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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Poucas mulheres conhecem o vaginismo
A disfunção impede a penetração e causa sofrimento, porém poucas buscam ajuda
Portal IG
Eu tive um relacionamento de 10 anos e, durante todo esse tempo, nunca consegui ter uma relação sexual completa, com penetração. Hoje estou separada e tenho medo de começar um novo relacionamento e o problema se repetir. O que devo fazer?
A dúvida da leitora reflete um problema que atinge aproximadamente 6% da população feminina: o vaginismo. Ao contrário do que muitos acreditam, essa disfunção sexual ainda é bem pouco conhecida da maioria, e talvez por isso as pessoas não busquem o tratamento adequado.
Algumas comunidades de apoio já se formaram em torno do drama feminino. Existem blogues, por exemplo, que alertam sobre o sintoma e oferecem ajuda a partir da troca de experiências.
Os primeiros sintomas do vaginismo geralmente aparecem no início da vida sexual, marcando assim a experiência do coito pelas dores devido a impossibilidade total ou parcial da penetração. Isso tudo porque os músculos que estão ao redor da entrada da vagina se contraem independente da vontade da mulher. Como consequência, sua trajetória com experiências dolorosas provoca comportamentos evitativos para novos encontros sexuais ou relacionamentos amorosos.
Na maior parte dos casos, a origem é de ordem psicológica: aspectos da feminilidade; culpas (principalmente de origem religiosa); medo da intimidade; dificuldade para receber carícias ou toques; traumas de infância; fantasias ou situações reais de abuso, violência física e/ou psíquica, entre outros.
O fato é que os relacionamentos ficam comprometidos e a mulher deixa de viver sua sexualidade de forma plena, além de experimentar sentimentos e fantasias vão além da sexualidade, como solidão, ansiedade, angústia, inadequação por não ser “normal”, fantasias de rejeição no meio social e familiar, falta de confiança em si e nos outros, baixa autoestima, autoimagem desvalorizada.
Outro problema enfrentado é o exame ginecológico de rotina em que se observam reações de “defesa” da paciente com a aproximação do médico, pela expectativa do toque, podendo provocar contrações até severas e prolongadas. Nestas tentativas frustradas do exame, não é difícil ouvir do médico a seguinte frase: “Isso não é nada, na próxima relação sexual é só relaxar que você consegue”. Como se ela já não tivesse tentado inúmeras vezes inclusive durante o exame – e sem sucesso.
Outras propostas de tratamento oferecidas por alguns profissionais são: a) o corte em cruz nos músculos do intróito vaginal com prescrição de coito diário; b) o método de alargamento em que o médico introduz o espéculo na vagina da paciente e deixa por alguns minutos. Ambos são dolorosos e ineficazes.
Em função de todo esse quadro indico a você e a todas as mulheres afetadas pelo vaginismo a procura de uma terapia sexual cuja proposta de tratamento oferece excelentes resultados. Sem o devido tratamento suas chances de viver o mesmo problema são enormes.
Para os que desejam saber mais a respeito indico meu livro:
"Vaginismo, Quem Cala Nem Sempre Consente...!!! Descubra-se e vença seus medos"
110 páginas; Editora Biblioteca 24x7
Autores: Fátima Protti e Oswaldo M. Rodrigues Jr.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Flávio Gikovate: “As mulheres são confusas a respeito do homem ideal”
Psiquiatra na novela e na vida real, ele fala ao iG sobre a escolha de parceiros e vida sexual
Júlia Reis, iG São Paulo |
Foto: Eduardo Knapp
Para Gikovate as pessoas evoluíram pouco no aspecto sentimental apesar da liberdade sexual

Flávio Gikovate é psiquiatra há mais de 40 anos. Acompanhou nesse período a consolidação do consumo das pílulas anticoncepcionais e os movimentos em torno da emancipação sexual. Mas não é um entusiasta. Para ele, o movimento de libertação não tornou as pessoas necessariamente mais felizes e competentes para amar: mulheres e homens ainda escolhem mal os parceiros e não separam bem o amor do sexo.

No papel do psicoterapeuta de Gerson Gouveia (Marcello Anthony) na novela Passione, trama veiculada no horário nobre pela Rede Globo, Gikovate trata de sexo analisando as fantasias sexuais do personagem e as marcas de um abuso sofrido na infância. Fora das telas, o psiquiatra lança seu trigésimo livro, “Sexo” (MG Editores), no qual reflete a respeito da sexualidade humana e a satisfação (ou não) nos relacionamentos amorosos.
Em entrevista exclusiva ao iG, Flávio Gikovate fala sobre a tendência que temos em escolher parceiros errados – com potencial erótico alto e afinidades emocionais mínimas –, e avisa: “Chega de namorar ou casar com inimigo!”
iG: No livro você fala sobre a inversão de valores na hora de procurar um parceiro. No caso das mulheres, a escolha é geralmente feita pelo aspecto erótico ou sentimental?
Flávio Gikovate: Temos evoluído pouco no aspecto sentimental. As pessoas continuam buscando parceiros com os quais não têm afinidades intelectuais, de caráter, projetos e estilo de vida. E escolher um parceiro tomando por base o encantamento erótico inicial é perigoso porque quase sempre o fascínio erótico te direciona para cafajestes.
As mulheres são confusas a respeito do homem ideal para elas. Até poucas décadas atrás, ele deveria ser o protetor e o provedor. Hoje deve ser companheiro, participar das atividades familiares, ser mais carinhoso e moralmente confiável.
iG: Você reforça a importância da escolha de parceiros por afinidade. Mas ao mesmo tempo pessoas são menos atraídas sexualmente por esse tipo de parceiro mais amigo. Isso leva a relacionamentos frustrados?
Flávio Gikovate: O erotismo costuma direcionar para a busca de parceiros mais egoístas, pouco confiáveis e difíceis de provocar envolvimentos de qualidade. Assim, a maioria dos casais ainda é formada por uma criatura mais generosa e outra mais egoísta. Isso resulta em uma relação incompleta que, com os anos, acaba levando à separação. Os casais se separam pela mesma razão que se casam: as diferenças de temperamento e de caráter. O que funciona bem é o encontro de criaturas afins.
iG: E o que faz uma união estável e feliz?
Flávio Gikovate: Defendo que a união tem de acontecer entre pessoas semelhantes, com os mesmos planos e projetos, e não entre opostos. É o que eu chamo de “+amor”. É uma relação mais parecida com a amizade, a aproximação de duas pessoas inteiras e não de duas metades. Para isso é preciso poder ficar bem sozinho e superar extremos de egoísmo e a generosidade. O relacionamento é baseado em respeito mútuo e confiança recíproca. Chega de namorar ou casar com inimigo!
iG: Talvez parte das insatisfações são por conta da idealização da vida sexual? Ficamos frustrados com a vida comum, sem desempenhos incríveis?
Flávio Gikovate: Homens e mulheres têm sido muito exigentes em todos os setores da vida e com o sexo não é diferente. O sexo se abastece mais facilmente do jogo de sedução e conquista, e acaba sendo mais difícil desejar alguém em quem confiamos e que é leal – mas não é impossível, contudo os casais que atestam isso são minoria.
É preciso entender que o sexo e o amor não fazem parte do mesmo instinto. O sexo compete com a ternura e tem que ser tratado como um instinto mais vulgar e grosseiro. Assim, na hora do sexo é importante abandonar o contexto mais sentimental e buscar outro clima, mais voltado para a baixaria.
iG: Amor é amor e sexo é sexo. Mas será que as mulheres já conseguem expor e assumir isso claramente nas suas relações?
Flávio Gikovate: As mulheres têm uma fisiologia sexual diferente da masculina. Após o orgasmo, a regra é que sobre uma excitação. Isso faz com que o sexo casual não pareça tão interessante para elas, assim como a masturbação. Aliás, cerca de 50% das mulheres não se interessam pela masturbação porque podem terminar a prática mais excitadas. Elas preferem o sexo com um parceiro fixo e conhecido, com quem possam negociar aquilo que mais gostam.
Foto: Divulgação Rede Globo
Na novela o psiquiatra atende o personagem Gerson, perturbado por suas fantasias sexuais

iG: E o que as mulheres mais gostam na cama?
Flávio Gikovate: Em geral, preferem a estimulação do clitóris com o objetivo orgástico. A penetração tem mais significado simbólico, relacionado com se sentir possuída.
Em síntese, a maior parte das mulheres aproveita plenamente o sexo quando conhece o próprio corpo e tem um parceiro estável, que não precisa ser objeto de grande envolvimento emocional, mas alguém conhecido e com quem ela goste de estar também fora da situação erótica. Procuram um homem que saiba como agradá-la, e que seja uma pessoa que não use o sexo apenas como instrumento de sedução e poder, mas também como fonte de curtição e prazer.

iG: O seu papel de psiquiatra na televisão faz algumas discussões ganharem notoriedade. A exemplo da abordagem do “problema” do Gerson na novela, como essa sessão "pública" de terapia pode deixar as pessoas mais seguras ou à vontade com sua sexualidade e fantasias?
Flávio Gikovate: É um dever compartilhar o conhecimento, sempre me insurgi contra qualquer modelo de elitismo intelectual. Tudo o que faço no rádio, em livros e na TV pode ajudar as pessoas a pensar um pouco mais nelas mesmas e fazerem uma autocrítica, que pode ser criativa e útil.
Não é obrigatório que se pense em termos de doença e de cura. O mais importante é poder ajudar a pessoa a avançar emocionalmente e, se possível, superar suas dificuldades.  
iG: Como o sexo pelo computador afeta as relações entre pessoas e o comportamento sexual delas?
Flávio Gikovate: Cresce o número de pessoas enjoadas com o sexo casual e ao mesmo tempo é grande o número de pessoas que não estão vivenciando relacionamentos afetivos interessantes. E o sexo virtual é uma atividade em expansão e que apresenta vantagens: não se dá entre pessoas que beberam demais, no fim das madrugadas, depois de gastos significativos e com risco de doenças ou gestações.
Ou seja, o sexo virtual é um intermediário entre a masturbação e o sexo casual, que ocupará o espaço do sexo como fenômeno essencialmente pessoal, individual.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Os riscos genéticos do casamento entre primos
Novela debate a polêmica, mas retrata assunto de forma incorreta, afirmam especialistas
Lívia Machado, iG São Paulo |
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Foto: Rede Globo/Divulgação
Sinval e Fátima, personagens da novela Passione, descobrem que são primos-irmãos e buscam o aconselhamento genético

Nas novelas, temas polêmicos ou pouco debatidos na sociedade são, por vezes, mais fundamentais e atraentes do que um belo casal de protagonistas famosos.
Em Passione, da Rede Globo, o pedido de casamento entre dois primos-irmãos arrebatou a audiência e a apresentou aos espectadores uma especialidade da medicina pouco conhecida e de difícil acesso para a maioria da população brasileira: a genética.
Após a descoberta de uma relação de parentesco, a possibilidade de gerar filhos com alguma doença genética fez com que Sinval (Kayky Britto) e Fátima (Bianca Bin) procurassem um médico geneticista para saber que rumo dar ao relacionamento.
É fato que o conto global pouco reflete o mundo real. Os especialistas da área, embora agradeçam a chance de popularizar o assunto, criticam a forma como o autor abordou os riscos de uma união entre primos e o aconselhamento genético do casal em rede nacional.
Na cena, que foi ao ar esta semana, o médico revela aos personagens que os riscos são altíssimos, e sugere que optem pela adoção quando decidirem ter filhos. Salmo Raskin, diretor da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), explica que os riscos são, na verdade, relativamente baixos.
“Foi interessante quebrar o tabu sobre o tema em uma novela. Nos consultórios, a falta de informação é comprovada diariamente. A maioria das pessoas entra na consulta temerosa, baseada nos altos riscos divulgados pelo senso comum. Após o aconselhamento, ficam aliviados.”
Casais sem relação de parentesco têm 3% de chance de ter filhos com alguma anomalia genética. Para os consangüíneos, ou seja, pessoas que são parentes pelo sangue, o risco dobra, e passa a ser de 6%. “É errado dizer que o risco é alto. Pelo contrário. A maioria dos casais tem 94% de chances de não ter filhos com nenhuma doença genética.”
Entretanto, essa matemática só traduz a realidade de um casal que não apresente histórico de doenças genéticas na família. Cabe ao médico investigar as três últimas gerações e avaliar a possibilidade de combinações negativas.
A SBGM critica a falta de critérios para sustentar a tese de que Fátima e Sinval terão filhos com alguma doença genética. Além disso, defende Raskin, nenhum geneticista orienta seus pacientes sobre qual atitude tomar. “Optar pela adoção é uma decisão pessoal. Não cabe ao especialista sugerir absolutamente nada, apenas apresentar os riscos.“
Mayana Zatz, professora titular e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células Tronco da Universidade de São Paulo (USP), também condena a postura apresentada na novela. A médica defende que o papel do geneticista é explicar os riscos em uma linguagem clara, objetiva, apenas. "Não aconselhamos ter ou não filhos. Apontamos o coeficiente de risco, é errado indicar uma postura.”
Para facilitar o entendimento, a médica revela que costuma usar a metáfora das maçãs. A proposta é apresentar os riscos de uma forma mais palatável, em uma situação imaginária que ajude os casais a analisar com cautela. “Imagine que você tem um risco de no máximo 10% de gerar filhos com alguma doença genética. Pense em uma mesa com 100 maçãs. Apenas 10 delas contêm um veneno mortal. Você correria o risco de escolher aleatoriamente e comer uma das frutas?” demonstra a médica.
A especialista comenta que os homens tendem a avaliar as possibilidades como menos temor. As mulheres, como carregarão as crianças por nove meses, depois do valor apresentado, julgam os riscos altos e preferem não arriscar.
Possibilidades
Do que a medicina conhece e descreve, hoje, existem mais de 10 mil doenças genéticas. Calcular as chances em casos de parentesco, por ora, no Brasil, é uma matemática cara e pouco acessível.
Clínicas de aconselhamento genético pipocam pelo País e podem cobrar de mil a 10 mil reais por exames, dependendo da doença e complexidade do gene a ser estudado. Do lado público, alguns hospitais, ligados a universidades, realizam tal serviço.
Para o diretor da SBGM, o controle e mapeamento das doenças genéticas no Brasil só poderão ser feitos quanto esse tipo de atendimento estiver presente na rede pública de saúde. O especialista defende que não é preciso desonerar os cofres das secretarias ou do Ministério para ampliar o acesso. Segundo ele, bastaria oferecer o atendimento médico.
“O geneticista pode estudar a história genética do casal e, com um cálculo no papel, sem grandes tecnologias, apresentar um coeficiente aproximado de risco.”
Nordeste
Dados apresentados no último congresso de Medicina Genética, em Salvador, mostram que o Brasil tem uma incidência altíssima em algumas regiões do nordeste para um tipo de anomalia genética conhecida como mucopolissacaridose ou MPS – ela compromete o Sistema Nervoso Central e diversas outras partes do corpo.
No sertão da Bahia, um trabalho pontual de mapeamento e atendimento dessas populações, revelou índices de MPS alarmantes nessa região. A média mundial é de um habitante para cada 200 mil. No local, porém, há uma pessoa diagnosticada com a doença para cada cinco mil habitantes.
O motivo é simples: o índice de casamentos consanguíneos é elevado nessas populações, o que aumenta a chance de doenças genéticas na família. Tal dado, na visão dos geneticistas, serve de alerta: se existisse acompanhamento genético nessas populações, os índices poderiam ser controlados.
“Esse exemplo não indica que os riscos são altíssimos em função dos casamentos entre parentes. Há muitos anos atrás, alguém que era portador do gene dessa doença se instalou na região. Com os casamentos consanguíneos, e sem mapeamento genético, a população afetada pela doença cresceu com o passar do tempo", defende Raskin.
A especialista da USP, porém, prega cautela no discurso. “Não podemos minimizar o problema. Em algumas populações do nordeste, o índice de doenças que provocam deficiências mentais ou físicas não é baixo. É uma questão de saúde pública, que precisa ser analisada com critérios pelas famílias.”

sábado, 20 de novembro de 2010

Somos tão felizes no sexo quanto dizemos que somos?
Pesquisa da Harvard diz que o sexo é o momento em que as pessoas estão mais felizes. Mas quanto disso é verdade?
Carina Martins, iG São Paulo |
Felizes mesmo as pessoas ficam quando estão fazendo sexo. O resto do tempo, ou 46,9% dele, preferem nem pensar na atividade que estão executando. Deixam a mente divagar enquanto trabalham, dirigem ou se arrumam, esquecendo o que estão fazendo para pensar em outra coisa (talvez em sexo?). O resultado, indica uma pesquisa feita pela Harvard e divulgada este mês na revista Science, é que o desligamento entre o que pensamos e o que fazemos promove índices altos de infelicidade. Concentrados no que estão fazendo, e felizes, os entrevistados disseram estar enquanto faziam sexo, bem mais do que qualquer outra atividade.
Foto: Getty Images
Em uma sociedade de consumo, uma vida sexual plena torna-se um objeto de desejo em si

Os pesquisadores de Harvard sabem muito mais do que nós sabemos, mas algumas coisas são do repertório de todos. Como, por exemplo, o fato de que nem sempre o que as pessoas dizem é necessariamente o que elas pensam, fazem ou sentem. O estudo aponta que, quando consultados via celular, os entrevistados diziam que não há felicidade como a proporcionada pelo sexo. Mas será que é realmente isso que vivem? "Orgasmo é o fenômeno que proporciona extremo prazer ao ser humano. Ele foi selecionado filogeneticamente como uma atividade que proporciona prazer justamente para garantir a reprodução das espécies", diz o psicólogo e terapeuta sexual João Batista Pedrosa.
A concentração nesta atividade específica, para ele, também teria respaldo orgânico. "Na hora do sexo, as pessoas ficam concentradas e, na obtenção do orgasmo, entram num estado único de desligamento da realidade por segundos. É tanto que os franceses chamam o orgasmo de ‘le petit mort’, ou seja, a pequena morte. O orgasmo está associado à diminuição do fluxo sanguíneo no córtex órbito-frontal, uma parte do cérebro que é fundamental para o controle do comportamento", diz."Acho que a grande maioria das respostas não estão ligadas a uma idealização do sexo, mas que elas realmente sentem isso, ou seja, gostam do sexo".
 
Gostar de sexo é uma coisa. Aproveitar a sexualidade de maneira saudável a ponto de ela ser a principal fonte de satisfação da vida cotidiana é outra. E é aí que pode haver uma diferença: o que os entrevistados contam sobre suas vidas pode ser o que vivem, mas pode ser o que acham que deveriam viver. Com base em sua experiência profissional, o especialista em sexualidade Paulo Tessarioli afirma que o sexo costuma ser mais fonte de angústia do que plenitude. "Não tenho nenhuma dúvida disso, é um fato. O sexo hoje está muito mais voltado a ser um complicador do que um facilitador na vida das pessoas", diz. A explicação para o resultado da pesquisa, ele acredita, estaria na importância do discurso. "Numa sociedade consumista, o sexo não fica de fora. Vira um objeto que eu tenho que desejar e ter. Esse sexo que está no nível do discurso é inatingível, completamente construído e idealizado".
 
Para Tessarioli, não é que a prática não seja importante, mas o discurso acaba sendo mais. "As pessoas falam demais, e isso vem ao encontro de uma tentativa de mostrar a si mesmo e ao mundo que 'eu estou bem'. Mas nem sempre isso se sustenta na realidade. E no discurso eu posso sustentar tudo", afirma. Fora do discurso, ele vê um mundo em que as pessoas têm "muitas dúvidas, muitas incertezas, muita insatisfação e pouco desejo". A combinação entre a cobrança de uma vida sexual perfeita e a realidade de dúvidas e falta desejo é fonte de sofrimento para muita gente. "Para quem está consciente disso, realmente é de uma angústia ímpar".
 
Os pesquisadores de Harvard acreditam que, para ser feliz, ajuda muito evitar as distrações que levam a mente para longe de nós mesmos. O conselho de Tessarioli para ter uma vida sexual tão satisfatória quanto a dos entrevistados da pesquisa parece ser é o mesmo. "As pessoas precisam perceber o que realmente querem. Parece grandioso, mas é tão simples", diz. Eleger momentos de reflexão pode ajudar - como caminhar sem levar o celular ou usar fones de ouvido, por exemplo. "Momentos de reflexão são bons para que a pessoa consiga de alguma forma se conectar com isso e não ficar no meio da massa".

sábado, 16 de outubro de 2010

Sexo: o conceito de normalidade muda de acordo com a época


História da sexualidade, de Peter Stearns, propõe reflexão sobre os costumes sexuais e revela curiosidades comportamentais

Alexandre Adoni, especial para o iG São Paulo




Vamos falar de sexo: o que é “normal” para você? O recém-lançado “História da Sexualidade” (Editora Contexto), livro assinado por Peter Stearns, traça uma linha do tempo sobre os costumes e propõe uma reflexão a respeito do comportamento sexual socialmente aceitável. A obra mostra que práticas sexuais podem ser condenáveis ou comemoráveis, e isso só depende da época. Na moralíssima época Vitoriana, por exemplo, a fruta do pecado não era a maçã, mas a laranja. Tanto que foi proibido chupá-la em público. “De modo a evitar que as mulheres se deixassem levar por conotações sexuais”, explica o autor.



Na primeira parte do livro, que trata da sexualidade antes da época moderna, Stearns fala sobre a circuncisão feminina, que consiste na remoção do clitóris. O costume foi instaurado no período das sociedades agrícolas como forma de “controlar” a sexualidade das mulheres, e ainda perdura em algumas regiões da África.



De acordo com a psicanalista Regina Navarro Lins, especialista em sexualidade e colunista do Delas, com o advento da pílula anticoncepcional e os movimentos da contracultura dos anos 60 e 70, o sexo deixou de ser feito só para procriação, mas também por prazer. Assim, a mulher conquistou o direito de ter orgasmo.



O livro aborda questões polêmicas para os dias atuais, como o sexo praticado entre dois homens, conduta amplamente aceita na Grécia no período das civilizações clássicas, entre 1.000 a. C. e 500 d. C. Sobre o tema, Regina lembra: “Um cidadão grego podia ter uma esposa, uma concubina e os efebos – garotos de 12, 13 anos que eram iniciados sexualmente por homens mais velhos”, diz.



Atualmente, a homossexualidade é condenada com pena de morte nos países islâmicos. A mulher, subjugada e sufocada, é impossibilitada de qualquer expressão sexual. Mas nem sempre foi assim. Segundo conta o historiador, nos primórdios do islamismo, cerca de 600 d.C, o sexo entre dois homens era recomendado para evitar o tédio e promover experiência. Faziam parte da concepção de paraíso islâmica não só as virgens mais formosas (houris), mas também meninos “brancos como pérolas”, os ghilmaan, que estariam prontos para servir aos mártires da fé. Relatos de contatos lésbicos no interior dos haréns também existiram.



Ainda segundo o historiador, o prazer sexual do homem e da mulher era valorizado nesse contexto, e valia tudo para o prazer, exceto sexo anal e durante a menstruação. Stearns descreve as recomendações da época: “As mulheres deveriam raspar os pelos pubianos para ficarem mais atraentes. Os maridos deveriam executar carícias preliminares e aguardar o orgasmo da esposa, para só então ejacular”.



Peter Stearns segue construindo a sua linha do tempo até chegar à era moderna. É nessa parte que ele dá uma amostra de como era difícil ser adolescente na Europa da Era Vitoriana (1837-1901). É que esse foi tempo de puritanismo e rapazes podiam ser enviados para o manicômio para serem tratados do “vício” da masturbação. “Inventaram coisas horríveis sobre a masturbação. No século 19 desenvolveu-se um horror à prática, pois só o que gerava filhos era permitido”, completa Regina.



O norte-americano fecha a sua obra discutindo a sexualidade na era da globalização, onde ele discorre desde a pornografia na internet até a popularização dos medicamentos contra impotência masculina, entre outras muitas questões do mundo contemporâneo.



Aproveitando a reflexão proposta sobre os diferentes padrões de “normalidade” ao longo dos tempos, fica a pergunta: o que vai ser a norma daqui para frente? Nossa colunista, Regina Navarro Lins, aponta a uma nova direção para os relacionamentos. “Eu acredito que estejamos caminhando para uma grande mudança na mentalidade do sexo e do amor. Eu creio que, num futuro próximo, a maioria das pessoas não irá querer se fechar numa relação a dois. Nós vivemos sob o mito do amor romântico que prega a fusão dos amantes e a exclusividade sexual. Mas estamos em tempos de busca pela individualidade, isso bate de frente com o amor romântico, levando com ele a questão da exclusividade”, finaliza.



Curiosidades retiradas do livro “História da Sexualidade”, de Peter Stearns

 
A origem do “papai-mamãe”: Na Europa pós-clássica, (entre 476 e 1453 d. C), sexo antes do casamento era coisa de prostituta. Aliás, com o cristianismo em plena ascensão no período, só uma posição sexual era adequada: o papai-mamãe, que também ficou conhecida como ”posição missionária”.

 
Métodos contraceptivos: Os métodos contraceptivos sempre foram uma preocupação. Mas antes da invenção da pílula e de outros meios de esterilização (vasectomia e ligação das trompas), já se fez “de tudo” para evitar uma gravidez indesejada. A “tabelinha” é praticada desde os primeiros tempos: “Evidências a partir de incisões em chifres e ossos sugerem que as mulheres tentavam monitorar seu ciclo menstrual para fins de controle de natalidade”, descreve o autor. Os gregos antigos inseriam na vagina a metade de um limão, como medida contraceptiva, uma espécie de espermicida natural. Com a mesma finalidade os egípcios usavam excremento de crocodilo. Alguns gregos também faziam oferendas aos deuses para provocar o aborto de um filho indesejado. E outros usavam uma mistura de sulfato de cobre como contraceptivo. Na África, entre 1870 e 1950, mulheres usavam grama picada ou retalhos para bloquear o colo do útero.

 
Preocupação com impotência: Antes da invenção do Viagra, os homens já apelaram para tudo com o intuito de afastar o fantasma da impotência. Na Ásia, nos primórdios do budismo, era muito comum “pedir proteção” através de rituais e ervas. Naquela época, banhar os genitais em suco de pistache era receita comum.

 
Suicídio em nome da honra: Na China, durante a Dinastia Qing (1644/1911), recomendava-se suicídio para uma mulher estuprada. É que, pela dificuldade de se provar o crime, algumas mulheres preferiam tirar a própria vida e, inclusive, a prática era estimulada pelo governo: “Havia quase um consenso de que o suicídio era a melhor solução para a mulher estuprada. Em tais casos, o governo Qing pagava as despesas com os funerais e providenciava uma placa atestando que a mulher preferira a morte à desonra”, relata Peter Stearns.



terça-feira, 14 de setembro de 2010

A cada 16 dias, uma pessoa troca de sexo no Brasil
Cirurgia ganha espaço no SUS; “É uma violência viver em um corpo que não é seu”, diz Carla Amaral, há 13 anos à espera da técnica

Fernanda Aranda, iG São Paulo | 13/09/2010 11:45


Quando ela passa, os homens esticam os olhos para tentar acompanhar por mais tempo o andar cheio de gingado, que tenta equilibrar a cintura fina, o quadril largo e os seios fartos. O corpo feminino de Carla Amaral não desperta só interesse. A mesma “gatona” também já escutou que é uma “aberração”, só um dos exemplos de violência que enfrentou.

Carla não nasceu Carla, mas sempre soube que era mulher, apesar do registro indicar “sexo masculino”. O último resquício que carrega da identidade que nunca assumiu é o pênis, que garante ser usado, de forma desconfortável, só para urinar. “Hoje está até atrofiado”, diz. Ela, há 13 anos, espera que o bisturi torne mais adequado a anatomia que reconhece como errada desde a maternidade.

A cada 16 dias, o procedimento cirúrgico tão aguardado por Carla é realizado em um paciente do Sistema Único de Saúde (SUS). A chamada cirurgia de mudança de sexo foi um dos últimos atos cirúrgicos reconhecidos pelo governo brasileiro e entrou para a lista de procedimentos gratuitos só em 2008. De lá para cá, 57 cirurgias foram realizadas, sendo 10 no primeiro ano, 31 em 2009 e 16 até junho de 2010. A estatística é crescente, mas ainda irrisória perto da fila de espera formada por pessoas que, assim como Carla Amaral, sentem ter nascido no corpo errado.

Mulheres na alma

Eles não são travestis, homossexuais, drag queens ou transformistas. O nome é transexual, condição reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um transtorno de gênero. Não há nenhuma doença psíquica associada. Os que fazem parte deste grupo nascem com um órgão sexual que não condiz com a sua personalidade, explica o psiquiatra da PUC de São Paulo Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade, de Gênero e Orientação Sexual.

São “mulheres na alma” (dizem todas), mas que têm pênis. “Homens na cabeça” que nascem com vagina, tentam explicar assim. Desde que o mundo é mundo, eles tentam corrigir o equívoco de nascença com técnicas arriscadas, que envolvem automutilação, silicone industrial, hormônios proibidos e isolamento social. Carla Amaral foi vítima de todos estes perigos nos anos 80, 90 e 2000.

Carrinhos, bonecas e princesa

Era a segunda gravidez da mãe que já tinha um primogênito. A vontade de um “casalzinho” fez Maria Amaral desejar uma menina durante os nove meses da gestação. O nascimento, em 1973, trouxe ao mundo mais um varão aos Amaral. Mas daquela vez parecia ser diferente. A confirmação das diferenças veio com a chegada do terceiro filho, mais um menino. As semelhanças só surgiram após o nascimento da quarta filha, desta vez uma garota. “Eu era diferente dos meus dois irmãos e muito parecida com a minha irmã", conta hoje Carla.

"Usava modelos de roupa unissex, cabelos na altura dos ombros e quando ouvia a pergunta 'o que você quer ser quando crescer/?', imaginava sempre uma mulher alta, com seios grandes, feminina e poderosa.”

Se quando criança, o problema maior era ter de brincar com carrinhos e bola quando a vontade era ninar bonecas e vestir-se como princesa, na adolescência a vida ficou ainda mais complicada. O nome de batismo – que Carla se nega até hoje a pronunciar – foi virando ofensa. O relacionamento com o pai já havia “subido no telhado”. Ele não aceitava ter um filho tão parecido como uma filha. A mãe já não assistia à postura feminina do seu segundo garoto com naturalidade, mas a vontade de ser mulher parecia aflorar em Carla. A entrega sexual precoce aos 13 anos para um vizinho só reforçou que a homossexualidade não era explicação suficiente para aquela condição.

“Mais do que gostar do sexo masculino, eu queria morar num corpo parecido com a minha mente.”
Sem dinheiro e sem apoio, Carla procurou o silicone industrial e passou a tomar doses de hormônio por conta própria. “Sabia dos riscos, sabia que podia morrer por causa daquilo, mas juro que tudo parecia menos ofensivo do que continuar com o corpo de homem.”

Menos mistério na medicina, mais tormentos pessoais

Nas duas últimas décadas, a medicina passou a prestar mais atenção aos pacientes com transtornos de gênero e a cirurgia de troca de sexo deixou de ser feita só na clandestinidade. Os estudos também evoluíram.

“Até a metade dos anos 70 e início dos anos 80 só existiam pesquisas sobre a transexualidade que abordavam a influência psicológica e do meio externo”, afirma o psiquiatra especializado Alexandre Saadeh.
“Hoje, as pesquisas mensuram os fatores químicos existentes no processo. Já existem evidências de que não só a genética, mas componentes químicos interferem no desenvolvimento do cérebro (enquanto o bebê ainda está na barriga da mãe) e culminam nesta condição. É claro que não existe causa única, mas não é só o meio que interfere.”

Naquela época a ciência, aos poucos, começava a desvendar as razões para os cérebros incompatíveis com os corpos. As pesquisas faziam com que as técnicas, inclusive cirúrgicas, evoluíssem. Mas, no Paraná, Carla Amaral ainda era vista como um erro da natureza, uma afronta aos bons costumes. Perto dos seus 15 anos, os pais cortaram – à força – os seus cabelos. A mãe gritava o nome de batismo aos quatro cantos para agredi-la e, na escola, colegas de classe e professores reforçavam que ali não era lugar para aquela “coisa” indefinida.

“Aos trancos e barrancos terminei a 8ª série, mas não consegui mais voltar para o colégio. Ao mesmo tempo, sabia que sem o apoio da minha família, tinha que contar só comigo. Sem estudo, fui procurar emprego.”

Ônibus, prostituição e cobaia

Primeiro Carla foi atendente de farmácia, depois cobradora de ônibus – local em que, além de ser hostilizada, sofria assédio sexual diário – e, enfim, auxiliar de escritório. “O preconceito sempre permeou a minha vida profissional. Era mandada embora sem justificativa, assim como não me contratavam quando, após a entrevista cheia de entusiasmos e expectativas, eu mostrava meu RG e lá aparecia o gênero masculino na informação sobre o sexo.”

No final dos anos 90, o Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou a cirurgia de mudança de sexo como um procedimento médico reconhecido no País. Carla, nestes tempos, se candidatou para passar pela cirurgia ainda que de forma experimental e vivia um período de desemprego absoluto. “Foi aí que me tornei profissional do sexo”, lembra.

A prostituição como um meio de sobrevivência fazia com que os dias terminassem com banhos longos. Carla sentia-se tão suja após se entregar por dinheiro que passava a bucha e sabão até machucar a pele. “Mas a vontade de fazer a cirurgia (de mudança de sexo) era tão forte que superava qualquer coisa.Precisava de dinheiro, precisava pagar as contas, precisava ser operada.”

A operação

A cirurgia de adequação do sexo masculino para o feminino consiste, em linhas gerais, na retirada do pênis, na construção de uma cavidade parecida com a da vagina com capacidade de substituir o trato urinário, em uma operação que supera 12 horas de duração. Já a “criação do pênis” é mais complicada, ainda tida como experimental e com riscos mais altos de complicação. Os movimentos de defesa dos transexuais do Brasil estimam que menos de cinco cirurgias do tipo foram feitas no País. Para cada caso, são em média 15 microcirurgias para o procedimento ser completo.

Hoje, de forma legalizada, apenas quatro centros universitários estão autorizados a fazer estas cirurgias, sendo um em São Paulo, um em Porto Alegre, um em Goiás e o último no Rio de Janeiro. Uma norma recente do CFM – datada da semana passada – deu margem para que, a partir de agora, as clínicas particulares também realizem o procedimento.

Dedos cruzados

A expectativa é com a nova resolução do CFM mais unidades fiquem aptas a absorver a demanda de pacientes que cresce a cada dia. Ainda assim, a comemoração vem com um tom de preocupação. “É uma luta nossa ampliar o número de unidades capacitadas (para a cirurgia de mudança de sexo), mas o meu receio é que ao perder o caráter experimental, clínicas sem condição e sem gabarito passem a atrair as meninas, que são tão agredidas pela vida que topam qualquer tratamento”, diz Cristyane Oliveira, uma das pioneiras a ser submetida a cirurgia de mudança de sexo no País há nove anos.

Hoje, para a pessoa conquistar vaga em um destes 4 centros cirúrgicos, é preciso ter mais de 21 anos e um laudo médico que comprove a necessidade da cirurgia. Por isso, ao menos dois anos de acompanhamento terapêutico são exigidos. Já com este documento em mãos, a estimativa é que 200 pessoas estejam na fila de espera. Uma delas é Carla Amaral. No dia seguinte do anúncio de que a cirurgia chegara aos hospitais públicos, ela já estava na fila para o cadastro . “É uma violência diária viver em um corpo que não é seu”, conta.

A possibilidade de ser operada faz com que Carla Amaral cruze os dedos todos os dias. “É a última vitória”, diz ao contabilizar suas conquistas recentes. “Via justiça, pedi para mudar meu nome e o gênero no RG. Minha mãe foi testemunha jurídica a meu favor. Este ano, consegui a mudança oficial no documento e a relação familiar voltou a ser ótima.”

O engajamento no “movimento trans” permitiu que Carla arrumasse emprego e deixasse de ser profissional do sexo. A cirurgia, considera ela, é o toque final para que a gata borralheira, finalmente, vire a tão sonhada cinderela.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

MS regulamenta união estável entre homossexuais
Casais do mesmo sexo poderão procurar qualquer cartório do Estado para registrar o documento
Agência Estado | 09/06/2010 18:19

     A Corregedoria Geral de Justiça de Mato Grosso do Sul publicou na última terça-feira, no Diário da Justiça, uma norma que regulamenta o registro da união estável entre homossexuais em cartórios. A partir de agora, casais do mesmo sexo poderão procurar qualquer cartório do Estado para registrar o documento.
     Segundo o material publicado no Diário da Justiça, a escritura de declaração de convivência de união será "realizada como instrumento para os casais homoafetivos que vivam uma relação de fato duradoura, em comunhão afetiva, com ou sem compromisso patrimonial, legitimarem o relacionamento e comprovarem seus direitos, disciplinando a convivência de acordo com seus interesses".
     O documento poderá ser usado como prova de dependência econômica, inclusive para a Previdência Social, entidades públicas e privadas, companhias de seguro, instituições financeiras e creditícias.