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sábado, 21 de abril de 2012

Para lembrar é preciso prestar atenção


Saiba por que é mais difícil lembrar coisas corriqueiras e veja dicas para melhorar a memória



Tatiana Tavares, especial para o iG São Paulo |


Foto: Getty Images Memória: é mais difícil lembrar
das informações às quais damos menos atenção



Imagine a cena: você sai da cozinha em direção ao quarto para buscar algo. Ao chegar, não lembra de jeito algum o que foi buscar lá. Volta para a cozinha e, ao chegar no cômodo, como num passe de mágica, lembra o que tinha ido fazer no quarto.

Se você já passou por isso, certamente também se perguntou por que esse tipo de lapso da memória ocorre e o que é possível fazer para que isso não volte a acontecer.

Saber que se trata de uma questão de prioridade do cérebro pode ajudar a lutar contra esses pequenos esquecimentos do dia a dia, dizem os especialistas.

Todas as informações que enviamos ao cérebro diariamente concorrem entre si. Recebem prioridade aquelas que tiveram um melhor tratamento, ou seja, aquelas às quais demos mais atenção.


Se executamos uma tarefa de forma automática, sem prestar atenção ao que estamos fazendo, a informação não terá prioridade na memória. Assim, provavelmente não será recordada. Por exemplo: é muito comum a localização do carro no estacionamento do shopping perder espaço no cérebro para a loja onde se quer ir ou para a lista de compras que é preciso seguir.

Segundo Arlindo D’Ávila, chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Mãe de Deus de Porto Alegre, prestar atenção ao que se faz possibilita a criação de associações que ajudam na memorização.

“A memória funciona por associação. Ela não está em um só lugar. Quando lembramos algo, comumente lembramos do cheiro disso e também temos uma lembrança visual”, explica o neurocirurgião.

“Para lembrar de algo é importante fazer uma associação imediata a outra coisa” reforça o médico.
Por isso, esquecer o telefone de alguém ou onde um objeto foi deixado pode ser apenas falta de atenção ou de associação.

D’Ávila alerta, no entanto, para o momento em que é preciso procurar ajuda especializada: quando se coloca em risco a própria segurança ou a segurança dos outros, é preciso ver se não há nada por trás do esquecimento. Ele cita como exemplo esquecer de forma corriqueira a chaleira no fogo.

“A área frontal do cérebro guarda o juízo crítico. Quando esquecemos com frequência informações que envolvam o juízo crítico, isso deve servir de alerta para procurar ajuda médica”, afirma ele.

O psicólogo Fernando Elias José, mestre em cognição humana pela PUCRS e especialista em terapia cognitivo comportamental, aponta os esquecimentos mais frequentes da rotina e ensina como lidar com eles:

Não consigo lembrar onde deixei as chaves de casa.
Motivo: esquecer onde deixou objetos que estão envolvidos na rotina diária pode ser sinal de estresse, má qualidade do sono ou falta de atenção.
O que fazer: procure deixar as chaves sempre no mesmo lugar. Pode ser em uma espera de chaves, na mesa mais próxima da porta ou na estante da sala. O importante é determinar esse lugar e mantê-lo como rotina.

Será que esqueci a chaleira no fogo?
Motivo: a sensação de esquecer algo importante ao sair de casa pode vir do hábito de executar diversas tarefas ao mesmo tempo e de forma muito rápida e contínua. Isso faz com que o cérebro não processe todas as informações.
O que fazer: faça uma coisa de cada vez, prestando atenção a cada uma delas individualmente.

Tenho dificuldade em lembrar minhas senhas.
Motivo: a quantidade de cuidados de segurança que precisamos ter pode dificultar a memorização de senhas, ainda mais quando temos combinações diferentes de números, letras e símbolos.
O que fazer: as senhas podem ser anotadas em algum lugar seguro – mas JAMAIS guardadas junto aos cartões de banco, por exemplo. O ideal é guardá-las como se fossem joias, em gavetas chaveadas.

Com frequência, vou a outro cômodo da minha casa e esqueço o que tinha ido fazer.
Motivo: nestes casos, a pessoa não desliga o pensamento da tarefa anterior. Se estava lendo um livro e pensa em buscar um lápis, vai até o outro cômodo pensando no livro e esquece o que havia ido fazer. Executa as tarefas com o piloto automático ligado.
O que fazer: pare tarefa anterior e pense por alguns segundos na próxima tarefa.

Volta e meia tento lembrar o título de um filme de que gostei, mas não consigo.
Motivo: quando um bom filme deixa na memória uma boa história e imagens incríveis, o título passa a ser um detalhe.
O que fazer: se esquece com frequência títulos de filmes e músicas de que gosta, o melhor a fazer é anotá-los.

Eu sei que conheço essa pessoa de algum lugar, mas não lembro o nome dela.
Motivo: com as redes sociais, estamos nos acostumando a conhecer muitas pessoas ao mesmo tempo e ter contato com elas de forma aleatória. Isso pode fazer com que seja mais difícil associar uma pessoa a um lugar ou a uma situação.
O que fazer: uma forma um tanto constrangedora de sair dessa saia justa é, simplesmente, perguntar o nome para a pessoa. Mas se isso passar a acontecer com alguma frequência o ideal é criar mecanismos de associação. Por exemplo, sempre que conhecer uma pessoa, tente já associá-la a alguma característica, situação ou lugar.

Tenho um compromisso hoje à tarde, mas não lembro a que horas.
Motivo: aqui, os estímulos e os compromissos diários em demasia são os vilões. Estamos fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, agendando muitos compromissos, e é natural que detalhes como horário e endereço sejam esquecidos.
O que fazer: use uma agenda. Nada mais efetivo do que ter um local em que todos os compromissos possam ser anotados e acessá-lo diariamente.

Sempre esqueço o aniversário do meu marido.
Motivo: quem esquece o aniversário de uma pessoa muito importante, como a mulher, o marido ou o filho, normalmente se apoia no fato de que alguém vá lembrá-lo.
O que fazer: como são pessoas muito próximas e estimadas, é preciso verificar se o estresse não está afetando a memória de forma importante. Tentar relaxar e memorizar essas datas pode ser uma dica. É preciso também verificar se não há nenhuma patologia envolvida em tais esquecimentos.

Costumo me esquecer de colocar o lanche do meu filho na mochila.
Motivo: são muitas tarefas que precisam ser executadas antes da criança ir para a escola, como checar se ela colocou o uniforme, se escovou os dentes e se está levando todo o material. Essa lista de tarefas pode fazer com que se esqueça de um item.

O que fazer: o ideal é montar um check-list com o que precisa estar em ordem nesta hora do dia. Assim, nem o lanche nem o caderno serão esquecidos.

Sempre que retiro um livro da biblioteca, acabo pagando multa por atraso pois esqueço de entregá-lo.
Motivo: normalmente, quando nos esquecemos de entregar um livro na biblioteca ou um DVD na locadora é porque o tiramos do nosso campo de visão.

O que fazer: um livro que precisa ser devolvido não pode ser guardado junto aos livros da casa. O ideal é deixá-lo sempre à vista ou entregá-lo assim que terminar o uso.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Regra das oito horas de sono pode ser mito

 

Padrão de sono segmentado em duas partes, que seria normal, foi sendo alterado por mudanças sócio-culturais


BBC |IG


Dados científicos e históricos sugerem que a recomendação de oito horas ininterruptas de sono por dia pode ser baseada em um mito.

Segundo especialistas, o processo biológico natural prevê um sono segmentado em duas partes, mas o padrão foi aos poucos sendo alterado por transformações sócio-culturais.

Foto: Getty ImagesAmpliar
Sono: segundo estudo, oito horas initerruptas de sono seria "mito"

No início da década de 90, o psiquiatra Thomas Wehr realizou uma experiência na qual um grupo de pessoas ficou em um ambiente escuro durante 14 horas por dia em um período de um mês.

Os voluntários precisaram de um tempo para regular o sono mas, na quarta semana, eles apresentaram um padrão de sono muito diferente: eles dormiam por quatro horas, acordavam durante uma ou duas horas e depois dormiam por mais quatro horas.


Além desta pesquisa, em 2001 o historiador Roger Ekirch, da Universidade Virginia Tech, publicou um estudo depois de 16 anos de pesquisa que revelou várias provas históricas de que o sono humano é dividido em dois períodos.

Quatro anos depois, Ekirch publicou o livro At Day's Close: Night in Times Past ("No Fim do Dia: A Noite no Passado", em tradução livre), que mostra mais de 500 referências a um padrão de sono segmentado, em diários, registros jurídicos, livros médicos e literatura, desde a Odisseia, de Homero, até um relato antropológico a respeito de tribos modernas da Nigéria.

Estas referências descrevem um primeiro período de sono que começava cerca de duas horas depois do anoitecer, seguido de um período em que a pessoa ficava acordada por uma ou duas horas e então um segundo período de sono.

"Não é apenas um número de referências, é a forma como é relatado, como se fosse de conhecimento de todos", disse Ekirch.

Atividade noturna

Na experiência de Wehr, durante o período de duas horas em que as pessoas ficavam acordadas, havia atividade. Estas pessoas se levantavam, iam ao banheiro ou fumavam e algumas até visitavam os vizinhos. A maioria das pessoas ficava na cama, lia, escrevia ou rezava.

Vários livros de orações do final do século 15 traziam preces especiais para as horas entre os períodos de sono. Estas horas nem sempre eram solitárias, as pessoas geralmente conversavam ou tinham relações sexuais.

Um manual médico da França do século 16 até aconselhava os casais que a melhor hora para conceber um filho não era no final de um longo dia de trabalho, mas "depois do primeiro sono".

Faça o teste e descubra: Qual o seu estilo de sono?

Ekirch descobriu em sua pesquisa que as referências ao primeiro e segundo sono começaram a desaparecer no final do século 17. Isto começou nas classes sociais superiores do norte da Europa e nos 200 anos seguintes se espalhou para o resto da sociedade ocidental. E, por volta da década de 20, a ideia do primeiro e segundo sono já tinha desaparecido.

O pesquisador atribui esta mudança à melhoria na iluminação pública, na iluminação doméstica e a um aumento do número de cafeterias, que, em alguns casos, ficam abertas a noite inteira. A noite se transformou em um período de atividade normal e o tempo de descanso diminuiu.

Noite, crime e luz

O historiador Craig Koslofsky, tem uma explicação para como a noite mudou, em seu liro Evening's Empire ("Império da Noite", em tradução livre).

"Antes do século 17, as associações feitas com a noite não eram boas", afirmou o historiador. Segundo Koslofsky, a noite era um período ocupado por criminosos, prostitutas e bêbados.

"Mesmo os ricos, que podiam pagar pela luz das velas, tinham coisas melhores nas quais gastar o dinheiro. Não havia prestígio ou valor social associados à noite."


Mas, tudo começou a mudar na época da Reforma e da Contra Reforma, no século 16, quando protestantes e católicos começaram a participar de cerimônias noturnas. Esta tendência se espalhou pela esfera social, mas apenas para aqueles que tinham dinheiro para pagar por velas.
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Mas, com o início da iluminação pública, as atividades noturnas começaram a se espalhar por todas as classes. Em 1667, Paris se transformou na primeira cidade do mundo a ter luzes nas ruas. Lille ganhou sua iluminação com velas no mesmo ano e Amsterdã, dois anos depois.

Londres ganhou suas luzes em 1684 e, no final daquele século, mais de 50 grandes cidades da Europa contavam com iluminação noturna. A noite virou moda e passar estas horas na cama era visto como perda de tempo. E, segundo o pesquisador Roger Ekirch, a Revolução Industrial intensificou ainda mais este processo.

Um livro médico de 1829 pede que os pais obriguem suas crianças a não seguirem o padrão do primeiro e segundo período de sono, por exemplo.


Preferência

Nos dias de hoje a maioria das pessoas parece ter se adaptado ao padrão de oito horas ininterruptas de sono, mas Erkich acredita que muitos problemas do sono podem ter suas raízes na preferência natural do corpo humano por um período de sono dividido em períodos. E também à popularização da iluminação artificial. Esta parece ser a raiz do problema que acomete muitas pessoas que acordam durante a noite e não conseguem voltar a dormir.

"Na maior parte da evolução nós dormimos de uma certa forma. Acordar durante a noite é parte da fisiologia normal humana", afirmou o psicólogo do sono Gregg Jacobs.

A ideia de que precisamos dormir em um único período pode ser prejudicial à saude, segundo Jacobs, caso as pessoas que acordem à noite fiquem ansiosas.

"Muitos acordam durante a noite e entram em pânico. Digo a essas pessoas que isto é apenas uma volta ao padrão de sono segmentado", disse o neurocientista especialista em relógio biológico da Universidade de Oxford Russell Foster.

Mas, a maioria dos médicos não reconhece que o sono ininterrupto de oito horas pode não ser natural. "Mais de 30% dos problemas de saúde relatados por médicos têm origem direta no sono. Mas o sono tem sido ignorado em treinamentos médicos e existem poucos centros para o estudo do sono", afirmou Foster.

Por Stephanie Hegarty

sábado, 25 de fevereiro de 2012

"Eu não gosto de pessoas"

 

Fobia social é um dos transtornos psicológicos mais comuns em todo o mundo e um dos menos reconhecidos e diagnosticados


Chris Bertelli, iG São Paulo |


Foto: Bia Alves / FotoarenaAmpliar
Clege Firmino: hoje, após diagnóstico e medicação, convivência
com outras pessoas melhorou

Clege Firmino nunca soube definir exatamente o que sentia. Para ela, se afastar das pessoas era um comportamento natural, repetido também em casa, pela mãe e pelos quatro irmãos.

“Nós não recebíamos primos, os parentes não visitavam a nossa casa”, relembra. Considerava-se apenas tímida e pouco sociável.

Em fase escolar, na hora do intervalo, preferia se trancar no banheiro a participar das brincadeiras infantis ou dividir o lanche e algum papo com os colegas. Ao ser impelida a responder alguma pergunta ela se sentia muito mal.

“Escrever na frente dos outros, então, era uma verdadeira tortura”, recorda.


Na adolescência, quase foi atropelada ao tentar atravessar a rua. “Tinha tanta vergonha, achava que as pessoas estavam me olhando. Então, não olhava para os lados. Ficava vermelha. Quase morri ao atravessar a rua sem checar se vinha algum carro”, conta.
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Nas tentativas – forçadas – de se aproximar de outras meninas, Clege ficava tão tensa que não conseguia sorrir.

“Eu fazia caretas, o sorriso não saia.”

O comportamento estranho a afastou ainda mais de outras pessoas e ela cresceu quase sem amigos e sem namorado.

“Com 21 anos decidi que ia beijar pela primeira vez. Fui a uma festa, tinha que ser ali. Sem coragem, bebi muito para poder conversar com um rapaz. Beijei, mas foi à base de muita cerveja”, lembra.
Festa de aniversário, Clege nunca teve. Ela conta que não gosta de comemorar e que fica nervosa até mesmo se outra pessoa está celebrando a data. Uma vez, ao descobrir que organizam uma festa surpresa para ela, simplesmente foi embora.

“Acho muito constrangedor e desconfortável. Eu não gosto de pessoas”, diz a funcionária pública carioca.

A solidão nunca a incomodou. Mas o suor excessivo, a taquicardia, a garganta dolorida, a boca seca e o ardor nos olhos e no rosto sim. Os sintomas, confundidos com condições como princípio de infarto ou estresse, a levaram a mais de dez médicos diferentes, sem nenhum resultado conclusivo.

Só depois dessa via-crúcis em diferentes especialidades é que foi encaminhada a um psicólogo. Clege descobriu então que todo o sofrimento não era fruto de uma simples característica pessoal, mas sim de uma doença, tratável e comum: a fobia social.

“Em geral, o paciente demora mais de 10 anos para ter um diagnóstico adequado. A procura por ajuda só acontece quando comorbidades como a depressão ou o abuso de álcool e de drogas aparecem”, relata José Alexandre Crippa, professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

"Alguns procuram se 'automedicar' por meio do álcool. Eu tentei. Mas, graças a Deus, não me tornei uma alcoólatra", revela Clege. Crippa confirma que a opção é realmente um recurso muito comum entre os pacientes.

O médico é autor do único estudo sobre a prevalência do transtorno de ansiedade social em universitários brasileiros – ele avaliou 2700 estudantes, de ambos os sexos e das mais diferentes graduações. A pesquisa demonstrou que 11% dos avaliados tinham o problema. Mas o mais agravante, segundo o pesquisador, foi notar que menos de 1% dos diagnosticados sabiam que tinham uma doença.

“Isso comprovou em números o quanto essa condição é subreconhecida. Por isso, também, as pessoas não buscam ajuda”, comentou.
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Embora pouco diagnosticada, a fobia social é uma das doenças psicológicas mais comuns: a prevalência na população mundial chega a 10%, enquanto os índices do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), por exemplo, chegam a 0,8%.

“A própria natureza dessa condição faz com que a procura por um médico seja pequena. Os fóbicos se sentem intimidados e não vão procurar um especialista“, pondera Crippa.

Outro fator crucial é enxergar a fobia realmente como uma doença e não somente como um traço de personalidade. “Dificilmente se sabe que isso é um problema. As pessoas acham que é fraqueza de caráter e vão se sentindo piores por isso”, relata o professor da USP.

A fobia social distingue-se da simples timidez muitas vezes de maneira tênue. “A pessoa desenvolve um medo que traz prejuízos para a vida. Ela tem perdas sociais importantes e chega a apresentar sintomas físicos”, alerta Rodrigo Grassi de Oliveira, coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trauma e Estresse da PUC do Rio Grande do Sul. Os mais comuns são: taquicardia, tremores, falta de ar, suor frio ou excessivo, sensação de desmaio, gagueira, rubor facial, dores de cabeça ou de estômago e boca seca.

Foto: Getty ImagesAmpliar
Clege foi atrás de sua felicidade e, com terapia e medicamentos, leva uma vida normal

“Os tímidos não têm prejuízo social. Já os fóbicos desenvolvem a ‘evitação’: eles evitam a qualquer custo entrar em contato com outras pessoas”, explica Crippa.

Clege sabe bem do que os médicos estão falando. Ao conversar com outra pessoa, sua tanto que precisa se enxugar com uma toalha. Já foi embora correndo de um encontro com uma colega, sem explicações, de tanta vergonha. Perdeu a amiga. Na primeira entrevista de emprego, não conseguiu se controlar.

“Tremia tanto que o consultor me deu um copo de café e tirou as coisas de cima da mesa para que eu não sujasse nada. Claro que não consegui o trabalho”, conta.

"Timidez é uma coisa, todos têm um pouco, mas fobia social é realmente incapacitante. E se a gente não procurar algum tipo de tratamento, passa uma vida inteira sem viver", conclui.

Consequências

Estudos já identificaram que portadores desse transtorno ganham menos do que seus pares em condições semelhantes de escolaridade e idade. A dificuldade em lidar com o outro aparece como um fator negativo determinante em um ambiente de trabalho.

A doença traz consequências sociais importantes, que vão além do ambiente corporativo. Quem tem a doença tem mais propensão ao suicídio e ao uso constante e abusivo de álcool e drogas.

A fobia social é mais comum em mulheres – na proporção de três para dois – e dá sinais significativos já no começo da infância. No entanto, fica mais evidente aos 20 ou 30 anos, quando muitos desenvolvem depressão.

“É o momento de maior exposição e a pessoa ainda está em processo de desenvolvimento. Por isso, não consegue controlar as respostas fisiológicas. É quando se depara com a doença”, aponta Grassi.
A fobia social não é hereditária, mas tem um componente genético importante, além, é claro, do padrão familiar.

“Toda criança nasce com a habilidade de se conectar com outras pessoas, só que isso precisa ser estimulado. Quando não há estímulo na família, ela pode se tornar inábil nessa área”, atesta o coordenador da PUC.

Melhorar é possível

O tratamento mais eficaz exige atenção multidisciplinar, aliando terapia cognitivo-comportamental (psicoterapia) ao uso de medicamentos (psiquiatria). De acordo com Crippa, o mais comum é o uso de antidepressivos – a médio e longo prazo – e a curto prazo remédios que possam atuar em alguma situação específica, no caso de uma exposição em público, por exemplo.

Para Clege, a medicação e a terapia trouxeram à tona o que há de melhor nela: a confiança e o respeito por si mesma.

“Acabou a tremedeira, posso comer junto com as pessoas, conversar ficou mais fácil. Sinto um alívio imenso. Quando você não se impõe, é desrespeitado. Estava paralisada e aos poucos tomo atitudes. Ainda não gosto de ir a festas, mas não perco a aula de dança de salão. Espero que as pessoas com quem convivi, que careceram do meu calor humano, entendam que minhas atitudes não foram por querer, foram realmente por incapacidade. Hoje aprendi a respeitar os meus limites e viver bem com eles”.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Aspirina pode inibir metástase, revela estudo

 


Descoberta pode levar à produção de remédios novos e mais eficazes para conter tumores como os de mama e próstata


AFP | IG


A aspirina e outros medicamentos de uso doméstico podem inibir a disseminação do câncer porque ajudam a interromper as vias químicas que alimentam os tumores, afirmaram cientistas australianos nesta terça-feira.

Cientistas do Centro de Câncer Peter MacCallum, de Melbourne, afirmaram ter feito uma descoberta biológica que ajuda a explicar como vasos linfáticos - a chave para que tumores se espalhem pelo corpo - respondem ao câncer.

"Nós demonstramos que moléculas como a da aspirina podem funcionar de forma eficaz na redução da dilatação destes grandes vasos e, assim, reduzir a capacidade dos tumores de se espalharem para lugares distantes", afirmou o pesquisador Steven Stacker.

Há muito os médicos suspeitavam que remédios anti-inflamatórios não esteroides, como a aspirina, poderiam ajudar a inibir a disseminação do câncer, mas eram incapazes de identificar exatamente como isto ocorria.

Leia: Aspirina diminui incidência de câncer colorretal em pessoas com risco genético

Ao estudar as células dos vasos linfáticos, os cientistas descobriram que um gene em particular mudava sua expressão em cânceres que se espalham, mas o mesmo não ocorria quando o câncer não se disseminava.

Os resultados publicados no periódico Cancer Cell revelam que o gene é um link entre o crescimento do tumor e a via celular que pode causar inflamação ou dilatação em vasos do corpo.

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Quando estes vasos linfáticos se alargam, a capacidade de agirem como "linhas de suprimento" para os tumores e se tornar condutos mais eficazes para o câncer se espalhar é aumentada. Mas a aspirina atua fechando a dilatação dos vasos.

"Portanto, parece que descobrimos uma interseção bioquímica entre todos estes diferentes contribuintes", disse Stacker.

A descoberta pode levar à produção de remédios novos e mais eficazes, que poderiam ajudar a conter muitos tumores sólidos, inclusive o de mama e o de próstata, bem como potencialmente fornecer um "sistema de alerta precoce" antes que o tumor comece a se espalhar.


No ano passado, um estudo publicado na revista médica The Lancet demonstrou que as taxas de câncer de cólon, próstata, pulmão, cérebro e garganta foram reduzidas com a ingestão diária de aspirina.

Muitos médicos recomendam o uso regular de aspirina para diminuir o risco de ataque cardíaco, derrames relacionados a coágulos e outros problemas circulatórios. Um efeito colateral do uso diário do medicamento é o risco de se desenvolver problemas estomacais.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

HPV está em 30% dos casos de câncer de pênis

 

Estudo brasileiro pioneiro no mundo comprova que vírus também causa tumores em homens


Fernanda Aranda, iG São Paulo                    

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Pesquisa mostra que HPV causa câncer de pênis

O mesmo tipo de vírus que pode evoluir para um câncer de colo de útero entre as mulheres também provoca tumores malignos no pênis, comprova uma pesquisa brasileira pioneira no mundo.
Três em cada dez homens que têm câncer peniano – que pode levar a amputação e morte em casos mais graves – estão contaminados pelo HPV, sendo que a transmissão mais comum dele é via sexo sem proteção.


O estudo, conduzido por profissionais do Hospital AC. Camargo – referência nacional no tratamento oncológico – mostrou que em 85% dos casos dos cânceres de pênis HPV positivos há presença do subtipo 16 do vírus (são cerca de 100 tipos existentes), justamente o mais recorrente nos casos femininos de câncer de colo de útero.

“Estamos diante de um problema grave. Se isso não for alertado e não desenvolvermos conscientização, teremos uma epidemia de cânceres ginecológicos, penianos e também na área da cabeça e do pescoço”, afirma a bióloga e geneticista Silvia Rogatto, uma das autoras do estudo.

Além do sexo com penetração, as relações sexuais orais desprotegidas já são apontadas como causa de câncer na boca, laringe e faringe, conforme mapearam pesquisas recentes que alertam sobre o assunto.


Segundo as projeções do Instituto Nacional do Câncer (Inca) são registrados em média 5 mil casos de câncer de pênis anualmente. Deste total, 1000 resultam em amputações totais ou parciais, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Já o câncer de colo de útero é o segundo mais incidente entre as mulheres, atrás apenas do de mama, o que reforça a necessidade de ações de prevenção entre os dois gêneros.


A mutilação peniana é decorrente do diagnóstico feito em estágios avançados da doença e, alerta o Ministério da Saúde, o público masculino tem mais resistência em visitar o médico e fazer exames preventivos – enquanto 16 mil consultas anuais são feitas em ginecologistas, apenas 2 mil homens visitam o urologista no ano.


Vacinas

A relação entre HPV, câncer peniano e câncer de cabeça e pescoço já tinha sido o argumento para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar, no ano passado, a vacinação contra o HPV para o público masculino. Até então, a imunização era restrita para mulheres.

Por ora, as doses preventivas só estão disponíveis em clínicas particulares brasileiras. Para chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS), declarou recentemente o ministro da saúde, Alexandre Padilha, seria necessário torná-la mais versátil. Leia o posicionamento do Ministro.

Tratamentos

A pesquisa do AC Camargo, além de encontrar associação do câncer de pênis com o HPV, detectou que mutações no DNA e nas células dos pacientes com a doença também influenciam na letalidade do tumor.

Para chegar aos resultados, foram avaliados 42 homens com o diagnóstico da doença e feito um mapeamento genético do câncer. “Essas alterações podem direcionar os médicos e a própria indústria a elaborar tratamentos mais certeiros e com menos efeitos colaterais”, diz Silvia Rogatto.

“Isso pode incentivar os homens na busca de tratamento, já que muitos ficam distantes por receio extremo das amputações”, completa.

É importante ressaltar que as mutilações não são regra universal, porém indicadas justamente quando há demora para o diagnóstico, o que reduz os índices de sucesso de tratamentos como quimioterapia e radioterapia.


Além do HPV, outros estudos epidemiológicos já mostram outras causas do câncer de pênis. Um deles, feito também pelo AC Carmargo, identificou que quase 15% dos doentes relataram fazer sexo com animais (zoofilia). A má higiene é outro caminho para a infecção.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Internação por câncer de mama em jovens cresce 10% no País

Aumento em dois anos foi puxado pelo Sudeste. Especialista diz que mundo pede “força-tarefa” para tratar tumor precoce


Fernanda Aranda, iG São Paulo                    

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Câncer de mama em jovens: doença cresceu na faixa-etária entre 24 e 34 anos


As estatísticas de câncer de mama em mulheres com menos de 35 anos estão em ascensão.

Levantamento feito pelo Delas no banco de dados do Ministério da Saúde mostra que, em dois anos, as internações por causa deste tipo de tumor maligno aumentaram 9,8% na faixa-etária entre 24 e 34 anos. Em 2008, foram 2.239 casos; em 2010 2.448 registros.


O balanço anual de 2011 ainda não está completo. Entre janeiro e a metade de novembro foram 2.186 notificações feitas por hospitais públicos e privados do Brasil, uma média de 6 casos por dia.

A região Sudeste foi responsável por puxar a alta nacional de câncer de mama em jovens, com aumento de 26,9% casos no período (924 para 1.173). Minas Gerais (280 casos), São Paulo (533), Rio de Janeiro (317) e Espírito Santo (43) acumulam 48% de todos os registros dos Estados.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) escolheu este sábado, 4 de fevereiro – Dia Mundial do Câncer - para fazer um “twittaço” de conscientizaçao sobre este grave problema de saúde. Durante todo o dia, a rede social Twitter vai receber informações sobre a segunda doença que mais mata no País, conforme estudo do IBGE.


Para as mulheres, os tumores na mama são os mais incidentes e alguns cuidados, se adotados desde cedo, podem prevenir a manifestação da doença.


Força-tarefa

Um dos maiores especialistas brasileiros em câncer de mama, o oncologista Antônio Buzaid, afirmou que nos congressos nacionais e internacionais – eles reúnem experts e pesquisadores da área – o aparecimento do câncer em idades as fases precoces (antes dos 50) é um dos principais temas em debate atualmente.
As histórias do câncer de mama

“Tanto, que está sendo solicitada uma força-tarefa para identificar quais fatores estão levando ao aumento da incidência tão cedo. Ainda não está muito claro o que estamos fazendo de errado”, afirma.
A doença sempre foi associada ao processo natural do envelhecimento – em parceria com os hábitos de vida – e o aumento em jovens alertou toda comunidade científica.

Apesar dos motivos ainda não estarem completamente claros sobre o aumento de casos em jovens do sexo feminino, o oncologista Buzaid – que atua nas redes públicas e particulares de saúde – consegue elencar a que acredita ser a principal razão por trás da guinada de câncer de mama em mulheres jovens.

“As pessoas hoje não descem do carro nem para comprar hambúrguer. Estão inseridas em ambientes de estresse, fumo, sedentarismo e obesidade. As porções nas lanchonetes, de forma desnecessária, são extremamente grandes”, pontua como causas Antônio Buzaid.

“Estes nossos hábitos estão criando um problema para o qual ainda não temos solução.”

Mamografia?

Um dos motivos de preocupação entre os especialistas é: enquanto as estatísticas detectam esta ampliação de casos de câncer de mama em jovens adultas, a medicina ainda não sabe ao certo como fazer a prevenção da doença nelas.

Isso porque, a mamografia, exame mais eficaz para identificar o tumor em uma fase precoce, quando as chances de cura são maiores, não parece ser a melhor opção para detectar a doença em mulheres jovens.

“As mulheres com menos de 50 anos têm as mamas muito densas, o que dificulta a precisão do exame”, explica o oncologista.

Guia de exames: o que é a mamografia?

“Por isso, embora haja tendência de aumento entre as mais novas, permanece a recomendação universal de fazer o exame anualmente apenas em quem já passou dos 50 de idade (caso não tenham antecedentes na família, já que nestes casos a média de idade cai para 45 anos)”.

O ultrassom mamário, diz o médico, desponta como provável alternativa para fazer o controle preventivo dos tumores nas mamas de mulheres jovens, mas ainda não há consenso e nem comprovação científica de que ele seja suficiente.


Outro problema é que quando acomete mulheres jovens, o tumor costuma ter um comportamento mais agressivo, com taxa de letalidade maior, o que exigira uma detecção ainda mais precoce.

Estratégias

Mesmo diante do aumento do câncer entre jovens, boas notícias surgem neste contexto: as farmacêuticas estão empenhadas em aumentar o arsenal de combate à doença e já oferecem tratamentos mais assertivos para as pacientes.

Nos últimos congressos, três novas drogas para o tratamento do câncer de mama foram eleitas como importantes avanços na terapêutica do câncer de mama. Uma delas, chamada TDM-1, droga aliada à quimioterapia, teve eficácia 41% maior, quando avaliada a sobrevida das mulheres já com metástase (estágio mais grave do câncer de mama).

A outra, chamada pertuzumabe, também teve resultados muito positivos com relação à redução da mortalidade das pacientes – redução de 38%. Outro foco das descobertas são as drogas mais inteligentes, que reduzem efeitos colaterais do tratamento, como queda de cabelo e enjôo.

Nenhum destes novos remédios está disponível no mercado brasileiro, mas a projeção é de que até o final do próximo ano os centros especializados já contem com elas.

Por ora, a recomendação médica mais segura e universal para tentar fugir da rota do câncer de mama é ficar distante do fumo, ter alimentação regrada e evitar inatividade física e bebidas alcoólicas em excesso, vilões já consolidados como gatilhos da maior parte dos tumores malignos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Suplementos alimentares podem provocar câncer

 

Estudo feito em Portugal alerta para o perigo do consumo de doses erradas de nutrientes



EFE | IG

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    Suplementos alimentares podem provocar câncerEstudo feito em Portugal alerta para o perigo do consumo de doses erradas de nutrientes
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    Foto: Getty Images Ampliar
    Suplementos vitamínicos: perigosos em doses excessivas


    Alguns suplementos alimentares com doses muito elevadas de compostos que ajudam a prevenir o câncer - como os antioxidantes e fitoquímicos - podem ter o efeito contrário e causar a doença, apontou uma pesquisa divulgada recentemente em Portugal.


    O estudo foi coordenado pela pesquisadora da Unidade de Química e Física Molecular da Universidade de Coimbra, Paula Marques, em colaboração com o laboratório britânico Rutherford Appleton e o Instituto Português de Oncologia.

    O trabalho analisou de forma individualizada o efeito dos compostos presentes em alimentos próprios da dieta mediterrânea na prevenção do câncer de pele e de mama. Antioxidantes e fitoquímicos como o ácido caféico e os flavonóides se revelaram úteis para prevenir o câncer de pele e de mama, apenas se consumidos nas doses adequadas. A partir de certo ponto, eles podem ser nocivos e provocar o surgimento da doença.

    "Em uma dieta normal nunca corremos risco, já que esses compostos não estão presentes nos alimentos em quantidades muito altas", explicou. Mas, de acordo com Paula, "o problema pode aparecer em suplementos e aditivos alimentares, onde a concentração dessas substâncias pode ser muito alta", indicou.

    A pesquisadora portuguesa informou que esses suplementos só devem ser tomados em momentos pontuais, "e não por períodos de tempo muito prolongados".
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    A descoberta fez Paula pedir às autoridades de saúde que obriguem as empresas a colocarem no rótulo desses aditivos os nomes dos compostos contidos e as quantidades, o que atualmente não é feito. "Existem suplementos que são vendidos em supermercados, como os de extrato de alho e gengibre, que podem apresentar concentrações muito altas desses antioxidantes", disse Paula.

    "Esses aditivos deveriam indicar claramente sua composição para que as pessoas e os médicos tivessem acesso a essa informação, assim como ocorre com os demais alimentos ou remédios", ressaltou.


    O seguinte passo dos autores desse estudo será começar o teste em animais para tentar "determinar quais são as doses mais corretas". No entanto, a pesquisadora alertou que, por enquanto, "não há financiamento" devido às dificuldades econômicas e os cortes aplicados às pesquisas.

    terça-feira, 20 de dezembro de 2011

    Reconheça os sinais da depressão


    Embora o período seja de alegria, algumas pessoas, expostas a fatores de risco, podem se sentir deprimidas

     

    The New York Times 
     
     
     
    Foto: Thinkstock/Getty Images Ampliar
    O período de festas pode não ser tão feliz para algumas pessoas


    A temporada de festas e férias costuma ser de alegria. Mas para muita gente o período pode levar à depressão.

    "A proximidade das festas de final de ano pode causar a chamada depressão sazonal. Muitas pessoas se entristecem com a lembrança de entes queridos que já se foram e outras se sentem frustradas por não terem realizado os sonhos planejados", diz o cardiologista Roque Savioli, supervisor da Divisão Clínica do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP.

    É natural que nessa época do ano, explica o especialista, os profissionais estejam no limite do estresse, sentindo-se mais cansados do que o normal.

    "Algumas pessoas conseguem superar as decepções e a tristeza, depositando no ano que se inicia novas esperanças. Mas existem aquelas que acabam adoecendo e entrando em depressão."

    A Clínica Cleveland, nos Estados Unidos, menciona alguns fatores de risco que podem levar algumas pessoas a sentirem-se deprimidas nos feriados. São eles:

    - Entrar em férias com problemas familiares para resolver ou lembranças dolorosas

    - Obrigar-se a se sentir feliz.

    - Lidar com a perda de um ente querido ou passar as férias longe de amigos e familiares.

    - Desenvolver expectativas irreais ou pensamentos negativos durante o ano que passou.

    - Lidar com mudanças na família, como divórcio ou morte.

    - Exagerar no álcool durante o período.

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    sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

    13 regras para visitar doentes no hospital

    Deixar flores do lado de fora do quarto, não sentar na cama e higienizar bem as mãos são algumas das recomendações

     
    Alessandra Oggioni, especial para o iG
    Foto: Getty Images Ampliar
    Flores: na visita ao doente hospitalizado elas devem ficar do lado de fora do quarto

    Visitar quem está hospitalizado requer sempre bom senso. Mas quanto tempo deve-se permanecer por lá? A que horas ir embora? Pode-se levar flores?

    Levar em conta questões de etiqueta é bastante importante para não incomodar o paciente com uma visita no momento errado – ele pode ter acabado de retornar de um exame delicado, por exemplo. Mas não é só isso. Antes de ir ao hospital, os visitantes devem observar a própria saúde e não descuidar das práticas de higiene pessoal, a fim de diminuir os riscos de infecção.


    “Se o paciente estiver imunodeprimido, com o organismo muito debilitado, o risco é maior. Por isso, se o visitante estiver gripado ou doente, é bom evitar a visita”, recomenda Priscila Fernanda da Silva, enfermeira do Controle de Infecção e Epidemiologia do Hospital do Coração (HCor). Antes de programar sua visita, confira algumas recomendações de especialistas.

    1. O primeiro passo antes de entrar no quarto do paciente é lavar muito bem as mãos. Retire todos os adornos, como anéis, aliança, relógio e pulseiras, antes de higienizá-las. Geralmente, os hospitais também contam com dispenser de álcool em gel para esterilizar as mãos depois de limpá-las

    2. Não toque nos equipamentos hospitalares, medicamentos e outros dispositivos usados pelos pacientes

    3. Não sente na cama do paciente, nem coloque bolsas e sacolas sobre o leito


    4. Não é recomendado que o visitante utilize o banheiro do quarto do paciente. Se precisar, use o sanitário próprio para os visitantes, localizado em geral nos corredores do hospital

    5. Crianças muito pequenas e idosos geralmente têm imunidade mais baixa. Portanto, a ida destes visitantes ao ambiente hospitalar só é recomendada se o paciente for alguém muito próximo, especialmente se o doente for oncológico ou tenha acabado de sair da UTI

    6. Respeite sempre o horário de visita. “A duração [do encontro] depende da intimidade com o paciente e do momento que ele está passando. Se não for tão íntimo da pessoa, faça uma visita mais rápida”, aconselha Nathália Lopes, coordenadora de hospitalidade do hospital Sírio-Libanês

    7. Antes da visita, é de bom tom avisar o acompanhante e checar com ele o horário mais conveniente. Lembre que o paciente pode ter acabado de sair de um exame exaustivo ou de um procedimento doloroso e pode estar precisando repousar

    8. Se for acompanhante do paciente, não se sinta acanhado em restringir o número de visitas, caso ele tenha acabado de sair da UTI ou esteja com a imunidade muito baixa. Diga delicadamente que agradece a atenção, mas, no momento, o paciente está com limitações para receber muitas pessoas no quarto

    9. Se a visita for motivada pela chegada de um bebê, o ideal é que apenas familiares e amigos mais próximos vão à maternidade até que ela complete o primeiro ciclo de vacinas. Se não for o caso, aguarde a mãe e o bebê chegarem em casa para conhecer o novo membro da família


    10. Jamais leve comida ao paciente, pois ele pode ter alguma restrição nutricional. “Além disso, como desconhecemos a origem do alimento, como foi armazenado, como foi preparado, é melhor evitar. Ele pode desencadear uma infecção gastrointestinal no paciente”, diz a enfermeira Priscila Fernanda da Silva, do HCor


    11. Evite usar perfumes durante a visita. Eles podem provocar alergias ou enjoo ao paciente

    12. Presentear o doente é um gesto delicado. Mas preste atenção ao que irá levar. Livros, DVDs de filmes e musicais, artigos religiosos e peças de artesanato podem ser boas opções

    13. Flores também podem ser levadas, mas desde que fiquem do lado de fora do quarto, para evitar risco de transmissão de doenças, principalmente a pacientes oncológicos e mais debilitados.

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