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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Câmara dos Deputados escarra na face dos brasileiros



Guilherme A. Dias


O que a Câmara dos Deputados fez ao absolver a deputada flagrada recebendo dinheiro, fruto de um esquema milionário de corrupção, é uma postura absurdamente desqualificada, mesquinha, vil, digna de uma instituição tomada, em parte, por bandidos.

Infelizmente, pode-se afirmar que essa decisão não é um caso isolado, pois sempre que há envolvimento de ignominiosos parlamentares em escândalos, em crimes, o posicionamento dos colegas, igualmente ignóbeis, não tem sido diferente. Com isso, institui-se e consolida-se a sacanagem, o descaso, o desrespeito com a sociedade e com a nação.

É óbvio que a sociedade não está isenta de culpa nessa tragédia, afinal foi por meio do voto popular que eles chegaram lá. Entretanto isso não lhes dá o direito de escarrar na face dessa gente, como também não afasta de quem os elegeu, ao se sentir indignado, o direito de retirá-los do posto que ocupam, da maneira que for possível.

Prudente é aguardar a resposta que a Justiça possa dar a esse fato. Entretanto, se nenhuma punição for imputada à deputada, não se pode descartar, para o bem da nação, a possibilidade de a presidente, num impulso de patriotismo radical, ainda que pesem as opiniões contrárias, determinar o fechamento do Congresso Nacional. Afinal, a ausência desse órgão, tomado pelo câncer da corrupção, será menos nociva aos interesses nacionais que o manter nas atuais circunstâncias.

Contudo, independentemente do que possa acontecer em Brasília, a sociedade brasileira, escarrada, enlameada, precisa acordar da sonolência que a impede de se indignar e, numa grande e coesa mobilização, marchar, “braços dados ou não”, para moralizar todo o sistema de gestão pública do Brasil. Isso é o que se espera da brava gente brasileira.

Agora, se nada acontecer, em vez de brava gente: gente covarde, omissa.