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sábado, 10 de março de 2012

Sem Abaporu, Tarsila do Amaral ganha megaexposição no Rio

 

Antonio Carlos Abdalla, curador da mostra, fala ao iG. Veja galeria de fotos da exposição em cartaz no CCBB


Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |



Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação
"São Paulo", 1924

“Tarsila do Amaral – Percurso Afetivo” traz ao Rio de Janeiro 85 obras, entre pinturas, desenhos, objetos e gravuras da pintora modernista que não recebia uma grande exposição na cidade há 43 anos. A ideia central para a mostra surgiu a partir da descoberta do “Diário de Viagens”, preciosidade em poder da família da artista. É documento de caráter íntimo, e possibilita essa intromissão nos aspectos mais particulares da vida de Tarsila do Amaral.

Foto: Paulo Jabur
Eliane Giardini e o curador Antonio Carlos Abdalla, na abertura da exposição

Ausência sentida, o quadro “Abaporu”, símbolo da antropofagia modernista, não está em exibição. Ele permanece no Malba (Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires). Antonio Carlos Abdalla, curador da mostra em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), conversou com a reportagem do iG. “Não era absolutamente inviável insistir na vinda do quadro. Porém, ele esteve recentemente por três vezes no Brasil e isso dificultaria um pouco as coisas”, conta Abdalla.


Filha de pianista e compositora, Tarsila teve uma infância na qual a música representou um elemento do seu cotidiano. Já adulta, foi amiga de Mário de Andrade, Villa-Lobos, Souza Lima, entre outros nomes do modernismo musical brasileiro. No dia 14 de março, às 18h30, o público poderá conhecer uma pouco mais dessa faceta da pintora, durante o concerto “Tarsila Musical”, que faz parte da programação da exposição “Tarsila do Amaral – Percurso Afetivo”, no Teatro II do CCBB Rio.

iG: Qual foi a maior dificuldade na realização da mostra?
ANTONIO ABDALLA:
Foi conciliar os interesses e disponibilidades de acervos museológicos e colecionadores particulares numa única data. Além, é claro, de organizar tudo em comum acordo com o CCBB carioca. Tarsila do Amaral é das artistas brasileiras mais requisitadas para exposições nacionais e internacionais. Daí talvez por que suas mostras individuais são tão esperadas.



iG: Consegue explicar por que Tarsila continua tão atual?
ANTONIO ABDALLA:
Bem, creio que principalmente a genialidade dos trabalhos, os fatores históricos e as contingências que giram em torno de sua vida. Tarsila é tão atual quanto qualquer outro grande artista que continua despertando ao longo de décadas, séculos um interesse renovado sobre sua obra. Todo grande artista não é atual, mas atemporal. Artistas datados se perdem na história.

Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação
"Paisagem com ponte", 1941


iG: Que papel de destaque ela tem na busca de uma identidade no modernismo brasileiro?
ANTONIO ABDALLA
: Certa feita li que o Brasil é tão único que é o único lugar do mundo com "certidão de nascimento para o Modernismo", com hora e lugar registrados (risos). Tarsila, apesar de não ter participado diretamente da histórica Semana de 1922, acabou se integrando de tal forma com os modernistas que virou um símbolo do movimento. Ela foi, além dos outros nomes que integraram o movimento, uma ponte cultural entre o que acontecia aqui e na Europa. Tinha circulação incrível para uma mulher de sua época.

Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação Ampliar
"Retrato de Oswald de Andrade", 1923


iG: O que permitiu isso?
ANTONIO ABDALLA
: O talento e, sem dúvida, a personalidade e cultura que Tarsila tinha. Dizendo claramente um clichê: ela estava na hora e no lugar certos.

iG: Houve alguma tentativa para se trazer o seu quadro mais famoso, Abaporu, à exposição?
ANTONIO ABDALLA
: Sim. Não era absolutamente inviável insistir na vinda do quadro. Porém, ele esteve recentemente por três vezes no Brasil e isso dificultaria um pouco as coisas. Conscientemente fiz a opção curatorial de dar ênfase a outras obras importantes de Tarsila. Afinal, ela é uma artista que tem uma Obra, com "O" maiúsculo.

iG: Sem o Abaporu, não fica faltando um traço importante do panorama de sua arte?
ANTONIO ABDALLA
: Fixar a importância de Tarsila no Abapuru apenas e como fixar a importância de Da Vinci na Gioconda... e aí seguem centenas de outros exemplos. Mas o Abapuru está na mostra! Lá, entrelaçado com A Negra, na obra Antropofagia, que, ousaria dizer, é obra de imensa envergadura. Símbolo maior do modernismo brasileiro e de tudo o que aquela revolução, talvez não tão pacífica, significou para todos.

iG: Por que se preferiu não separar a exposição por ordem cronológica?
ANTONIO ABDALLA
: Tudo começou com um mergulho na ideia da memória... O álbum é como uma coleção de fotografias, organizada emocionalmente pela memória. Com essa abertura para o aleatório, resolvi abdicar de fazer uma retrospectiva. Procurei dar um enfoque propositalmente afetivo e, assim, o visitante pode se encantar, ou não claro, com as obras livres de classificações fechadas. A exposição foi feita para emocionar.
Leia também:
iG: Como veio a ideia da parte musical, sobre musicas destinadas à pintora?
ANTONIO ABDALLA
: Tarsila tinha uma grande aproximação com a música. Em casa, sua mãe foi uma grande pianista e ela mesma pensou em determinado momento seguir carreira de pianista. Também tinha talento para isso, no ambiente cultural que frequentou, entre os intelectuais dos quais se aproximou, a música era parte importante. Ela acabou se tornando amiga de Souza Lima, Ernesto Nazareth, Donga, Villa-Lobos, Arthur Rubinstein, Eric satie, Milhaud... Enfim, de uma grande quantidade de compositores e intérpretes.

<span>"Antropofagia", 1929</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini</strong> <span>"Abaporu"</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação</strong> <strong>Publicidade</strong> <span>"A Negra", 1940</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação</strong> <span>"A Boneca", 1928</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação</strong> <span>"Procissão", 1941</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação</strong> <span>"Paisagem com dois porquinhos", 1929</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação</strong> <span>"O Touro", 1925</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação</strong> <span>"O Sono", 1928</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação</strong> <span>"O porto", 1953</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação</strong> <span>"O ovo ou urutu", 1928</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação</strong> <span>"O Mamoeiro", 1925</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulgação</strong> <span>Autorretrato, 1921</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulga¿o</strong> <span>"Batizado de Macunaíma"</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulga¿o</strong> <span>"Carnaval em Madureira", 1924</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulga¿o</strong> <span>"Cartão Postal", 1929</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulga¿o</strong> <span>"EFCB", 1924</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulga¿o</strong> <span>"Estratosfera", 1947</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulga¿o</strong> <span>"Estudo", 1923</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulga¿o</strong> <span>"Manacá", 1927</span> - <strong>Foto: Romulo Fialdini/ Divulga¿o</strong>
 
 
 
Serviço:

Exposição - Tarsila do Amaral - Percurso Afetivo
Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ)
Rua Primeiro de Março, 66. Centro. Rio de Janeiro
Tel: (21) 3808-2020
De 3ª a domingo, das 9h às 21h
Entrada franca

Concerto - Tarsila Musical
Teatro II: Quarta-feira, 14 de março, às 18h30
Entrada franca (é necessário retirar senha uma hora antes do início da programação)
Intérpretes: Adelia Issa, soprano; Anna Maria Kieffer, meio-soprano; Antonio Carlos Carrasqueira, flauta; Maria José Carrasqueira, piano; Quinteto Villa-Lobos e convidados.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

"O Grito", de Edvard Munch, será leiloado em Nova York em maio

Valor do clássico quadro pode chegar até R$ 137 milhões

 


EFE - IG                   

Foto: Reprodução
"O Grito", de Edvard Munch


"O Grito", de Edvard Munch, será leiloado em Nova York no próximo dia 2 de maio como parte de uma venda de arte impressionista e moderna na qual pode alcançar um preço de US$ 80 milhões (R$ 137 milhões), já que é a única versão desta obra-prima que ainda está nas mãos de um colecionador particular.

Simon Shaw, um porta-voz da Sothebys, casa responsável pelo leilão, informou que o quadro "define a modernidade e é instantaneamente reconhecível porque é uma das poucas imagens que transcendem a história da arte e que tem um alcance global".

Shaw acrescentou, em comunicado de imprensa, que este é um momento "particularmente propício" para que essa obra-prima pintada em 1895 saia ao mercado, já que em 2013 se completa o 150º aniversário do nascimento de seu autor.

O quadro, a única versão das quatro existentes que ainda pertence a um colecionador, está atualmente com Petter Olsen, cujo pai foi amigo, vizinho e empregador de Munch, e, nesse sentido, Shaw assinalou que se trata de "uma oportunidade sem precedentes para comprar uma obra de semelhante influência".

Por isso, e "pela pouca frequência com a qual verdadeiros ícones saem ao mercado", Shaw apontou que "é complicado antecipar o valor de "O Grito", embora o sucesso recente na venda de obras-primas sugere que o preço possa superar os US$ 80 milhões".

Esta obra fundamental do expressionismo será exposta ao público a partir do dia 13 de abril em Londres e, desde o dia 27 desse mesmo mês, poderá ser contemplada em Nova York.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Neil Young está com raiva do "som da música" atual

 

Cantor canadense reclama da qualidade das gravações e se diz irritado com o que ouve hoje em dia


iG São Paulo |
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Neil Young está com raiva do "som da música" atualCantor canadense reclama da qualidade das gravações e se diz irritado com o que ouve hoje em dia
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Neil Young está com raiva do "som da música" atualCantor canadense reclama da qualidade das gravações e se diz irritado com o que ouve hoje em dia
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Neil Young, que esteve no Brasil para palestrar sobre o meio ambiente durante a última edição do festival SWU, está descontente com a qualidade da produção musical de hoje em dia.

Durante sua passagem pelo Festival de Sundance para promover o documentário "Neil Young Journeys", de Jonathan Demme, o músico disse à MTV americana: "Eu tenho problemas com a qualidade do som da música de hoje. Eu não gosto. Só me deixa com raiva. Não a qualidade da música em si, mas nós estamos no século XXI e temos o pior som. Pior que o dos discos de 78 rotações. Onde estão nossos gênios? O que está acontecendo?".


Young declarou também acreditar que as pessoas mudaram seus hábitos na hora de ouvir música, o que piorou a qualidade das gravações. Para ele, um arquivo em formato MP3 tem apenas 5% das características dos originais, e este é o grande problema.

O canadense ressaltou que tenta passar essa mensagem a outros artistas para que se recupere o calor e a profundidade da música, perdidos entre botões e batidas automáticas. E fez questão de ressaltar que apesar do ódio pelas técnicas modernas de gravação, não odeia os músicos:

"My Morning Jacket e Mumford & Sons são grandes bandas, que eu amo e conheço bem. E me sinto bem ao dizer isso", disse Young, que lançou em 2010 o 33º álbum de sua carreira, chamado "Le Noise".

sábado, 9 de julho de 2011

O discurso do "Rei"

Desculpem. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja.
Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio.
Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos.
A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ...
e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo.
E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ...
os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade!
No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós!
Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade!
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

Discurso do filme de Charles Chaplin, O Grande Ditador. Mais atual, impossível!

Fonte: Café História