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sábado, 24 de março de 2012

EUA mudam diretrizes e aumentam periodicidade do Papanicolaou



De anual, teste para detecção de câncer de colo do útero passará a ser feito a cada três anos


The New York Times* - IG
Foto: Getty Images Ampliar
Consulta: orientação de espaçar mais as visitas ao médico está gerando polêmica nos EUA

Por quase três gerações, as mulheres foram ensinadas que testes de Papanicolaou, mamografias, e visitas anuais ao médico eram essenciais para a boa saúde.

Agora, tudo isso está mudando. As diretrizes nacionais dos EUA estão pedindo exames menos frequentes para detecção de câncer de mama e câncer cervical.

A diminuição no uso de hormônios da menopausa significa que as mulheres mais velhas não precisam mais consultar seus médicos para obter as novas prescrições anuais. As mulheres estão postergando a gravidez e alguns métodos contraceptivos são eficientes por até cinco anos, o que não as incentiva a agendar consultas regulares. Para muitas mulheres que realizaram visitas anuais ao ginecologista desde a adolescência, o conselho de que isso não é mais necessário é inquietante.

"Preocupa-me que essa possa ser a mensagem errada", afirmou Miriam Richards, enfermeira em Raleigh, Carolina do Norte, que foi tratada contra uma displasia pré-cancerosa, revelada durante um teste de Papanicolaou anual.

"Eu acredito que esse é um mau caminho a se trilhar, porque eu creio que as mulheres, em especial as meninas, devem ficar atentas."

Entretanto, os especialistas médicos continuam a pregar que, quando se trata de exames para detecção de câncer, mais não é necessariamente melhor. Por muitos anos, as mulheres foram aconselhadas a iniciar a mamografia aos 40 anos; então, em 2009, a força-tarefa de Serviços de Prevenção dos Estados Unidos elevou a idade recomendada para 50 anos – e especificou que o exame passasse a ser realizado a cada dois anos, em vez de anualmente.

Na semana passada, a força-tarefa e alguns grupos médicos, incluindo a Sociedade Oncológica Americana, recomendaram que o exame de Papanicolaou para detecção do câncer de colo de útero fosse feito a cada três anos, afirmando que as mulheres não devem começar a fazê-lo antes dos 21 anos. No passado, o exame era recomendado a cada um ou dois anos, poucos anos depois do início da vida sexual.

A preocupação é que exames mais frequentes para detecção do câncer, seja de mama ou de colo de útero, levem a um número maior de falsos positivos – e biópsias intrusivas e dolorosas que causam stress, desconforto e, no caso do exame para detecção do câncer de colo de útero, sangramentos e futuros riscos para as mulheres durante a gravidez.


A mudança de cenário dos exames para detecção do câncer certamente terá um efeito sobre os cuidados com a saúde feminina, mas ninguém sabe ao certo de que maneira.

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Há muito tempo, as mulheres têm sido as usuárias mais frequentes da assistência médica, em especial para cuidados pré-natais e visitas ao pediatra com seus filhos. Mas, mesmo quando a gravidez e os cuidados pediátricos são removidos da equação, as mulheres ainda têm uma chance 33% maior de visitar o médico, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

A taxa de consultas médicas para exames anuais e serviços de prevenção para mulheres é o dobro da masculina. E, o mais importante, os ginecologistas frequentemente utilizam a consulta anual para trazer à tona problemas que podem dificultar a reprodução: tabagismo, ganho de peso, pressão alta, depressão.

"Eu entendo os relacionamentos estreitos que se formam entre os médicos e as pacientes durante suas consultas anuais", afirmou Wanda Nicholson, membro da força-tarefa de um serviço de prevenção e professora associada da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.

"Mas nossas recomendações dizem respeito apenas aos exames para detecção do câncer de colo de útero. Não desejamos alterar ou mudar a possibilidade de as mulheres entrarem em contato com seus médicos para conversar sobre outras preocupações."


Susan Love afirma que, ainda que as consultas médicas anuais possam ser reconfortantes, não há qualquer evidência de que elas produzam melhores resultados em saúde.

"Não há dados que demonstrem que as visitas anuais tenham qualquer efeito", afirmou Love, pesquisadora do câncer de mama e uma importante defensora da saúde da mulher em Santa Monica, Califórnia.

"No atual sistema de saúde, você raramente tem o mesmo médico a vida toda. Portanto, as relações que você constrói em 15 minutos não valerão de nada quando você realmente ficar doente."


Algumas mulheres dizem que as novas diretrizes não irão dissuadi-las das consultas médicas regulares, e podem, na verdade, torná-las mais dispostas a agendar as consultas, sabendo que é menos provável que sejam submetidas a um exame pélvico e a um exame de Papanicolaou.

Uma mãe de dois filhos, de 32 anos de idade, natural de Atlanta, que pediu que seu nome não fosse revelado, contou que seu seguro paga apenas uma consulta de bem-estar por ano, e que ela gostaria de mudar seus cuidados para um clínico geral, ao invés de gastar todo o pagamento com uma visita ao ginecologista.

"Eu preciso falar mais sobre problemas reprodutivos com o meu médico", afirmou. "Eu não quero falar com meu ginecologista sobre a minha dor no pé, mas, no clínico geral, podemos falar sobre dores no pé e no joelho. Ele verificou manchas suspeitas em minha pele, fez exames de sangue e eu recebi uma vacina antitetânica. Nós falamos sobre o fato de meu pai ter removido pólipos pré-cancerosos do cólon. Você sente que pode falar sobre mais coisas com um clínico geral."


Richards, a enfermeira da Carolina do Norte, diz que não sabe como as mudanças afetarão o relacionamento das mulheres com seus médicos.

"Primeiro a questão da mamografia e agora a do Papanicolaou", comentou.

"Ou isso vai nos tornar mais determinadas a conseguir o que precisamos, ou nós vamos ter uma postura mais indiferente. É com as meninas que eu me preocupo."
* Por Tara Parker Pope

sábado, 28 de janeiro de 2012

Mulheres na menopausa estão mais vulneráveis ao HPV

Perfil hormonal, resistência à camisinha e vacinação restrita as deixam no alvo da contaminação


Fernanda Aranda, iG São Paulo
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Mulheres na menopausa estão mais vulneráveis ao HPVPerfil hormonal, resistência à camisinha e vacinação restrita as deixam no alvo da contaminação
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Mulheres na menopausa estão mais vulneráveis ao HPVPerfil hormonal, resistência à camisinha e vacinação restrita as deixam no alvo da contaminação
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Foto: Getty Images Ampliar
Sexo na terceira idade: negociação e uso da camisinha é mais difícil nessa etapa da vida

Três características da população feminina com mais de 45 anos fazem com que elas estejam mais vulneráveis às infecções pelo vírus HPV.


A primeira delas é fisiológica, inerente ao processo de envelhecimento da mulher, explica a ginecologista Rosa Maria Neme, diretora do Centro de Endometriose de São Paulo e doutora pela USP.

“Com o passar dos anos, a imunidade da mucosa vaginal diminui, influenciada pelo declínio dos hormônios e da lubrificação, típicos desta fase”, diz a especialista.


Este processo facilita o aparecimento de pequenas fissuras e machucados na área interna da genital, “o que serve de porta de entrada para a infecção viral do HPV”, completa a médica.

A principal via de contaminação do vírus é a relação sexual sem camisinha, sendo esta a segunda causa da maior vulnerabilidade delas na faixa-etária com mais de 40 anos.

Um inquérito feito pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde mostrou que, quanto mais velha a mulher, maior a resistência dela na hora de usar o preservativo.

Enquanto o índice de mulheres entre 15 e 24 anos que declararam usar camisinha em qualquer relação sexual foi de 34,8%, na população com mais de 50 anos a taxa registrada cai para 20,5%, 14,3 pontos porcentuais a menos. As razões por trás da resistência da mulher madura em fazer da camisinha uma constante não são poucas.


Uma delas é cultural, já que elas cresceram em épocas em que a aids, a doença sexualmente transmissível (DST) mais temida, ainda não colecionava tantas vítimas. Outra razão é a própria dificuldade do parceiro, em especial quando também tem mais de 50 anos, em manter a ereção na hora de colocar o preservativo, o que acaba influenciando no comportamento de risco de ambos.


Além da negligência com a proteção sexual, os especialistas elencam uma terceira razão para trazer para a época da menopausa um risco aumentado de infecção pelo HPV. Ao contrário das adolescentes e das jovens adultas, as mulheres na maturidade não podem ser vacinadas contra o vírus. A imunização existente, por ora só disponível em clínicas particulares brasileiras, contempla apenas a faixa etária menor do que 21 anos, deixando as mais velhas à margem deste efeito protetor.

Danos

As três condições que colocam a mulher após a menopausa no alvo do HPV trazem outros danos adicionais. Quando não tratada corretamente, a infecção pode evoluir para o câncer de colo de útero, o segundo mais letal da mulher brasileira (atrás apenas do câncer de mama) e que só em 2012 vai fazer 17.500 novas vítimas (de acordo com a projeção do Instituto Nacional do Câncer).


Levantamento feito pelo Delas no banco de dados do Ministério da Saúde mostrou que, só nos últimos 4 anos, 68 mil mulheres com mais de 40 anos foram hospitalizadas devido a este neoplasia maligna, uma média de 1.415 pacientes por mês.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Anorexia nervosa

 

IG
 
Conteúdo exclusivo para o iG no Brasil e usado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos

Definição



A anorexia nervosa é um distúrbio alimentar que envolve a incapacidade de ficar no peso corporal mínimo considerado saudável para a idade e altura da pessoa. Calcule seu IMC (índice de massa corporal) com a ferramenta do iG.

Pessoas com este distúrbio podem ter um medo intenso de ganhar peso, mesmo quando estão abaixo do peso normal. Elas podem usar dietas extremas, exercícios excessivos ou outros métodos para perder peso.

Consulte também:

Causas, incidência e fatores de risco



As causas exatas da anorexia nervosa são desconhecidas. Vários fatores provavelmente estão envolvidos. Genética e hormônios podem desempenhar um papel no seu desenvolvimento. Atitudes sociais que promovem de maneira irreal tipos de corpos magros também podem contribuir.


Cada vez mais, há evidências de que conflitos na família não contribuem para este ou outros distúrbios alimentares. A maioria das organizações de saúde mental deixou de apoiar essa teoria.


Os fatores de risco incluem:

  • Ser perfeccionista
  • Sentir aumento na preocupação ou atenção com o peso e a forma
  • Ter problemas alimentares e digestivos na primeira infância
  • Ter mãe ou pai com anorexia ou vícios
  • Ter pais que estejam preocupados com peso e perda de peso
  • Ter autoimagem negativa ou alto nível de sentimentos negativos em geral
  • Passar por uma alteração estressante na vida, como um novo emprego ou mudança, ou eventos como estupro ou abuso

A anorexia geralmente começa na adolescência ou na fase adulta jovem. É mais comum em mulheres, mas também pode ser vista em homens. O distúrbio é observado principalmente em mulheres brancas com escolaridade alta e que têm família ou personalidade focadas em objetivos.

Sintomas


Para ser diagnosticada com anorexia, uma pessoa deve:

  • Ter medo enorme de ganhar peso ou ficar gorda, mesmo quando estão abaixo do peso normal
  • Recusar-se a manter o peso no que é considerado normal ou aceitável para sua idade e altura (15% ou mais abaixo do peso esperado)
  • Ter uma imagem corporal muito distorcida, ser muito focada no peso ou na forma corporal, e recusar a admitir ou reconhecer a gravidade da perda de peso
  • Não ter tido períodos menstruais por três ou mais ciclos (em mulheres)

As pessoas com anorexia podem limitar gravemente a quantidade de comida que ingerem e depois provocar vômitos.


Outros comportamentos incluem:

  • Cortar a comida em pequenos pedaços ou movê-los no prato em vez de comê-los
  • Exercitar-se o tempo todo, mesmo quando o tempo está ruim, machucar-se ou manter-se ocupado todo o tempo
  • Ir ao banheiro imediatamente após as refeições
  • Recusar-se a comer perto de outras pessoas
  • Usar comprimidos para urinar (diuréticos), evacuar (enemas e laxantes) ou para reduzir o apetite (comprimidos dietéticos)

Outros sintomas de anorexia podem incluir:


  • Pele manchada ou amarelada, seca e coberta por pelos finos
  • Pensamento confuso ou lento, junto com memória ou julgamento deficientes
  • Depressão
  • Boca seca
  • Extrema sensibilidade ao frio (vestir várias camadas de roupas para ficar aquecido)
  • Perda de resistência dos ossos
  • Desgaste dos músculos e perda de gordura corporal

Exames e testes



Outras causas de perda de peso ou atrofia muscular devem ser descartadas com exames médicos. Conheça o Guia de Exames do iG.


Exemplos de outras condições que possam causar esses sintomas incluem:

  • Doença de Addison
  • Doença celíaca
  • Doença inflamatória intestinal

Os exames devem ser feitos para ajudar a determinar a causa da perda de peso ou qual dano a perda de peso causou. Vários desses testes serão repetidos ao longo do tempo para monitorar o paciente.


Esses exames podem incluir:


 

Tratamento


Foto: ADAM
Pirâmide de alimentos


O maior desafio no tratamento da anorexia nervosa é fazer a pessoa reconhecer que tem uma doença. A maioria das pessoas com anorexia nervosa nega que tem um distúrbio alimentar. Em geral, os indivíduos somente começam um tratamento quando a doença está bastante avançada.

Os objetivos do tratamento são, primeiro, recuperar o peso corporal e os hábitos alimentares normais. Um ganho de peso de 0,5 a 1,4 kg por semana é considerado um objetivo seguro.

Vários programas diferentes foram desenvolvidos para tratar da anorexia. Algumas vezes, o ganho de peso é alcançado usando-se programas para alimentação, atividade física menor e maior atividade social, para pacientes internados e externos. Vários pacientes começam com uma permanência curta no hospital para acompanhamento com um programa de tratamento diário.

Os médicos que geralmente estão envolvidos nesses programas incluem profissionais de enfermagem, médicos, um nutricionista e psicólogos.

O tratamento é normalmente muito desafiador e requer trabalho árduo pelos pacientes e suas famílias. É possível que várias terapias sejam tentadas até que o paciente tenha sucesso em superar este distúrbio.

Os pacientes podem desistir dos programas se tiverem expectativas não realistas de serem "curados" somente com a terapia.


Embora uma permanência curta no hospital seja um modo comum de iniciar o tratamento, uma permanência mais longa pode ser necessária se:
  • A pessoa tiver perdido muito peso, como estar abaixo de 70% do seu peso corporal ideal para sua idade e altura. A subnutrição for grave e colocar a vida em risco, podendo exigir alimentação através de veia ou tubo de alimentação no estômago
  • A perda de peso continuar apesar do tratamento
  • Surgirem complicações médicas, como problemas cardíacos, confusão ou desenvolvimento de níveis baixos de potássio
  • A pessoa tiver depressão grave ou pensar em cometer suicídio

Diferentes tipos de psicoterapias são usados para tratar de pessoas com anorexia:


  • Terapia comportamental cognitiva individual, terapia de grupo e terapia familiar são todas bem-sucedidas
  • O objetivo da terapia é mudar os pensamentos ou o comportamento de um paciente para encorajá-lo a comer de maneira mais saudável. Esse tipo de terapia é mais útil para tratamentos de pacientes mais jovens que não tiveram anorexia por muito tempo
  • Se o paciente for jovem, a terapia pode envolver toda a família. Abordagens mais novas veem a família como parte da solução, em vez da causa do distúrbio alimentar
  • Grupos de apoio também podem fazer parte do tratamento. Em grupos de apoio, pacientes e familiares se encontram e compartilham aquilo pelo que passam
Medicamentos, como antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor, podem ajudar alguns pacientes anoréxicos quando ministrados como parte de um programa de tratamento completo. Por exemplo: olanzapina, inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs) e antidepressivos. Esses medicamentos podem ajudar a tratar a depressão ou a ansiedade.





Embora essas drogas possam ajudar, nenhum medicamento foi comprovado para reduzir o desejo de perder peso.

Grupos de apoio


Consulte: Distúrbios alimentares – grupo de apoio

Evolução (prognóstico)


A anorexia nervosa é uma condição médica grave e potencialmente fatal. Em algumas estimativas, ela leva à morte em 10% dos casos. Programas de tratamento experimentados têm uma boa taxa de êxito na recuperação do peso normal, mas é comum a doença retornar.


Mulheres que desenvolvem este distúrbio alimentar em idade precoce têm melhor chance de recuperação completa. No entanto, a maioria das pessoas com anorexia continuará preferindo um peso corporal mais baixo e estará preocupada com alimentos e calorias de uma certa forma. O controle do peso pode ser difícil, e um tratamento prolongado pode ser necessário para ajudar a manutenção de um peso corporal saudável.

Complicações


As complicações podem ser graves. Uma permanência no hospital pode ser necessária.


As complicações podem incluir:

  • Inchaço
  • Enfraquecimento dos ossos
  • Desequilíbrio eletrolítico (como níveis baixos de potássio)
  • Arritmias cardíacas perigosas
  • Redução de glóbulos brancos que leva a maior risco de infecção
  • Desidratação grave
  • Má nutrição grave
  • Convulsões devido à perda de líquidos como resultado de diarreia ou vômitos excessivos
  • Problemas na glândula tireoide, que podem levar à intolerância ao frio e à constipação
  • Cáries dentárias e queda de dentes

Ligando para o médico


Converse com seu médico se uma pessoa próxima a você estiver:

  • Excessivamente preocupada com o peso
  • Exercitando-se em excesso
  • Restringindo a ingestão de alimento
  • Gravemente abaixo do peso ideal

Obter ajuda médica precoce pode reduzir a gravidade de um distúrbio alimentar.

 

Prevenção



Em alguns casos, a prevenção pode não ser possível. Encorajar atitudes saudáveis e realistas em relação ao peso e à dieta podem ajudar. Algumas vezes, a psicoterapia pode ajudar.

Referências


Attia E, Walsh BT. Beahvioral management for anorexia nervosa. N Engl J Med. 2009;360:500-506.
Gowers SG. Management of eating disorders in children and adolescents. Arch Dis Child. 2008;93:331-334.
American Psychiatric Association. Treatment of patients with eating disorders, third edition. American Psychiatric Association. Am J Psychiatry. 2006;163(7 Suppl):4-54.
Bulik CM, Berkman ND, Brownley KA, Sedway JA, Lohr KN. Anorexia nervosa treatment: a systematic review of randomized controlled trials. Int J Eat Disord. 2007;40(4):310-320.
le Grange D, Lock J, Loeb K, Nicholls D. Academy for eating disorders position paper: The role of the family in eating disorders. Int J Eat Disord. 2009;43:1-5.
Fisher Ca, Hetrick SE, Rushford N. Family therapy for anorexia nervosa. Cochrane Database Syst Rev. 2010 Apr 14; (4):CD004780.

Atualizado em 18/4/2011, por: Fred K. Berger, MD, Addiction and Forensic Psychiatrist, Scripps Memorial Hospital, La Jolla, California. Also reviewed by David Zieve, MD, MHA, Medical Director, A.D.A.M., Inc.


Todas as doenças

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Por que elas têm idades iguais e aparências tão diferentes?

Viral da web comparando a guru do bem-estar Gillian McKeith com a cozinheira Nigella Lawson esqueceu de falar do peso da genética

 
Lívia Machado, iG São Paulo

 
Foto: Reprodução Ampliar
Montagem permanece nos perfis de usuários do Facebook

Qual a receita de um bom viral? Junte fotos polêmicas, pessoas conhecidas, faça uma legenda tendenciosa e publique em uma rede social que fermente a história.

Na última semana, Gillian McKeith, nutricionista e apresentadora do programa americano “Você é o que você come”, que propõe mudanças radicais no comportamento alimentar das famílias participantes, e a cozinheira britânica Nigella Lawson, à frente de um programa de TV que ensina a fazer delícias gastronômicas e comer sem culpa, foram personagens involuntários de intensos debates virtuais.

Uma montagem comparando a pele e a aparência das duas – elas têm a mesma idade: 51 anos – foi publicada no Facebook e rendeu não apenas comentários, mas apologias ao consumo irrestrito de gorduras e ao sedentarismo.

Não é para menos. As fotos mostram Gillian, paladina da saúde e do bem-estar, com uma pele bastante deteriorada pelo sol, enrugada e flácida. Do outro lado, uma Nigella menos encanada com dietas e padrões alimentares corretos ostenta uma cútis perfeita, lisa e reluzente.
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Antes de se desanimar e ceder à tentação de comer sem moderação alguma é preciso entender o que existe por trás das imagens.

As duas mulheres, apesar de terem idades iguais, têm genéticas distintas e provavelmente mentiveram comportamentos diferentes ao longo de suas vidas.

Alimentação, uso de drogas, álcool, tabagismo e estresse representam um terço dos danos causados à pele. O comportamento de risco, embora prejudicial, não é determinante – representa módicos 30% dos danos sofridos, pontua Alexandre Filippo, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira e da Academia Americana de Dermatologistas.

“Genética desfavorável e excesso de exposição ao sol, principalmente até os 30 anos, são as principais causas de flacidez, rugas e do envelhecimento precoce”, endossa o especialista.

Segundo Filippo, a alimentação irregular é prejudicial ao equilíbrio do corpo, mas não influencia diretamente na saúde da pele. “É um fator secundário, que pouco compromete a pele de quem tem uma genética boa, como, provavelmente, é o caso da Nigella.”

Loteria?

Contra a genética, pouco se pode fazer. É loteria. Embora o fator sorte seja um dos mais relevantes na dermatologia, ele não garante uma pele viçosa e brilhante para sempre. Cuidados e tratamentos ajudam a potencializar o valor da herança familiar, endossam os médicos.

Hoje, inúmeros tratamentos podem reduzir os danos da pele combalida, alivia Silvia Nahas, dermatologista do Hospital Sirio Libanês. De acordo com a especialista, é possível reverter 50% dos problemas escancarados no rosto de Gillian, a nutricionista americana.
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“A sensação que a imagem passa é de que ela não cuidou da flacidez e da superfície da pele. O afinamento é nítido. Cremes, peeling e laser são bons tratamentos para estimular a produção de colágeno. Hidratam os vasos, fecham os poros e amenizam as manchas. Além disso, nessa idade, a menopausa é outro vilão, pois a pele perde o viço.”

Excessos de restrições alimentares e atividade física de impacto também são prejudiciais, aponta a médica.
 
“A mulher depois dos 50 anos não pode ficar sem comer proteína. A corrida, quando praticada intensamente, também envelhece bastante. O impacto provoca mais flacidez. Nessa idade o indicado é optar por exercícios como a musculação e o pilates.”

No caso da cozinheira Nigella, o sobrepeso também alivia as marcas do tempo. Silvia ressalta que embora a alimentação não seja um fator relevante no aspecto da pele, açúcares e gorduras, são, sim, nocivos, principalmente na meia-idade.

“O rosto mais rechonchudo mascara rugas e sinais da idade, mas o açúcar destrói as células da pele de uma forma mais intensa do que a gordura, não pode ser absolvido.”

A polêmica, na visão dos médicos, serve como alerta para a prevenção. Independente da veracidade das imagens, o que deve restar em mente é que quanto mais cedo a pele for tratada com cuidado e atenção, menores os impactos futuros.

Depois, segundo Silvia, basta tomar uma taça de vinho tinto por dia para combater radicais livres e manter-se longe (e protegido) do sol para que a o rosto tenha apenas sinais de uma vida bem vivida.

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domingo, 9 de outubro de 2011

Osteoporose deve ser prevenida cedo

 

Doença atinge um terço das brasileiras e pode levar a fraturas e até à morte. Veja como se proteger dela


Chris Bertelli, iG São Paulo
Foto: Getty Images Ampliar
Amamentação e exposição moderada ao sol são duas formas de prevenir a osteoposose desde cedo

A osteoporose, doença que atinge 20 milhões de mulheres no País, não é uma condição inerente à velhice e nem deve ser encarada como tal. A fragilidade extrema dos ossos pode ser evitada com atitudes simples que devem começar desde o início da vida, com a amamentação adequada.


“É essencial mostrar a importância de uma vida saudável desde a infância”, afirma Suely Roitman, presidente da Federação Nacional de Associações de Pacientes e de Combate à Osteoporose (Fenapco).

“Hoje recebemos ligações de mães desesperadas porque, ao levarem seus filhos ao dentista, o profissional alerta para a perda de massa óssea ainda na infância”, relata.

Nas mulheres, a menopausa é um grande marco quando se trata de osteoporose. As alterações hormonais inerentes a esse período levam a uma perda de 5% de massa óssea por ano. Um terço das mulheres acima dos 50 anos tem a doença, segundo o Estudo Brasileiro de Osteoporose (Brazos). Evitar esse quadro, no entanto, é possível.

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A Sociedade Brasileira de Densiometria Óssea lançou esta semana a campanha Seja Firme e Forte, a fim de alertar a população sobre os riscos da doença e esclarecer sobre as formas de prevenção. A ideia é incentivar mulheres jovens a adotar novos hábitos para impedir o desenvolvimento da osteoporose.
 
“Diagnóstico precoce e tratamento eficaz são fundamentais para evitar fraturas ocasionadas pela fragilidade dos ossos”, diz Sergio Ragi, ortopedista e pesquisador da Universidade federal do Espírito Santo (UFES). Atualmente, 75% dos diagnósticos são feitos apenas após a primeira queda.


 
Alimentação saudável, exercícios físicos e exposição moderara ao sol são as três principais armas contra a doença. “Parece ladainha de médico, mas os ossos são extremamente sensíveis a esses fatores”, reforça Camargos.

“A estratégia deve ser multifatorial, assim como é a doença”, completa Marcelo de Medeiros Pinheiro, reumatologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A dieta das brasileiras está longe de ser exemplar, quando o assunto é a ingestão adequada de cálcio. A cada 10 mulheres, nove não consomem a quantidade diária indicada para manter a saúde dos ossos. A média nacional é de 400mg de cálcio/dia, e a recomendação do Ministério da Saúde é de 1000mg.
 
 
Os alimentos lácteos como leite, queijos e iogurtes são hoje as melhores fontes desse mineral. Vegetais de cor verde escura – brócolis, espinafre e repolho, por exemplo – também são ricos nessa substância, assim como algumas frutas (laranja e o figo) e a soja. O consumo de sal em excesso, alimentos industrializados e cafeína prejudica a absorção desse nutriente no organismo e, portanto, é prejudicial.

A atividade física é outro fator essencial. O sedentarismo aumenta em 6% o risco de estar no grupo dos pacientes com osteoporose, alerta Ragi. Os exercícios mais indicados, aconselha Pinheiro, são os de impacto e de resistência como caminhada, musculação e dança. Eles auxiliam na absorção de vitamina D. Não são indicados exercícios dentro da água ou treinos extenuantes.

Qual a atividade física ideal para você? Faça o teste e descuba!

Mas para que alimentação e exercício possam ser eficientes, é preciso também garantir a exposição ao sol, sem protetor solar, por pelo menos 15 minutos ao dia, no período que vai até as 10h ou depois das 16h. Pelo menos 50% da população idosa é deficiente em vitamina D, alerta o ortopedista. “A medida que vamos envelhecendo, vai diminuindo a capacidade de produzirmos a vitamina D, por isso a suplementação é importante”, afirma Ragi.
 
Fatores de risco

Existem outros fatores de risco para o desenvolvimento da osteoporose que podem ser evitados. Entre os que podem ser modificados, estão o tabagismo e o consumo de álcool (além de três doses diárias) e o uso de corticoides.
 
Aspectos como fraturas prévias e histórico familiar também são de fundamental importância e devem ser informados ao médico. “A população continua sendo diagnosticada pelo ortopedista, depois da fratura. Queremos que o diagnóstico seja feito pelo ginecologista, que pode prevenir o aparecimento da doença”, afirma Bruno Muzzi, presidente da Sociedade Brasileira de Densitometria Óssea (SBDens).
 
No Brasil, são 2,4 milhões de fraturas decorrentes da osteoporose por ano. As mais perigosas e cujo índice de mortalidade é de 28% são as fraturas de quadril. Em todo o mundo são aproximadamente 1,6 milhões de fraturas de quadril acontecem por ano. Se o panorama não mudar, em 2050, esse número pode atingir 6,3 milhões, alerta a SBDens.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Novo estudo questiona efeitos da soja na menopausa

Mulheres que ingeriram 200mg de isoflavonas diariamente não tiveram benefício algum em relação àquelas que não tomaram o composto


The New York Times | IG


Foto: Getty Images Ampliar
Isoflavonas da soja: eficácia questionada contra os sintomas da menopausa

Temores sobre os riscos da terapia de substituição de estrogênio levaram muitas mulheres a recorrer a produtos de soja para tratar sintomas da menopausa.

Mas um experimento clínico publicado na última segunda-feira, na revista científica 'Archives of Internal Medicine’, apontou que esses produtos são tão eficientes quanto um placebo.


Pesquisadores da Universidade de Miami estudaram 248 mulheres entre 45 e 60 anos. Metade recebeu 200 miligramas de isoflavona de soja diariamente e o restante tomou um placebo.

Após dois anos, os cientistas realizaram testes em busca de alterações na densidade mineral dos ossos e em sintomas da menopausa. Até o final do estudo, nem os pesquisadores ou mulheres sabiam quem estava tomando qual pílula.

Testes de urina mostraram que as mulheres no grupo da soja haviam ingerido quase 20 vezes mais soja do que o grupo do placebo, mas os pesquisadores não encontraram diferenças significativas na densidade óssea.
Leia mais sobre a soja
Houve poucos efeitos sérios nos dois grupos, mas as mulheres tomando soja não mostraram melhora em relação a suores noturnos, insônia, perda de libido ou ressecamento vaginal em comparação com o grupo do placebo.
“As mulheres deveriam reconsiderar esses tipos de produtos durante a menopausa”, afirmou Silvina Levis, principal autora do estudo e professora de medicina na Universidade de Miami.

“Não observamos nenhum benefício clínico objetivo nos suplementos de isoflavona de soja. Na verdade, as mulheres tomando soja experimentaram uma piora na constipação (prisão de ventre), no inchaço e nas ondas de calor”.