao desenvolvimento das crianças quanto a dislexia

A incidência é praticamente a mesma da dislexia, problema análogo - bem mais famoso - relacionado à leitura e à escrita. Pesquisadores brasileiros e estrangeiros querem trazer a discalculia do desenvolvimento para a ordem do dia.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Impotência dá alerta sobre infarto futuro

Disfunção erétil pode ser primeiro sinal de que coração está doente

Chris Bertelli, iG São Paulo

Foto: Getty Images
Disfunção erétil é reversível e pode indicar problemas graves

A dificuldade para ter ou manter uma ereção para uma atividade sexual satisfatória atinge aproximadamente 50% dos homens com mais de 40 anos, em maior ou menor grau, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia.

O problema, um dos três maiores inimigos do homem, não é parte natural do envelhecimento e deve ser investigado.

A disfunção pode ser o alerta inicial de que o coração não está saudável. Quando há acúmulos de placas de gordura nas artérias, elas endurecem e ficam mais finas, limitando a passagem do sangue.

“A artéria que leva sangue ao pênis tem um calibre menor do que as demais. Quando não há circulação adequada, o sangue chega em menor quantidade ao órgão e o paciente apresenta a disfunção”, relata o urologista Carlos Sacomani, do Hospital Samaritano, em São Paulo. O problema aparece de três a quatro anos antes das doenças coronarianas.

De acordo com um estudo conduzido pelo cardiologista alemão Michael Bohm e publicado pela American Heart Association (Associação Americana do Coração), a ereção deficiente pode ser um dos sintomas iniciais da arterosclerose, que pode favorecer o surgimento de outras doenças cardíacas além do infarto.

Foram avaliados 1.519 pacientes de 13 países. O pesquisador identificou que homens com impotência estavam quase duas vezes mais propensos a ter um ataque cardíaco e tinham 20% mais chances de serem hospitalizados por falência renal. Eles também apresentaram um risco 10% maior de acidente vascular cerebral (AVC) em comparação com homens que não apresentavam o problema. Os riscos aumentavam de acordo com a severidade da disfunção apresentada.
Leia também:
As principais causas

Mas a falha na vascularização é apenas uma das causas que levam à impotência. Além dela, os médicos destacam também as questões psicológicas e outras razões orgânicas, como colesterol alto, hipertensão, diabetes, trauma na medula ou a utilização de medicamentos como anti-hipertensivos e antidepressivos. Em geral, nos mais jovens predominam as causas psicológicas. A partir dos 60 anos, 60% das causas são orgânicas e 40% psicológicas, revela Sacomani.

“Em geral, o problema tem várias causas. O distúrbio androgênico do envelhecimento masculino, por exemplo, uma queda hormonal inerente à idade que começa a dar sinais a partir dos 40 anos, pode ser um desses sintomas”, diz André Guilherme Cavalcanti, diretor do Centro Integrado de Saúde do Homem, no Rio de Janeiro. Agravado por um quadro de obesidade ou colesterol alto pode ser a combinação perfeita para o aparecimento da disfunção erétil.

O primeiro passo, segundo os médicos, é observar a idade do paciente. Antes dos 40 anos, a maioria costuma ter alterações por problemas psicológicos. Estresse, depressão, receio de não satisfazer a parceira ou ansiedade – todos esses podem ser prejudiciais e afetar o rendimento.

“Uma grande descarga de adrenalina na corrente sanguínea nesse momento pode comprometer o funcionamento correto do órgão”, afirma Sacomani.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, o diagnóstico é clínico, mas é importante realizar exames de dosagem de testosterona, glicose e colesterol.

Tratamentos

É essencial vencer a barreira da timidez e do preconceito e procurar um urologista. A escolha do melhor tratamento passa por uma boa conversa entre médico e paciente e pode ser tão simples quanto adotar novos hábitos de vida ou tomar um comprimido. Exercícios, perda de peso e redução do cigarro são atitudes que podem ajudar, dependendo da causa da impotência.
Leia também:
Se não houver melhora, a medicação (os chamados inibidores de fosfodesterase como o Viagra, Levitra e Cialis) é indicada. Outra opção é injetar no pênis uma substância que provoca a ereção.

“Há o desconforto já que é preciso aplicar no início de toda relação sexual”, avalia Sacomani. A última alternativa é a prótese peniana, recomendada apenas para casos em que as demais saídas não funcionaram. A prótese é permanente e pode ter complicações graves como infecções ou rejeições.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Exames para a terceira idade

Confira a lista de exames para um check-up completo

Chris Bertelli, iG São Paulo

Foto: Getty Images Ampliar
Um check-up perfeito na terceira idade garante mais tranquilidade

Para ficar com a saúde em dia, a palavra-chave é prevenção. Os cuidados devem ser constantes em qualquer fase da vida, mas é fato que a terceira idade exige mais atenção. “Hoje, a expectativa de vida é alta. Se não prevenir doenças aos 60 anos, a pessoa passará mais 20 anos doente”, explica Rossana Maria Russo Funari, geriatra do Hospital Edmundo Vasconcelos, de São Paulo. O colesterol alto – um mal comum entre os idosos e associado a um maior risco cardíaco – é um bom exemplo. Se descoberto cedo, os próximos anos podem ser vivenciados de maneira tranquila, controlando a taxa de gordura no sangue e a alimentação.

E quando é hora de passar do clínico geral para o geriatra? Segundo os especialistas, para a mulher, o ideal seria consultá-lo logo que a menopausa aparecer, por volta dos 55 anos; já para os homens, a indicação é a partir dos 60. A ida ao consultório deve ser anual ou, se houver algum problema, realizada três vezes por ano.

“O geriatra deve orientar na prevenção de quedas, cobrar a visita ao ginecologista e outras especialidades, observar se a carteira de vacinação está em dia e ficar atento à alimentação do idoso”, afirma Funari.

Para um check-up completo nessa fase da vida, a presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Silvia Ferreira, indica a relação de exames que devem ser realizados.: por meio do exame de sangue o médico pode identificar diversos aspectos da saúde. É possível ver se o paciente está anêmico ou se o número de glóbulos brancos está dentro do normal. Também é importante que ele possa verificar a creatinina, para averiguar as funções do rim; as transaminases, que darão indícios sobre as funções do fígado, e a albumina – proteína que revela se o paciente está ou não bem nutrido.

Hemograma

Mas é também através desse exame rápido e simples que o médico consegue avaliar índices importantes como o colesterol (tanto o LDL, o colesterol ruim, quanto o HDL, conhecido como bom colesterol) e o perfil lipídico, que revela se há ou não risco para aterosclerose, AVC ou hipertensão arterial.

TSH: a medição do nível de hormônio da tireoide é importante para verificar se há alguma alteração significativa em seu funcionamento.

Mamografia: o exame é indicado a partir dos 35 anos, ou a partir dos 30 em mulheres com casos de câncer de mama na família. Ele deve ser realizado a cada cinco anos até os 70 anos.

Densiometria óssea: deve ser feito tanto por homens quanto por mulheres, só que em idades diferentes. Para elas, a indicação é logo após a menopausa e para eles acima dos 60 anos. A finalidade é evitar a osteoporose e também possíveis complicações decorrentes de quedas, que afetam 30% dos idosos e podem até levar à morte.

Colonoscopia: recomendado a partir dos 50 anos e até os 85. Pacientes com casos de câncer na família devem repetir o exame de cinco em cinco anos, os demais devem repetir a cada 10 anos. O objetivo é rastrear câncer de colorretal. Um único exame de reto e da última parte do cólon (partes do intestino) em pessoas entre os 55 e os 64 anos permite reduzir a mortalidade por câncer colorretal em 43%. 

Raio-X de tórax: imprescindível para quem é fumante, a fim de avaliar os pulmões. O médico consegue rastrear câncer nesses órgãos, além disso, esse exame também pode identificar o inicio de uma pneumonia, doença perigosa na terceira idade.

Eletrocardiograma: Ferreira indica que o eletrocardiograma seja realizado logo que o paciente passe a consultar com o geriatra. “Assim, o médico terá exames para comparação se houver alteração no futuro”, afirma. A saúde cardíaca deve ser acompanhada de perto pelo profissional, mas é sempre recomendado ir a um cardiologista.

Exames ginecológicos: papanicolaou e exame de toque devem fazer parte da lista até os 70 anos. “Muitas mulheres não querem fazer porque não tem mais vida sexual ativa. É preciso ficar claro que algumas infecções independem disso e que esse é um exame importante”, ressalta Funari.

Toque retal: apesar de ainda ser temido por muitos homens, esse exame detecta anomalias importantes na próstata, como um câncer.

PSA (sigla para Antígeno Prostático Específico): outro indicativo essencial para a saúde masculina. O índice desse antígeno é classificado como o mais eficaz na detecção do câncer de próstata, um dos mais letais para o público masculino.

25-hidroxi vitamina D: “A vitamina D tem sido considerada essencial para a boa saúde, principalmente dos idosos”, afirma Ferreira. Estudos têm comprovado a importância dessa vitamina na prevenção de doenças como a osteoporose. A vitamina D é produzida pelo corpo naturalmente depois da exposição ao sol. A geriatra, no entanto, pondera que este não é um exame essencial. “Ainda não está disponível na rede de saúde pública, por exemplo. Mas se ele puder ser relizado, melhor.”

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Os pecados capitais e a saúde
Gula, preguiça, avareza, luxúria, ira, vaidade e inveja causam doenças? Saiba o que dizem os especialistas
Fernanda Aranda, iG São Paulo
 Defeitos ou doenças? Como a ciência e a medicina enxergam a gula, preguiça, avareza, luxúria, ira, vaidade e inveja
Gula e obesidade
Cada vez que a ciência traz novas informações sobre a obesidade, a gula se afasta da categoria “pecado” e dá um passo em direção ao rótulo “doença”.
A comilança eventual – aquela que aparece em um sábado de feijoada ou domingo de macarrão – está perdoada das duas categorias, mas exige atenção quando, em vez de exceção, torna-se hábito diário.
A relação entre gula e obesidade se dá de duas formas, explica a endocrinologista Rosana Radominsk, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso). “A primeira delas é que o comer excessivo tem repercussões cerebrais capazes de afetar a sensação de saciedade. E nós sabemos que esta parte do cérebro comprometida é muito próxima das alteradas pela drogas. São mecanismos de ação (drogas e guloseimas) muito parecidos.”
A especialista acrescenta que a segunda relação entre gula e a obesidade é o comer compulsivo. Uma grande quantidade de comida em um curto espaço de tempo, característica do chamado transtorno alimentar.
“Ninguém é guloso porque quer, então não há como chamar a gula de pecado. Sabemos que os obesos (normalmente taxados de gulosos) demoram mais para ficar saciados, têm o paladar diferente e sentem os cheiros de formas diferenciadas”, diz Rosana.
“Todo este processo é resultado de uma influência genética e também de fatores externos. Hoje vivemos em uma superexposição da comida, com muitos produtos industrializados e calóricos. Tudo isto influencia.”
Avareza e prisão de ventre
Toda vez que a química e pesquisadora Conceição Trucom atende uma pessoa com queixa de prisão de ventre severa, ela sabe que a solução para o problema vai além de uma alimentação rica em fibras, mesclada aos exercícios físicos. Ela faz um convite a seus clientes para observarem a forma como se relacionam com o mundo. Conceição entende que o intestino é um órgão emocional.
Foto: Getty Images Ampliar
Alimentação rica em fibras e com muita água estimulam o funcionamento natural do intestino

Dieta para o intestino preguiçoso


Para ela, entre as características pessoais mais relacionadas à constipação intestinal está a avareza. Não aquela amplamente conhecida, representada pelo “pão duro” e aquelas pessoas egocêntricas que têm a certeza de que são o centro do universo. “A avareza mais associada à prisão de ventre é a típica de pessoas muito generosas com todos que as cercam”, diz.
“Elas costumam colocar a vontade dos outros sempre em primeiro lugar, esquecem de seus desejos e têm dificuldade para reivindicar o seu espaço. São avarentas consigo mesmas e não no sentido literal”, explica.
A avaliação de Conceição, acrescenta a especialista, tem fundamentos fisiológicos. A prisão de ventre é caracterizada pelo ressecamento (interpretado como um ressecar das próprias vontades) e também pela falta de fluidez do trato intestinal (manifestado pela falta de jogo de cintura para pedir espaço próprio).
“Alimentação saudável e atividade físicas são cúmplices para reverter a manifestação física. Mas o autoconhecimento e a mudança de postura são as verdadeiras chaves para diminuir o problema.”
Vaidade e dismorfofobia
A guerra constante com o espelho pode não ser só uma questão de vaidade. Este pecado capital associado à imagem, por sinal, não é a origem de problemas de saúde graves que culminam em uma repetição perigosa de cirurgias plásticas e outros procedimentos estéticos.
Conheça mais sobre o transtorno de imagem

Seja o pop star que faz do bisturi uma companhia constante ou a dona de casa que enxerga nas agulhas que aplicam botox uma espécie de vara de condão para exterminar a insatisfação irremediável com o rosto, todos eles podem ser portadores de um distúrbio psiquiátrico sério, chamado transtorno dismórfico corporal.
“Essa preocupação exagerada com a imagem, que causa estresse e interfere na vida cotidiana, ocorre porque a pessoa tem uma distorção de julgamento e pensa ter alguma parte do corpo defeituosa (pode ser o nariz, a altura, a pele, etc)”, afirma a dermatologista Luciana Conrado, uma das pioneiras em pesquisas sobre o assunto.
“Assim como as pessoas que sofrem de hipocondria acreditam que estão com alguma doença que na realidade não existe, as pessoas que tem o Transtorno Dismórfico Corporal, acreditam ser defeituosas partes do corpo que são consideradas normais para as outras pessoas.”
Estas pessoas que convivem com o aprisionamento de acreditar que um nariz perfeito é a coisa mais importante da vida, por exemplo, podem acabar em vários consultórios de dermatologistas e cirurgiões plásticos. Por isso, Luciana Conrado defende que os profissionais precisam estar capacitados para acolher os pacientes. “Não atendê-los não é suficiente, porque estes pacientes vão continuar buscando uma solução cosmética para um problema que é psíquico”, alerta.
Nem toda a insatisfação com o corpo é um sintoma de transtorno dismórfico corporal. A linha que separa o natural do exagero é tênue, diz Luciana. A orientação é colocar na balança os prejuízos que o descontentamento acarreta.
“Deixar de ir a compromissos sociais, vida ao ar livre, ter vergonha excessiva ou passar horas trocando de roupa a ponto de perder horário de trabalho já podem ser indícios.” Para o “pecado” da vaidade talvez não haja tratamento. Para o transtorno de imagem, sim.
Raiva (ira) e gastrite
Um pouquinho de raiva não faz mal a ninguém, diz a professora universitária de psicologia e coordenadora do Instituto Jungiano da Bahia, Maria Teresa Nappi Moreno. “Mas esta emoção desmedida e mal assimilada, além de bloquear o ser humano, pode atingir em cheio o estômago”, completa ela que pesquisou 109 adultos com gastrite.
“Todos eles vivenciavam a raiva de forma reprimida e mostravam um alto grau de ansiedade”, concluiu a especialista.
Alivie a tensão
O processo fisiológico para a ira chegar ao estômago não é difícil de entender. A emoção desequilibra o sistema nervoso autônomo, altera os neurotransmissores e eles deixam a mucosa que cobre o estômago mais ácida. Além da queimação, a acidez pode provocar pequenos buraquinhos na parede estomacal, conhecida como gastrite. A evolução pode culminar em uma úlcera.
“As pessoas que eu pesquisei associavam a raiva que sentiam ao pecado, uma falha de caráter. Mas justamente pensar que quem sente raiva é um pecador é o que bloqueia o indivíduo e faz com ele não enxergue o lado positivo desta sentimento”, avalia Maria Teresa. “Um pouco de raiva, sem reforçar que a responsabilidade do outro, estimula a superação. O excesso do sentimento volta para si e pode ter a manifestação orgânica da gastrite.”
Luxúria e DST
O sexo não causa doenças. Só se for feito sem proteção. Dito isso, é difícil relacionar a luxúria (que na visão religiosa é definida por deixar-se cair em tentação em busca dos prazeres da carne ou das vontades materiais) às doenças sexualmente transmissíveis. Mas já existem indícios de que as traições - quase sempre associadas ao pecado capital – são mesmo a porta de entrada da infecção do vírus HIV, caso praticadas sem camisinha.
Saiba mais sobre o HIV
Uma pesquisa feita pelo Programa Nacional de DST, Aids e Hepatites Virais, ligado ao Ministério da Saúde, entrevistou 8 mil pessoas do País para definir os padrões sexuais do brasileiro. O levantamento identificou que 21% dos homens pesquisados admitiram ter relações extraconjugais no ano anterior ao estudo. Deste total, 63% não usaram camisinha em todas as deslizadas. Na faixa-etária feminina maior de 50 anos infectada por aids, 70% delas contraíram o vírus HIV do marido ou companheiro fixo, mostrou análise investigativa feita pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
Uma outra associação entre luxúria e doença está no transtorno da dependência de sexo, já assumido pelo milionário jogador de golfe Tiger Woods. Nestes casos, o distúrbio exige acompanhamento e tratamento médico e o vício, em nada, tem relação ao prazer. 
Preguiça e sedentarismo
O sedentarismo invadiu a casa da maioria das pessoas e hoje afeta 80% dos brasileiros, segundo o último levantamento feito pelo Ministério da Saúde.
A falta de tempo é apontada como uma das principais responsáveis para a pouca ou nenhuma atividade física. A batalha com o relógio costuma ser mais difícil quando a preguiça entra na jogada. Mas antes de condenar este pecado capital, pense no primeiro pensamento que aparece ao tocar o despertador pela manhã. Que atire a primeira pedra quem não ajeita o travesseiro com o acalento da frase “só mais cinco minutinhos”.
A ausência eventual em um dia de academia ou caminhada ao ar livre pode ser perdoada, mas a sensação ganha contornos de problemas de saúde quando a vontade de “sempre não fazer nada” aparece para tudo: dos compromissos profissionais aos sociais.
A depressão pode estar associada ao sentimento frequente. Alguns especialistas norte-americanos investigaram a sensação de cansaço e encontraram até um gene responsável por isso, que afeta a atividade cerebral. Existe ainda na área da medicina a narcolepsia, doença de difícil diagnóstico, que acomete um em cada dois mil indivíduos, e tem como principal sintoma a sonolência excessiva durante o dia. São casos mais extremos e precisam de avaliação médica para serem considerados.
O fato é que a preguiça, quando não é um problema de saúde tão específico, é alimentada pelo sono inadequado, má alimentação e obesidade. O remédio para tal pecado pode ser justamente aquilo que os preguiçosos tentam driblar. Os exercícios físicos liberam no corpo os hormônios endorfina e serotonina, que estimulam a disposição. Ao persistirem os sintomas, procure um especialista. É mais eficiente do que se autoclassificar como um preguiçoso pecador. 
Inveja e depressão
A inveja talvez seja o pecado capital mais condenado já que é difícil alguém assumí-lo. Mas é justamente o ato de camuflar este sentimento, de forma sistemática e exaustiva, que pode resultar em depressão, avalia o psicólogo clínico formado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Quirino.
Leia mais sobre a depressão
“A associação entre inveja e depressão ficou ainda mais forte na sociedade contemporânea”, diz ele. “Isso porque, ter inveja é admirar algo ou uma característica do outro que você tem certeza de que é incapaz de ter. Atualmente, ter coisas é mais importante do que ser. A publicidade não vende mais carros e sim identidade. Tudo isso desperta a sensação de impotência, condutora da depressão”, relaciona o especialista.
O olhar destrutivo da inveja está no rosto de qualquer um, mas como “não é uma característica socialmente aceita”, diz Quirino, “há um esforço diário para recalcá-la em vez de trabalhar esta sensação”, completa. O ciclo fica ainda mais difícil de ser rompido já que a depressão pode aparecer primeiro e só depois vir a inveja.
Reconhecer as dificuldades é o primeiro passo. O seguinte é a vivência da situação. Terapia precisa acompanhar o processo. As consultas, inclusive, já se mostram mais eficazes do que os medicamentos antidepressivos.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Exercícios vigorosos são aliados no combate ao câncer de próstata
Segundo pesquisadores, pacientes com a doença deveriam se exercitar por três horas por semana
The New York Times
Foto: Getty Images Ampliar
Exercícios vigorosos por três horas semanais podem reduzir chances de morte por câncer de próstata

Nova pesquisa sugere que pacientes com câncer de próstata que praticam quantidades modestas de exercícios físicos vigorosos regularmente aparentemente diminuem os riscos de morrer da doença.

Três horas ou mais por semana de prática vigorosa de ciclismo, tênis, corrida ou natação parecem melhorar o prognóstico entre tais pacientes, constatou a equipe de pesquisadores. Eles complementam, porém, que mesmo a atividade física moderada parece diminuir os riscos em geral de morte por qualquer causa.

“Este é o primeiro estudo realizado com homens com câncer de próstata a avaliar a atividade física depois do diagnostico em relação à mortalidade em virtude da doença e em geral”, observou Stacey Kenfield, autor do estudo e pesquisador associado do departamento de epidemiologia da Harvard School of Public Health e também do Channing Laboratory at Brigham and Women’s Hospital, ambos localizados em Boston.

“Nós observamos benefícios em níveis de atividade possíveis e nossos resultados sugerem que homens com câncer de próstata deveriam fazer atividades físicas para a saúde como um todo, mesmo que em pequena quantidade, como 15 minutos diários de caminhada, corrida ou ciclismo. Atividades vigorosas podem ser especialmente benéficas para o câncer de próstata, assim como para a saúde em geral, com a freqüência de três ou mais horas semanais”.

O resultado do estudo foi publicado na edição de janeiro do Journal of Clinical Oncology.

Os pesquisadores observaram que, embora o câncer de próstata seja o tipo de câncer mais comum entre homens norte-americanos, a notícia não é tão ameaçadora. Eles ressaltaram que mais de 80% dos pacientes com câncer de próstata têm a doença localizada, e o índice de sobrevivência de 10 anos após o diagnóstico é acima de 93%. O resultado disso é que mais de 2 milhões de americanos sobrevivem ao câncer de próstata.

O estudo

Para explorar como os exercícios podem melhorar as chances de sobrevivência, Kenfield e sua equipe acompanharam a rotina de exercícios de mais de 2.700 homens diagnosticados com câncer de próstata depois de 1990. As avaliações ocorreram a cada dois anos.
As atividades avaliadas foram a caminhada, corrida, ciclismo, natação, remo, subida de escadas, tênis, squash, frescobol e/ou golfe. Levantamento de peso e trabalho pesado ao ar livre também foram incluídos na analise, e todas as atividades receberam a chamada classificação “tarefa metabólica equivalente”, ou valor MET, de acordo com a quantidade deenergia que cada um necessitava em relação ao sedentarismo.

Depois de determinar a classificação MET abaixo de seis para atividades não vigorosas e acima de seis para as vigorosas, os autores determinaram quantas horas MET por semana eram gastas por cada paciente com base na natureza e no ritmo de cada atividade da qual participavam.

Um total de 548 pacientes morreu durante o estudo, um quinto deles como resultado direto do diagnostico de câncer de próstata. Mas, a equipe de pesquisa constatou que quanto mais ativos eram os pacientes, menor o risco de morte por câncer de próstata ou de qualquer outra causa.

Quanto mais horas os pacientes se dedicavam a exercícios tanto vigorosos como não vigorosos, melhor os resultados em termos de sobrevivência. Por exemplo, os homens que computavam nove ou mais horas MET por semana – o equivalente a correr, pedalar, nadar ou jogar tênis por cerca de 90 minutos por semana – apresentaram risco 33% mais baixo de morrer de qualquer causa e risco 35% mais baixo de morrer de câncer de próstata.

As atividades vigorosas, porém, aparentemente conferiram um maior benefício de sobrevivência do que as não vigorosas. Comparados aos homens que participaram de atividades vigorosas (como ciclismo, tênis, corrida e/ou natação) por menos de uma hora por semana, aqueles que participaram em 3 horas ou mais apresentaram uma queda de aproximadamente 50% no risco de morte por qualquer causa e 61% no risco de morte por câncer de próstata.

Na verdade, apenas as atividades vigorosas foram relacionadas a uma queda no risco de morte por câncer de próstata, observaram os autores do estudo.

Entretanto, como base nestes dados, mesmo uma pratica mínima de exercícios concedeu aos pacientes uma vantagem em termos de sobrevivência em geral. Por exemplo, os homens que registraram entre 5 e 10 horas semanais de atividades não vigorosas apresentaram risco 28% mais baixo de morte por qualquer causa, comparados aos homens que realizaram menos de uma hora semanal de exercícios semelhantes. E este risco relativo caiu 51% entre os homens que realizaram mais de 10 horas semanais do mesmo tipo de atividade.

Caminhar é preciso

Concentrando-se especificamente na caminhada (atividade física mais popular atualmente, que representa mais de um terço do total de horas MET por semana entre os pacientes), Kenfield e sua equipe constataram que sete ou mais horas semanais de caminhada conferiram um “benefício significante” relativo a caminhar menos de 20 minutos por semana.
Os autores constaram que o ritmo também faz uma diferença. Os homens que caminharam em ritmo “normal” apresentaram risco 37% mais baixo de morrer de qualquer causa do que aqueles que realizaram uma caminhada mais “tranqüila”. Aqueles que caminharam em ritmo “ligeiro” ou “muito ligeiro” tiveram resultados ainda melhores, registrando uma queda de 48% no risco de morte.

“Existem diversas formas pelas quais os exercícios físicos podem ter um efeito sobre a biologia do câncer de próstata. A atividade física aumenta a sensibilidade à insulina e pode afetar a bioatividade do fator de crescimento da insulina (IGF-1), que influencia a proliferação, migração e angiogênese celular – a formação de novos vasos sanguíneos – podendo levar à progressão do câncer.

A atividade física também diminui os fatores inflamatórios e estimula as funções imunológicas. Ainda está sendo estudado como estas ações moleculares trabalham em conjunto para afetar a biologia e os resultados do câncer de próstata”, disse Kenfield.

O Dr. Basir U. Tareen, médico responsável pelo departamento de oncologia urológica do Beth Israel Medical Center de Nova York, descreveu o estudo como “revolucionário”.

“Há muito tempo sabemos que as pessoas que praticam exercícios em geral são mais saudáveis e tem melhor saúde cardiovascular. Então não me causa surpresa o fato das pessoas que se exercitam terem um nível de sobrevivência geral melhor. Mas, nunca antes havíamos analisado os exercícios em relação à sobrevivência ao câncer de próstata. E é muito animador ver um estudo tão bem feito, onde foi constatada possibilidade de mostrar, de forma sistemática, que o aumento de atividades físicas pode melhorar significantemente a sobrevivência ao câncer”, disse Tareen.

Ele complementou: “Estamos esperançosos que este estudo será um ponto de partida para muitos outros, pois ainda temos de descobrir exatamente porque isso ocorre em nível molecular. Provavelmente existe uma relação entre uma probabilidade mais baixa de contrair infecções em pessoas que se exercitam, ou ainda uma relação com o sistema imunológico. Mas, mesmo agora já posso dizer a meus pacientes que se eles se exercitarem pelo menos três horas por semana eles terão uma importante redução no risco de mortalidade por câncer”, disse Tareen.

Por Alan Mozes

Tradução: Claudia Batista Arantes

Mitos e verdades do toque retal

Temido por muitos homens, exame detecta anomalias na próstata e deve ser feito a partir dos 45 anos

Bruno Folli, iG São Paulo

Foto: Thinkstock Photos Ampliar
Exame retal ainda desperta receio em muitos homens

O toque retal é um exame simples, rápido e considerado muito eficiente para detectar problemas na próstata.

Contudo, a maneira como ele é realizado ainda faz muitos homens evitarem os consultórios urológicos. No filme Biutiful, indicado ao Oscar, o personagem do ator Javier Bardem, por adiar tanto o exame, acaba por descobrir um câncer na próstata em estágio avançado, já espalhado por outros órgãos.

"As coisas têm mudado bastante nos últimos 10 anos. O exame está mais aceito porque as pessoas estão se conscientizando de sua necessidade", afirma o urologista Cássio Andreoni, chefe da disciplina de urologia na Unifesp.

Apesar disso, o exame ainda é cercado por preconceito, piadinhas e medo. "O paciente chega com dúvidas no consultório. Pergunta como vai ser, se vai doer", conta o médico. O iG Saúde selecionou na forma de mitos e verdades as principais informações sobre o exame para quem vai fazê-lo pela primeira vez. Vale lembrar que toda próstata adoece, mais cedo ou mais tarde. Só no Brasil, o câncer de próstata atinge 52 mil pessoas por ano, por isso é tão recomendado o acompanhamento médico.

Todo homem precisa fazer o toque retal.
Verdade – Não existe outro exame capaz de substituir o toque retal. Ele deve ser feito anualmente a partir dos 45 anos. Se houver histórico familiar de câncer na próstata, o primeiro toque deve acontecer aos 40 anos.

O toque retal dói.
Mito – Ele causa incômodo. “O desconforto é maior quando o homem não está relaxado”, afirma o urologista Cássio Andreoni, chefe da disciplina de urologia na Unifesp. Há risco de doer caso o homem tenha alguma inflamação na próstata, pois ela vai ser tocada durante o exame. O processo é rápido, dura alguns segundos.

Se o exame de PSA der normal, isso significa que não tenho câncer.
Mito – “Em cerca de 15% dos resultados normais, o paciente tem problemas detectados no exame de toque”, afirma o urologista Manoel Antonio Guimarães, diretor clínico do Hospital da Polícia Militar do Paraná.

Se o PSA for aperfeiçoado, ele poderá substituir o toque retal.
Mito - Inicialmente, acreditava-se que o PSA (antígeno prostático específico) fosse uma enzima exclusiva da próstata, mas hoje é sabido que ela é produzida por outras glândulas como as periuretrais e as pancreáticas. É pouco provável que ele venha a substituir o toque retal, embora ainda seja um indicador interessante e simples de obter (por exame de sangue).

Mesmo sem indício de câncer, é preciso continuar fazendo os exames de toque anualmente.
Verdade – Estima-se que um em cada seis pessoas com 75 anos tenham tumor na próstata. Este é o segundo câncer mais comum em homens, perdendo apenas para o tumor de pele não-melanoma, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). São esperados mais de 52 mil diagnósticos por ano no País.

Exames de imagem podem detectar tumores pequenos na próstata.
Mito – Diferente de outros cânceres, como o de mama, o tumor na próstata não surge com apenas um foco concentrado. Ele possui diversos pontos pequenos, mais fáceis de serem notados pelo toque do urologista.

O toque retal detecta outros problemas na região, além do câncer de próstata.
Verdade – Ele representa uma avaliação geral da próstata e pode detectar alterações como hiperplasia (aumento acima do normal), causado por alterações hormonais. O exame detecta ainda inflamações e doenças no canal retal. “O contato com o paciente, um exame físico, representa a base da medicina. É tão básico quanto verificar a pressão arterial ou a temperatura”, compara Andreoni.

O exame retal requer que o paciente fique em posição ginecológica.
Mito – Existem alternativas de posições para o exame, como deitar o paciente de lado. A possibilidade de mudar a posição pode ajudar o paciente a se sentir mais confortável, reduzindo o incômodo.

O câncer de próstata faz parte do envelhecimento do homem.
Verdade – O passar do tempo torna algumas mudanças evidentes no corpo do homem. A barriga cresce, a massa muscular pode reduzir, assim como a disposição sexual. São consequências de alterações hormonais. Além do que sobressai à vista, outras mudanças acontecem no organismo e podem colocar a saúde em risco. Uma delas ocorre na próstata. Estima-se que todo homem que viver até os 100 anos terá algum tumor na próstata.

É preciso fazer uma biópsia para confirmar o câncer de próstata.
Verdade – O exame de toque é o mais indicado para levantar a suspeita da doença, entre outros problemas da próstata. Mas apenas uma biópsia confirma o tumor, bem como sua gravidade.

Nem todos os tumores na próstata precisam ser tratados.
Verdade – Alguns progridem muito lentamente, por isso precisam apenas ser acompanhados, em vez de tratados. “É frequente dizer ao paciente que ele vai morrer com o tumor, e não por causa do tumor”, afirma Andreoni.

Todo paciente que opera a próstata acaba com algum grau de impotência ou de incontinência urinária.
Mito – “A disfunção erétil atinge cerca de 10% dos pacientes e a incontinência urinária não passa dos 3%”, conta Andreoni. Os índices de sequelas diminuíram bastante desde que a cirurgia pôde ser realizada com auxílio de robôs. Atualmente, até os serviços públicos de saúde oferecem técnicas minimamente invasivas, que permitem ao paciente se recuperar rapidamente.
Aparelhos de MP3 aumentam problemas de audição


Estudo revela que o número de jovens com traumas sonoros no ouvido cresceu devido ao excessivo volume dos reprodutores de música

EFE / IG
O uso de reprodutores de música MP3 e MP4 com um volume superior aos 80 decibéis está provocando um aumento dos problemas de audição nos jovens de 10 a 35 anos, segundo o divulgado nesta quinta-feira em um reunião de especialistas em Barcelona.

Os presentes em um curso internacional de audiologia que reúne 50 especialistas destacaram que o número de jovens com traumas sonoros no ouvido cresceu devido ao excessivo volume dos reprodutores de música e, perante esta situação, fizeram um pedido à indústria para "limitar o som".

O professor da Universidade de Barcelona Joan Domènech Oliva explicou que os zumbidos, que são ruídos contínuos do ouvido que hoje em dia ainda não têm cura, são a principal consequência do volume excessivo, um problema que já afeta 4% da população e, especialmente, pessoas entre 10 e 35 anos.
Calcula-se que Domènech assinalou que graças à legislação sobre prevenção de riscos trabalhistas e a existência de meios para prevenir o excesso de ruídos diminuiu o número de casos de zumbidos entre os trabalhadores.

No entanto, a patologia não foi reduzida devido ao grande aumento de casos entre os jovens como consequência do uso de reprodutores de música digitais.

Um total de 4% da população espanhola e de outros países industrializados padece de ruídos constantes graves no ouvido e 1% da população tem uma situação de gravidade extrema, que influi em sua vida diária, afetando gravemente o estado emocional e psicológico.

Perante esta situação, os especialistas recomendam aos jovens que vão para discotecas ou shows e ficam com assobios nos ouvidos que persistem por horas que procurem um especialista para iniciar um tratamento preventivo com o objetivo de evitar o surgimento de zumbidos, que podem chegar a ser crônicos.

Neste sentido, o doutor Joan Domènech ressaltou que seria um grande passo se os reprodutores de música e vídeo incorporassem um indicador de volume ou um limitador, já que acima de 80 decibéis o ouvido corre perigo. Além do trauma sonoro, os zumbidos também podem surgir por infecções graves, otosclerose, ou como efeito secundário de alguns remédios



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O que são prebióticos e probióticos


Conheça os benefícios dessa dupla no funcionamento saudável do organismo

Thaís Manarini, especial para o iG São Paulo

Além de matar a fome, alguns alimentos têm a capacidade de promover benefícios ao organismo e, por isso, são conhecidos como funcionais. Esse é o caso daqueles que são ricos em prebióticos e probióticos.

Estes dois componentes que ganharam fama por ajudar o intestino a trabalhar sem entraves, acabando, assim, com a incômoda prisão de ventre – segundo dados da Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO), cerca de 20% da população sofrem diariamente com esse problema.

Veja a seguir, o que são e como agem os prebióticos e probióticos, onde encontrá-los e como aproveitar a propriedades benéficas de cada um.

Probióticos

De acordo com Priscila Meirelles, nutricionista funcional de Pelotas (RS), os probióticos são produtos farmacêuticos ou alimentares (podem ser encontrados em iogurtes e leites fermentados) que contêm um ou mais micro-organismos vivos, como os lactobacilos e as bifidobactérias. Depois de consumidos, esses “bichinhos” se dirigem principalmente para o trato gastrointestinal e urogenital, estimulando o funcionamento saudável dessas áreas.

“O intestino é a principal porta de entrada de nutrientes no organismo. Mas, assim como os nutrientes são absorvidos pela parede intestinal, agentes maléficos também podem entrar por esta porta. A função dos probióticos é colonizar e proteger a parede intestinal, evitando, assim, que moléculas alergênicas e micro-organismos patogênicos façam mal à saúde”, declara a nutricionista.

“Acredita-se que a presença desse exército pode evitar a formação de células responsáveis pelo desenvolvimento do câncer de cólon, por exemplo.”

Ao se integrarem à flora do intestino, deixando-a equilibrada, Vladimir Schraibman, cirurgião gástrico de São Paulo (SP), conta ainda que os “micro-organismos do bem” auxiliam no trabalho de absorção dos nutrientes, tais como ferro, cálcio e vitaminas do complexo B, entre outros.

“Dessa forma, o valor nutritivo e terapêutico dos alimentos aumenta de forma significativa”.

Para se beneficiar dos efeitos dos probióticos, basta investir no consumo de produtos que contenham estes micro-organismos. Isso pode ser feito por meio de suplementos – com indicação de médico ou nutricionista – ou de alimentos que reúnem certa quantidade desses compostos, como iogurtes e leites fermentados.

“Os probióticos normalmente precisam ser mantidos sob refrigeração constante e têm pouco tempo de vida”, ressalta Schraibman.

É preciso lembrar ainda que o consumo de alimentos fontes de probióticos deve ser diário para garantir o aumento do batalhão de defesa. E tem mais: para fortalecer esses micro-organismos, tornando-os cada vez mais atuantes, é bom caprichar também na ingestão de algumas substâncias especiais, chamadas prebióticas.


Prebióticos

Segundo Mônica Dalmacio, mestre em nutrição pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF) e co-autora do livro Alimentos e sua ação terapêutica (Ed. Atheneu), os compostos prebióticos são fibras não-digeríveis que funcionam como alimento para as bactérias intestinais benéficas, isto é, os probióticos – daí a importância de apostar na dupla para reorganizar a flora intestinal.

Os representantes mais conhecidos desse grupo têm nomes complicados: frutooligosacarídeos (FOS) e inulina. Mas o que interessa mesmo é que eles podem ser facilmente encontrados. Os FOS, por exemplo, estão concentrados em alimentos de origem vegetal que podem ser comprados na feira ou no supermercado, como cebola, alho, tomate, banana, cevada, aveia, trigo, mel e cerveja. Já a inulina está presente principalmente na raiz da chicória, e também no alho, na cebola, no aspargo e na alcachofra.

“Além de ajudar no sistema imune, atuando com os probióticos, esses elementos auxiliam nas funções intestinais, evitando a constipação, e reduzem a absorção de gorduras e açúcares”, conta Mônica.

Pesquisas recentes mostram que a inulina tem a capacidade de aumentar a absorção de cálcio e de magnésio pelo organismo.

“O cálcio é importante na prevenção de doenças ósseas, como a osteoporose, e o magnésio atua diretamente na contração muscular”, comenta a nutricionista de Pelotas.

Para notar benefícios, os alimentos ricos em pré-bióticos devem ser consumidos diariamente. Mas é válido frisar que pessoas com problemas intestinais não podem cometer exageros!

De acordo com Ruth Clapauch, vice-presidente do departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), nesses casos o consumo de fibras pode resultar em diarreia ou flatulência. “A dica é acertar na dose”, diz. Outra recomendação é beber bastante água, já que o líquido ajuda na formação e eliminação do bolo fecal.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Manter-se ativo combate o ganho de peso na meia-idade


Estudo demonstra que fazer atividade física na juventude e praticá-la ao longo da vida pode impedir pneuzinhos na maturidade

The New York Times - IG

O importante é manter a prática de atividades físicas, mesmo que leves, ao longo de toda a vida

Novo estudo mostra que as pessoas que conseguem manter um estilo de vida saudável até a meia-idade ganham menos quilos e centímetros com o passar do tempo – e os benefícios disso podem ser ainda maiores no caso das mulheres.

O fato das pessoas consistentemente ativas ganharem menos peso ao longo da vida pode não causar nenhum espanto. Mas muito poucas evidências no campo das pesquisas sustentavam esta noção.

Grande parte dos estudos realizados sobre o peso e as atividades físicas aborda o exercício como uma forma de enxugar o excesso de peso e não como uma maneira de evitar o acúmulo de gordura localizada que costuma aparecer com a idade.

O novo estudo, publicado terça-feira (14) no Journal of the American Medical Association, sugere que tornar-se ativo na juventude e manter tal condição ao longo da vida pode realmente impedir o aparecimento dos pneuzinhos da meia-idade.

Pesquisadores acompanharam um grupo de aproximadamente 3600 jovens adultos americanos durante 20 anos. Foi constatado que os homens extremamente ativos naquele período ganharam, em média, cerca de três quilos a menos do que aqueles que se exercitavam consistentemente, mas em níveis mais baixos. Eles também ganharam cerca uma polegada a menos na cintura.

No caso das mulheres, as mais ativas ganharam 1,5 polegadas a menos na cintura e também 6,5 quilos a menos.

“O importante é manter a prática de atividades físicas”, disse Arlene L. Hankinson, pesquisadora chefe da Northwestern University, de Chicago.

“Não tem muito a ver com alcançar níveis incrivelmente altos de atividades. O importante é manter um padrão de atividades físicas diárias com o passar dos anos”, disse Hankinson.

A equipe avaliou exercícios físicos, afazeres domésticos e atividades no trabalho dos participantes do estudo através de um sistema que pontua intensidade e duração. O sistema engloba um total de “unidades de exercício” que refletem o nível geral de atividades de um indivíduo como baixo, moderado ou alto. Os pesquisadores puderam também calcular se os participantes tiveram um nível consistente de atividades (independentemente do tipo) com o passar dos anos.

30 minutos por dia

A recomendação geral de especialistas em saúde é uma prática de menos 30 minutos de exercícios de intensidade moderada – como uma caminhada leve – cinco dias por semana. Em termos de unidades de exercício, isto representaria um nível moderado de atividade. Mas, não ficou claro com o estudo se é suficiente evitar o ganho de peso excessivo ao longo dos anos.

O estudo atual incluiu 3554 homens e mulheres entre os 18 e os 30 anos de idade quando foi iniciado, em meados dos anos oitenta. Na fase inicial e periodicamente ao longo dos 20 anos seguintes, os participantes relataram seus níveis típicos de atividades físicas.

Um total de 46% dos homens e 42% das mulheres se manteve consistentemente ativo durante o período de estudo.

Os participantes que realizavam exercícios regularmente foram divididos em três grupos, de acordo com o nível de atividades praticadas: alto, moderado e baixo. Em geral, os homens e mulheres mais ativos – e que acabaram ganhando menos peso – exercitavam-se mais do que os 30 minutos diários recomendados.

Porém, a equipe de Hankinson também encontrou benefícios relacionados a níveis mais moderados de exercícios.

Foi constatado que os homens que se exercitavam consistentemente por 30 minutos, cinco dias por semana, ganharam cerca de dois quilos a menos que os participantes menos ativos. Mulheres com o mesmo nível de atividades ganharam cerca de cinco quilos a menos do que aquelas que se exercitaram menos.

“Trinta minutos ao dia, cinco dias da semana, é realmente uma excelente meta”, disse Hankinson.

Mais benefícios às mulheres

Para quem pensa que está ocupado demais para uma ida diária à academia, ela destacou que existem muitas maneiras de incorporar os exercícios ao dia-a-dia.

“O importante é encontrar uma atividade que você goste de fazer e consiga manter. Mas, é preciso também observar todas as escolhas que fazemos na vida. Você vai às compras á pé, troca as escadas pelo elevador, estaciona o carro mais longe para caminhar mais?”, ela questionou.

Segundo os pesquisadores, é interessante que as mulheres conseguiram aproveitar melhor os benefícios da prática regular de exercícios. “Este é o primeiro estudo a mostrar que a associação entre o peso e as atividades físicas é mais forte entre as mulheres”, disse Hankinson.

As razões não estão claras, e isso poderia simplesmente estar relacionado à forma como os dados foram coletados: Pode ser que os homens sejam mais propensos a superestimar seus níveis de atividades físicas, por exemplo.

Hankinson disse que pesquisas complementares devem analisar se homens e mulheres realmente têm diferentes benéficos em relação ao peso com atividades físicas realizadas em longo prazo.

Mas, mesmo que a prática de exercícios seja uma arma eficiente na luta contra a gordura localizada, é provável que as pessoas não devam esperar manter o físico dos 20 anos ao chegar aos 40.

Neste estudo, mesmo os homens e mulheres mais ativos tipicamente ganharam algum peso e centímetros com o passar do tempo. Os pesquisadores ressaltam que algum ganho de peso e medida na meia-idade é praticamente inevitável.
Controle da obesidade reduz câncer de mama em 28%

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgou pesquisa hoje sobre a estratégia mais eficaz para prevenir o câncer: alimentação, peso do corpo em acordo com o tamanho e prática regular de exercícios físicos. No caso do tumor líder em causa de morte das mulheres brasileiras, diz o Inca, é possível reduzir em 28% os casos de câncer de mama por meio de uma dieta equilibrada atrelada às atividades com o corpo, além de distância das taxas de obesidade. Os dados foram divulgados na data em que o mundo celebra o Dia Mundial do Câncer.

Fernanda Aranda, iG São Paulo


No caso do tumor líder em causa de morte das mulheres brasileiras, diz o Inca, é possível reduzir em 28% os casos de câncer de mama por meio de uma dieta equilibrada atrelada às atividades com o corpo, além de distância das taxas de obesidade. Os dados foram divulgados na data em que o mundo celebra o Dia Mundial do Câncer.

Já é sabido que 90% das causas de câncer de mama são ambientais. Apenas a minoria tem como influência mais marcante a genética, afirmou a mastologista Maira Callefi, presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).

A vice-presidente da América Latina da American Cancer Society (ACS), Alessandra Dursitine, ressalta que, mesmo quando o câncer de mama não é hereditário, nem sempre é possível prevenir todas as causas. É óbvio que o consumo de álcool e tabaco e a alimentação inadequada têm influência na disseminação de câncer de mama, afirma. Mas alguns fatores não são preveníveis, como é o caso da idade da primeira menstruação e da menopausa, dois fatos importantes para a presença do tumor, completa a especialista.

O câncer de mama, pelas estimativas do Inca, deve fazer 49 mil novas vítimas ao longo de 2010, sendo que 12 mil delas não vão sobreviver. A taxa de mortalidade, de 24,4%, é quase dez pontos porcentuais acima do que a registrada nos Estados Unidos da América, que é de 15%. O Ministério da Saúde, em levantamento recente, mostrou que o câncer de mama influencia até na mortalidade de mulheres jovens. É a quinta causa de mortalidade na faixa-etária entre 10 e 49 anos.

Gustavo Azenha, diretor brasileiro da American Cancer Society, lembra que além da prevenção é preciso o diagnóstico precoce. O câncer de mama é muito peculiar. É diferente do câncer de pulmão em que já se sabe a influência direta do cigarro. Se a pessoa não fuma, o risco de ter câncer no pulmão cai 90%. No câncer de mama, a equação não é tão simples, explica.

Influência geral

No caso dos tumores malignos pulmonares, afirma o estudo do Inca, os riscos de desenvolvimento são reduzidos em 36% com a adoção de hábitos alimentares saudáveis, peso adequado e prática de exercícios físicos. O trio, inclusive, tem impacto significativo na redução de 12 tipos de câncer, os mais presentes na população brasileira.

A combinação de alimentação saudável com atividade física é capaz de prevenir 63% dos casos de câncer de boca, faringe e laringe; 60% dos tumores de esôfago e 52% dos casos em que a doença atinge o endométrio. O controle da obesidade, problema endêmico de saúde no mundo todo, poderia evitar 19% dos casos totais de câncer.

O estudo faz parte das Políticas e Ações para a Prevenção do Câncer no Brasil, Alimentação, Nutrição e Atividade Física, lançado pelo Inca, em parceria com o Fundo Mundial de Pesquisa contra o Câncer.

Veja impacto da redução dos casos de câncer com alimentação, atividade física e gordura corporal adequada (valores porcentuais)

Boca, faringe e Laringe – 63%

Esôfago – 60%

Endométrio – 52%

Estômago – 41%

Colorretal – 37%

Pulmão – 36%

Pâncreas – 34%

Mama – 28%

Rim – 13%

Vesícula – 10%

Fígado – 6%

Total para todos os cânceres – 19%

Fonte: Inca