Mostrando postagens com marcador Alimentação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alimentação. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Trocar refrigerante por água realmente emagrece, diz estudo

 

Substituir por bebidas sem açúcar também adianta, mas o benefício para a saúde é menor, defendem pesquisadores


Reuters Health* - IG                    

Foto: Getty ImagesAmpliar
Água: troca pode ajudar a perder uns quilinhos

Trocar seu refrigerante por água – ou ao menos a versão diet – realmente pode ajudar a perder alguns quilos, concluiu um recente estudo.


Uma sugestão bem comum na batalha contra os quilos a mais na balança é trocar os refrigerantes açucarados por água ou outras bebidas livres de calorias que ajudam a matar a sede.

Mas, mesmo sendo um conselho absolutamente lógico, até agora nenhuma pesquisa tinha sido feita para mostrar se mudar esse hábito realmente funciona na dieta.

Neste estudo, os pesquisadores designaram aleatoriamente 318 adultos com sobrepeso para um de três grupos: o primeiro substituiu bebidas açucaradas por água, o segundo trocou por bebidas diet, e o terceiro recebeu orientações sobre perda de peso e pôde fazer as trocas que quisesse na dieta.

Depois de seis meses, todos os três grupos haviam perdido, em média, de 2kg a 2,5kg Os dois grupos que cortaram as bebidas açucaradas, no entanto, foram mais propensos a perder ao menos 5% de seu peso inicial: isso ocorreu com 20% deles, contra 11% no grupo que recebeu apenas orientações sobre emagrecimento.
Leia também

Uma perda de peso de 5% é “clinicamente significativa” – ou suficiente para que sejam observados benefícios à saúde, como a redução da pressão arterial, disse a pesquisadora principal, Deborah F. Tate, da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill (EUA).

“As pessoas que precisam perder peso, muitas vezes acham assustador revisar a dieta e adaptá-la de forma mais saudável. Trocar algumas bebidas doces por opções sem açúcar pode parecer uma alternativa relativamente fácil”, afirmou Tate em entrevista à Reuters Health.

Em média, os participantes do estudo perderam cerca de 2% de seu peso corporal. Para a pesquisadora, não é uma perda enorme, mas é um passo na direção certa.

“Pode ser um bom primeiro passo. Depois de se habituar a consumir bebidas livres de calorias, você pode fazer alterações nos seus hábitos alimentares” sugeriu ela.

As descobertas, publicadas no American Journal of Clinical Nutrition, são baseadas em adultos que eram significativamente obesos, e estavam ingerindo pelo menos 280 calorias em forma de líquidos (excluindo leite) todos os dias.


Embora o grupo que trocou o refrigerante com açúcar pelo diet tenha emagrecido, em média, tanto quanto o que subsitituiu a bebida açucarada por água, este último apresentou reduções significativas da pressão arterial – bem maiores do que o grupo do refrigerante diet.

Não está claro por que isso aconteceu, afirmou Tate. Mas o grupo teve melhores níveis de hidratação, o que pode ajudar a explicar a melhora da pressão arterial.

Alguns estudos já descobriram que as pessoas que bebem regularmente refrigerantes diet de fato têm um maior risco de desenvolver diabetes quando comparados com pessoas que passam longe das bebidas adoçadas artificialmente. Mas as razões para essa relação ainda são desconhecidas, e podem não ser relacionadas com as bebidas dietéticas por si só.

* Por Amy Norton

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pesquisas questionam quantia ideal de sal para a saúde do coração



Pouco sódio poderia ser tão prejudicial quanto o excesso. Pesquisadores defendem consumo moderado




The New York Times | IG

Foto: Thinkstock/Getty Images Ampliar
Muito sal aumenta a pressão arterial; pouco, pode interferir nos níveis de colesterol e fazer mal


Para pessoas com doenças cardíacas ou diabetes, comer com pouco sal pode representar risco tanto quanto comê-lo em grande quantidade, informam pesquisadores.

A redução de sal é muito importante para pessoas que consomem mais de 6000 ou 7000 miligramas de sódio por dia, diz Martin O'Donnell, autor de um estudo publicado na edição de novembro do periódico Journal of the American Medical Association.

Leia também: Dossiê do sal

Pessoas que já consomem quantidades moderadas de sal, porém, podem não precisar reduzir o consumo, acrescentou O'Donnell, professor associado da Universidade McMaster, em Hamilton, Ontario, no Canadá.


"Estamos percebendo que pode haver uma quantidade moderada ideal de sal que as pessoas devem consumir", diz John Bisognano, professor de medicina e diretor de cardiologia ambulatorial do Centro Médico da Universidade de Rochester, em Nova York .

"Isso é reconfortante para quem segue uma dieta moderada com a utilização do condimento”.
Bisognano não estava envolvido com o estudo, que foi financiado pela empresa farmacêutica Boehringer Ingelheim.

Depois de anos insistindo que as pessoas deveriam reduzir a ingestão de sal, os especialistas recentemente começaram a debater se a diminuição é realmente boa para todos.

Um estudo recente descobriu que apesar da redução do sal fazer baixar a pressão arterial, também pode aumentar os níveis de colesterol, triglicérides e outros fatores de risco para doenças cardíacas.

Outro trabalho descobriu que a menor excreção de sódio (essa é uma forma de medir a quantidade de sal consumido) foi associada a um aumento do risco de mortes relacionadas ao coração, enquanto a excreção de sódio superior não estava ligada ao aumento dos riscos de pressão arterial ou complicações do coração em pessoas saudáveis.

No entanto, no último estudo, os resultados foram um pouco diferentes. Esses autores analisaram a quantidade de sódio e potássio que foram eliminados na urina em um grupo de cerca de 30 mil homens e mulheres com doença cardíaca ou de alto risco para doença cardíaca. Os participantes foram acompanhados, em média, por mais de quatro anos.


Neste estudo, os níveis de excreção de sódio que estavam maiores ou menores do que a faixa moderada foram associados ao risco aumentado. Por exemplo, pessoas que eliminaram níveis mais altos de sódio do que aquelas com valores médios tiveram risco maior de morte por doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC), ataque cardíaco e hospitalização por insuficiência cardíaca, diz o relatório.

Por outro lado, pessoas que excretaram níveis inferiores à média estavam em risco aumentado de morte por doença cardíaca e hospitalização por insuficiência cardíaca. Quando os pesquisadores avaliaram os níveis de potássio, descobriram que um nível mais elevado de excreção do nutriente foi associado a um menor risco de acidente vascular cerebral.

"A importância da ingestão de potássio precisa ser enfatizada, uma descoberta que pode ser perdida na discussão sobre o sódio", argumenta O'Donnell, que também é professor associado da Universidade Nacional da Irlanda, em Galway.

"Dietas ricas em frutas e vegetais também são ricas em potássio."

Não está claro se essas descobertas – que surgiram a partir de uma população já com alto risco de problemas cardíacos – também podem ser aplicadas para reduzir as populações de risco.

"Eles estão realmente olhando para o mais doente dos doentes. Como isso se aplicaria a todos nós?", questionou Daniel Anderson, professor assistente de medicina na Universidade de Nebraska.

"Fico preocupado como vamos interpretar isto no sentido de que muito pouco sódio é uma coisa ruim."


Bisognano concorda. "Mas nós não queremos passar a mensagem de que as pessoas devem acrescentar mais sal à comida a partir deste momento", diz o professor.

A quantidade ideal de sódio consumida é apenas um aspecto da saúde do coração, fala Karen Congro, diretora do Programa Bem-Estar para Vida no Hospital Brooklyn Center, em Nova York.

“Você tem que fazer intervenções de estilo de vida", afirma a especialista.


As novas orientações dietéticas americanas recomendam que pessoas acima de dois anos de idade tenham como limite de ingestão diária de sódio menos de 2300 miligramas (mg).

Pessoas com idades acima de 51 anos, negros e qualquer indivíduo com diabetes, alta pressão ou doença renal crônica devem considerar reduzir o consumo para 1500mg por dia, dizem os especialistas. Estima-se que o americano médio consuma 3400 miligramas de sódio por dia.


Leia mais sobre:

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Alimentação desequilibrada prejudica o rim diabético



Quem tem a doença deve restringir consumo de carboidratos mas não pode exagerar nas proteínas, para não sobrecarregar os rins


Fernanda Aranda, iG São Paulo



Foto: Getty Images Ampliar
Olho na dieta: proteína em excesso pode sobrecarregar o rim diabético
 
A chegada de um paciente ao hospital com os rins doentes, em metade dos casos, revela um diabetes até então desconhecido, mas em estágio avançado e em situação de descontrole.


Para piorar o cenário, o nefrologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Arthur Beltrame Ribeiro, agrega mais estatísticas a esse quadro:

“Três em dez diabéticos acabam na máquina da hemodiálise (aparelho que substitui a função renal) e com a necessidade de fazer um transplante de rim."

O comprometimento dos rins do diabético se dá por causa da própria dinâmica da doença, em especial a do diabetes tipo 2, desencadeado principalmente por obesidade, pressão arterial alta e sedentarismo.


“O rim é um dos órgãos mais vascularizados do corpo, responsável por limpar o organismo das substâncias que não fazem bem”, afirma o médico. “Como as placas de gordura comprometem os vasos, e elas são bem comuns em pacientes diabéticos, o rim é atingido em cheio", informa Marco Tambascia, professor de endocrinologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Leia também


 
Além do curso natural da doença, a maioria dos medicamentos existente no mercado exige do rim um maior funcionamento para eliminar as toxinas do corpo.

“Por conta disso, um ponto que merece atenção é a alimentação”, acrescenta a endocrinologista do Hospital São Paulo, Maria Teresa Zanella. “O diabético, devido às restrições alimentares, precisa controlar os carboidratos (açúcar e farinha, por exemplo) e acaba consumindo mais proteínas (carnes e laticínios). O problema é que para metabolizar as proteínas, também há uma maior exigência do rim. Tudo isso precisa ser pensado na hora do tratamento e na indicação da dieta”, reforça a endocrinologista.

Soluções

Tratar e ainda proteger o rim do diabético exige uma ação em conjunto de várias áreas médicas, avalia Beltrame Ribeiro. “Mesmo porque, o diabetes tipo 2 vem acompanhado de um coquetel de fatores de risco. Em nosso ambulatório, simultaneamente o diabetes, a obesidade e a hipertensão. Isso acarreta uma mudança nutricional do paciente, com cautela especial aos rins”, informa o nefrologista.


Paralelamente, a indústria farmacêutica também pesquisa opções medicamentosas que exijam menos da função renal. Uma delas, por exemplo, que acaba de chegar no mercado brasileiro é excretada pela bile (pelas fezes) e não pelos rins. O novo remédio já está no mercado e precisa de receita especializada para ser consumido.

A Sociedade Brasileira de Diabetes orienta sobre os mitos e verdades dos produtos alimentícios indicados para as pessoas com a doença.

1. Diabéticos não podem comer beterraba

MITO. As pessoas com diabetes podem consumir beterraba, pois ela é uma boa fonte de fibras, vitaminas e minerais e poderá fazer parte da dieta, elaborada pelo nutricionista.
 
2. Frutas como banana, uva, caqui, manga e melancia, devem ser excluídas da alimentação dos diabéticos pois aumentam muito o açúcar no sangue

MITO. Estas frutas são ricas em vitaminas, minerais e fibras e contêm açúcar natural (frutose e glicose). Quando consumidas em quantidades adequadas e distribuídas corretamente ao longo de um dia de alimentação, não prejudicam a saúde da pessoa que tem diabetes. Se consumidas em excesso, assim como qualquer fruta, poderão aumentar a glicemia.

3. Pessoas com diabetes devem comer pão somente dormido (amanhecido) ou torrado porque não faz mal para o diabetes

MITO. O pão francês é um alimento que faz parte da dieta do brasileiro e uma importante fonte de carboidrato na alimentação. O carboidrato é o nutriente que mais afeta a glicemia, pois quase 100% dele é convertido em glicose (açúcar). Assim, não importa a forma de preparo ou de consumo do pão, um pão francês de aproximadamente 50g terá sempre 28g de carboidrato, estando ele torrado ou dormido. Portanto, o correto é consumir esse alimento sempre orientado pelo nutricionista.

4. Diabéticos não podem comer arroz e feijão

MITO. Durante muitos anos, algumas crenças foram criadas sobre a ingestão de arroz e feijão. Alguns diziam “engorda”, outros que “diabético não pode comer”, porém, hoje sabe-se que principalmente o feijão é um dos alimentos mais ricos em fibras solúveis e amido resistente (outro tipo de fibra) e faz parte do hábito alimentar do brasileiro. A presença desse tipo de fibra torna a digestão mais lenta, algo importantíssimo para menor elevação da glicose no sangue. Outro aspecto relevante é a saciedade que o feijão proporciona, resultado desse mesmo processo de digestão.
 
5. Produtos “diet” são feitos para diabéticos e podem ser consumidos à vontade

MITO. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) pode ser chamado de alimento diet aquele que é isento de algum nutriente. Isso significa que nem sempre ele é isento de carboidrato – pode ser em gordura ou sódio, por exemplo. Algumas marcas de chocolate, por exemplo, apresentam maior teor de gorduras e pouca ou nenhuma diferença em carboidrato, ou seja, nem sempre o chocolate diet é a melhor escolha. Para boas escolhas é importante comparar os rótulos dos alimentos e, em caso de dúvidas, consultar um nutricionista.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

9 dicas para evitar a intoxicação alimentar com o ovo

 

Alimento é líder em provocar surtos de diarreia. Refrigeração e cozimento evitam problemas


iG São Paulo |


Foto: Getty Images Ampliar
9 dicas simples para evitar a intoxicação alimentar causada pelo ovo

A nutricionista Daniele Leal recorreu aos bancos de informação do Ministério da Saúde para saber qual alimento estava mais associado aos surtos de intoxicação alimentar provocados pela bactéria Salmonella.


“Desde 1999, o ovo sempre ocupou o primeiro lugar, seja por ele próprio estar contaminado ou por falhas no preparo de alimentos que utilizam ovo, como bolos, suflês, maioneses e musses”, conta a especialista.

Esta foi a base de sua pesquisa de mestrado, defendida no programa de pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Escola Superior de Agricultura da USP. Sob orientação de Gilma Sutrion, Daniele entrevistou 664 pais de alunos de escolas públicas e particulares para saber quais práticas trazem para o ovo o título de recordista de intoxicação.


Ela encontrou falhas na compra dos ovos, que facilitam as contaminações. “Dos entrevistados, 81% disseram que compram ovos sem estar refrigerados, o que é um erro para a segurança alimentar. Além disso, quando chegam em casa, as pessoas também guardam os ovos fora da geladeira, o que facilita as contaminações.”

Outros resultados encontrados mostram que 61,3% dos participantes já relacionaram sintomas de doenças, como febre, diarreia, dor de estômago, náuseas, após consumirem alguma comida, o que “demonstra que eles identificam o risco de ingerir alimentos impróprios”. Além disso, metade dos pesquisados consome ovos crus ou mal cozidos, considerados de risco pela possibilidade de estarem contaminados com a bactéria Salmonella.


Para ajudar na prevenção de problemas, Daniele Leal elencou algumas dicas que diminuem o risco de contaminação.

- Sempre compre ovos que estejam refrigerados (geladeira ou freezer)

- Escolha os produtos mais fresco possível, verificando a data de fabricação e validade

- Nunca opte por ovos sujos ou rachados, eles facilitam a contaminação

- Ao chegar em casa, guarde os ovos na geladeira, nunca fora

- Antes de usar, lave os ovos com água e sabão. Não é preciso usar cloro

- Não esqueça da higiene pessoal: lave bem as mãos antes de cozinhar e também os utensílios

- Sempre consuma ovos cozidos, fritos e com a gema dura, nunca mole

- Para garantir a segurança, o tempo de cozimento deve ser superior a sete minutos após o início da fervura

- Para outras preparações, a gema e a clara sempre devem estar coaguladas

segunda-feira, 28 de março de 2011

O lado bom do jiló

Alimento combate o mau hálito, protege o coração e ajuda a emagrecer. Veja motivos para encarar o amargo com gosto

Lívia Machado, iG São Paulo

Foto: iG
Trinca de beneficios minimiza o gosto amargo do jiló

Ele faz franzir a testa e provoca cara feia, mesmo quando está somente na imaginação. Encarar o amargo do jiló, porém, faz bem ao coração, combate o mau hálito e ainda ajuda a perder peso.

Embora pertença a mesma família que o pimentão e a berinjela, o jiló é um fruto, e não legume, como seus primos. É concentrado em vitaminas A, do complexo B e C. Contem minerais, cálcio, ferro e magnésio, mas seu potencial reverenciado é no combate ao colesterol e à halitose.

Seus compostos bioquímicos, denominados flavonóides, são antioxidantes, ou seja, protegem as artérias, impedindo que o colesterol – gordura ruim – seja aderido. “É um alimento poderoso para a manutenção da saúde do coração”, defende Daniela Jobst, nutricionista, dona da clínica NutriJobst, em São Paulo.

Na dieta, ele ajuda a combater a vontade de comer, sensação quase incontrolável nos mais ansiosos. O valor calórico baixo, 40 calorias em 100 gramas, permite que o jiló seja consumido sem pesar na consciência. Com uma grande quantidade de água na composição, é um aliado do regime, pois promove saciedade. 

Entretanto, para ter resultados na balança e na saúde, ele deve ser incorporado à dieta. O gosto amargo precisa fazer parte da refeição ao menos uma vez por semana. “Os benefícios desses alimentos só serão sentidos quando ingeridos com frequência. Não vale comer apenas esporadicamente. Uma ou duas vezes por semana é o ideal”, indica Daniela.

De acordo com o novo guia de orientações contra a obesidade, metade do prato deve incluir legumes, vegetais e frutos, especialmente os coloridos (verde-escuros, vermelhos e laranjas).

Para quem gostou do valor agregado, mas não consegue desfazer a careta, a nutricionista indica que transforme o fruto em farinha. Triturar e fazer dele uma farofa é uma boa alternativa para consumi-lo sem dor.

“Como uma farofa, ele pode ser associado a diversos alimentos, minimizando o sabor marcante. Duas colheres de sopa por semana já são suficientes para garantir seus benefícios. Refogá-lo no azeite e na mateiga também deixa o alimento fácil de comer.”

Cortar o jiló em quatro partes e deixá-lo de molho na água com sal por 15 minutos ajuda a reduzir o amargor. Embora difícil de engolir, o sabor repulsivo do jiló também tem seu valor. Segundo Daniela, o amargo estimula a salivação e tem uma ação bactericida na boca. O processo promove limpeza bucal e o hálito saudável.

sábado, 19 de março de 2011

A importância do cálcio para a saúde

Nutriente é essencial para um raciocínio rápido e uma boa resposta muscular

Chris Bertelli, iG São Paulo

Foto: Getty Images
Cálcio pode ajudar até a perder peso

Os cuidados com a ingestão de cálcio não devem ficar restritos à infância ou à fase do climatério. O investimento no consumo desse nutriente deve começar no início da vida e perdurar durante toda a infância, adolescência, fase adulta e velhice.

O Ministério da Saúde recomenda a ingestão diária de 1000mg de cálcio por dia para um adulto (mulheres que estejam amamentando precisam de 1200mg/dia). Para quem faz exercícios físicos ou no calor intenso, essa quantidade pode ser ultrapassada.

“Perdemos cerca de 100mg cálcio por hora no suor”, afirma Antonio Hebert Lancha Junior, professor titular da Universidade de São Paulo e coordenador do Laboratório de Nutrição e Metabolismo Aplicados à Atividade Motora.

A indicação diária parece pouca, mas equivale a três copos de leite mais uma porção de queijo, volume que nem todos conseguem alcançar. Pesquisas realizadas no Brasil nos últimos anos apontam que a ingestão de cálcio pela população é de cerca de 300 a 500 mg por dia. Os dados são confirmados pelo estudo BRAZOS (The Brazilian Osteoporosis Study) que constatou que 99% da população apresentam ingestão inadequada do mineral, sendo que o consumo médio atinge apenas 52% das necessidades diárias.
Leia mais:
A função mais conhecida desse mineral é fortalecer os ossos, mas ele também é importante para o bom funcionamento do cérebro e dos músculos, para manter as cáries longe dos dentes e até mesmo para reduzir a pressão arterial e a gordura corporal.

O pesquisador Angelo Tremblay, da Université Laval, do Canadá, investiga a relação entre o cálcio e a redução da gordura desde 2003. Até hoje, já comprovou que pessoas com dietas pobres em cálcio acumulam mais gordura, tem circunferência abdominal maior e índices de colesterol mais altos do que aquelas que ingerem a quantidade diária indicada.

O acúmulo de cálcio no organismo tem seu auge aos 35 anos. Depois dessa idade, a tendência é perdê-lo com facilidade, por isso a preocupação constante com sua devida ingestão. “O osso não é uma estrutura rígida, é um tecido vivo, que se refaz o tempo todo. Mas as células de remodelação tem seu pico aos 35 anos, depois disso, vamos perdendo 1% de massa óssea por ano”, afirma Lancha Junior.

Para os idosos, esse nutriente se torna ainda mais necessário para a saúde dos ossos, a fim de evitar possíveis complicações de quedas, que afetam 30% dessa população e podem até ser fatais.

Para ser bem absorvido

No entanto, não basta apenas consumir a quantidade indicada, é preciso criar condições adequadas para que esse mineral possa ser incorporado ao organismo. A exposição à atividade física é essencial e estimula a absorção.

“O ideal é a realização de exercícios que realizem movimentos em vários sentidos, diferentes eixos, como o tênis, o vôlei, e outros esportes”, avalia o professor da USP.

Na briga para manter o cálcio dentro do organismo, vale evitar os ladrões desse mineral. “Sal em excesso, cafeína e bebidas alcoólicas favorecem a eliminação desse nutriente. Por isso, é importante estar atento para a quantidade consumida. Reduzir o sal na alimentação e a ingestão de bebidas alcoólicas vai favorecer a saúde como um todo. Além disso, o cigarro também prejudica a absorção desse mineral”, alerta a nutricionista Camila Freitas.

Excelentes fontes de cálcio

As fontes de cálcio típicas são o leite e os produtos lácteos. O leite integral, de vaca, tem 228mg de cálcio por 200ml e o queijo prato 1000mg por 100g. A soja também pode ser uma excelente opção variando de 80 a 750mg por porção. Além desses alimentos, ele pode ser encontrado em abundância no amaranto, aveia, avelã, verduras verde-escuras como couve, brócolis e espinafre e peixes como o salmão ou a sardinha.

"A alimentação é individual, mas uma dieta balanceada rica em frutas e verduras garante um equilíbrio dos nutrientes", afirma a nutricionista Fernanda Granja.

Atualmente, já existem no mercado alimentos enriquecidos a fim de facilitar o consumo das necessidades diárias. Só neste ano, a indústria já apresentou dois lançamentos com essa finalidade. A Nestlé lançou a linha Molico Total Cálcio, que promete fornecer a dose diária em dois copos de leite ou iogurte. A Danone colocou nas prateleiras o Densia, que assegura oferecer 50% da necessidade por pote (100 g).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Crianças "orgânicas"
Elas não tomam vacinas e preferem alimentos saudáveis; o modo de vida é uma opção das mães
Chris Bertelli, iG São Paulo |
Foto: Edu Cesar/Fotoarena Ampliar
Arthur prefere frutas a batata frita ou macarrão

Hora do lanche no colégio, Arthur, de 4 anos, corre para o pátio e abre a lancheira. Dentro, encontra uma maçã, que come com gosto. Ao lado, os coleguinhas se esbaldam em salgadinhos, bisnaguinhas e bolinhos prontos.
A mãe do garoto, Patricia Feldman, garante que ele está feliz com a escolha que ela fez: “fruta é a coisa que ele mais gosta de comer. O prazer que as outras crianças têm, ele também têm, mas comendo algo saudável.”
Arthur poderia ser facilmente confundido com o garoto-propaganda de uma marca de suplementos infantis, que pede para a mãe comprar brócolis no supermercado. “Ele faz compras comigo e me ajuda a escolher frutas, legumes e verduras. Nunca pede alguma coisa além disso. Nem iogurte, que eu mesma faço em casa”, relata.
No prato de Arthur não tem nada industrializado. Arroz com feijão, salada e legumes, sua comida predileta, são feitos por Patricia, que é culinarista, e cuida para que os ingredientes sejam orgânicos. Até o leite que ele toma é retirado da vaca todo dia de manhã e entregue na casa da família.
“Quando fiquei grávida procurei informação, li bastante sobre as particularidades da alimentação infantil. E decidi que iria criar meu filho assim, de uma forma que eu considero saudável”, afirma. Arthur nunca tomou refrigerante, não come hambúrguer, não gosta de macarrão, tomou óleo de fígado de bacalhau até os 3 anos, não liga para chocolate e faz cara feia para batata frita.
Patricia não é exceção no cuidado rígido com a alimentação dos pequenos. Na casa de Tarsila de Souza Aranha, mãe de Helena e Theo, tudo é orgânico ou integral e fritura não entra. “Até os três anos, nenhum deles come carne e também não tomam leite, para evitar algumas doenças que podem ser provocadas pela lactose.” Segundo a mãe, as crianças não ficam sem comer um prato enorme de salada, adoram frutas e não pedem refrigerante, que só podem consumir em dias de festa.
É saudável?
Para a pediatra e nutróloga Marileise Obelar, do Hospital Infantil Joana de Gusmão, de Santa Catarina, é extremamente importante que pais incentivem o consumo de vegetais nos primeiros anos de vida. Alimentos industrializados não devem ser introduzidos até que a criança complete um ano, porque podem prejudicar o aprendizado dos sabores.
“O sabor artificial é mais forte do que os de produtos naturais, a criança perde a vontade de comer outros alimentos”, diz.
Foto: Divulgação Ampliar
Pais devem observar se alimentação dos filhos está completa

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a alimentação ideal é aquela que contém todos os ingredientes que fazem parte da pirâmide alimentar. Na hora de montar o cardápio dos filhos, a recomendação da SBP é que pais atentem para inserir todos os grupos alimentares, a fim de que não falte nenhum nutriente. Marileise faz um alerta: criança precisa comer carne, principalmente até os 2 anos. Pode ser peixe, frango ou carne vermelha, mas somente essas opções são capazes de suprir a necessidade de ferro e vitamina B12.
“O ferro presente nos vegetais não é tão bem absorvido, a criança pode desenvolver anemia. Além disso, ele é importante na formação do sistema nervoso central, a falta dele pode prejudicar o desenvolvimento da cognição da criança”, alerta a nutróloga. O leite também não pode faltar. “A osteoporose começa na infância. A recomendação é que a criança consuma um copo de leite por dia, pelo menos. O cálcio presente na bebida é de extrema importância para a mineralização dos ossos.”
Vacina? Aqui, não!
A preocupação dessas mães extrapola o tema alimentação. A opção pelo que elas acreditam ser “um modo de vida mais saudável” está presente também na escolha da escola e na carteira de vacinação. Assim como na produção de orgânicos, em que agricultores não utilizam agrotóxicos, essas mães são avessas a vacinas, que consideram tão prejudiciais quanto os produtos químicos utilizados na plantação.
Tarsila preferiu não vacinar os filhos. Helena e Theo não foram imunizados contra nenhuma doença. “Foi uma opção que eu fiz quando estava grávida. Eu li muito, eu estudei. Eu não tomei vacinas quando era pequena, sempre fui criada com o mínimo de remédios possível. Estou muito tranqüila com essa decisão. A responsabilidade pela nossa saúde tem que ser nossa”, afirma a empresária.
Até hoje, nenhuma das duas crianças pegou caxumba, catapora ou sarampo e a mãe credita a resistência à boa alimentação e aos hábitos saudáveis, como dormir cedo. “Não sou a favor de que qualquer um deixe de tomar vacina, tem que estudar o ambiente em que a pessoa vive. Eu já tomei vacina contra a febre amarela, por exemplo, quando fui viajar. Mas não sou a favor de vacinar as crianças. Até os três anos o sistema imunológico delas está se formando, o corpo fica preguiçoso se tem uma muleta ali para se apoiar”, diz.
Para o infectologista Marcelo Vallada, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, as pessoas têm dificuldade para filtrar informações. “Quando alguém opta por não imunizar o filho, acaba expondo as pessoas que estão em contato com a criança. Se a ela tiver rubéola, por exemplo, vai ter febre, se sentir mal, mas vai superar. No entanto, essa criança está em contato com a professora, que pode estar grávida, pegar a doença e ter problemas com o futuro filho”, avalia. O perigo não está restrito à saúde da criança e de sua família, mas também de toda a sociedade. Algumas doenças só estão erradicadas por conta de uma campanha de vacinação eficiente e podem reaparecer caso mais pessoas decidam pela não imunização.
“O impacto da vacina é evidente. Eu me lembro da época em que a meningite levava quatro crianças por semana ao hospital. Dessas, uma ou duas morriam, era chocante. Eu já vi criança morrer de sarampo”, alerta Marcelo. Uma pesquisa realizada em cinco capitais brasileiras pela Santa Casa de São Paulo demonstrou que a classe A registra as piores coberturas vacinais no Sudeste. De acordo com o estudo, essa parte da população tem informações vagas sobre as vacinas infantis e medo de reações adversas.
Orientação é vacinar
Para Patricia Feldman, que também não dá todas as vacinas ao filho, falta bom senso. “É um exagero vacinar uma criança que acabou de nascer contra a hepatite B, por exemplo, doença que em geral se pega pelo contato sexual”, diz. Ela não dá mais de uma vacina por mês e não vai imunizar o filho contra a gripe. A mãe compartilha da mesma opinião de Tarsila e acredita que a melhor forma de manter a criança resistente às doenças é ter um estilo de vida saudável. “A criança precisa ser incentivada a fazer uma atividade física, tomar sol, brincar e se alimentar corretamente.”
Para Vallada, não há sentido em postergar a vacinação e o epidemiologista faz um alerta: “O corpo do recém-nascido responde muito melhor do que o de uma criança de 10 anos, por exemplo. Vaciná-lo nesse momento contra a hepatite B, por exemplo, vai fazer com que ele chegue à adolescência muito mais protegido.
” Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de casos de sarampo caiu 74% por conta das campanhas de vacinação. A imunização contra tétano, difteria, sarampo e coqueluche evita a morte de 2,5 milhões de crianças em todo o mundo. A importância é reforçada pelas Sociedades Brasileiras de Imunologia e Pediatria, que indicam um calendário básico de vacinação.
“O que fizer parte do calendário é obrigatório. Os pais que se recusarem a dar vacina podem ser acusados de negligência”, reforça o epidemiologista.
O lanche escolar ideal para seu filho


Nutricionistas explicam o que não pode faltar na lancheira da criança – e quais são os produtos pouco indicados nas prateleiras

Clarissa Passos, iG São Paulo


Segundo a Organização Mundial de Saúde, uma dieta saudável passa por cinco pontos: amamentar o bebê durante os seis primeiros meses de vida, comer alimentos variados, ingerir muitos vegetais e frutas, moderar na quantidade de gorduras e óleos e evitar sal e açúcar. Parece fácil, mas estes hábitos devem ser desenvolvidos desde a infância – de preferência, começando pelo que seu filho leva na lancheira.

O lanche escolar é uma refeição intermediária, que serve para dar energia à criança entre duas refeições principais. O ideal é que ele contenha uma porção de carboidratos, para fornecer energia; uma porção de lácteos, que tem proteínas; uma porção de frutas ou legumes, responsáveis pelas vitaminas, fibras e minerais; e uma bebida, para hidratação.

Do outro lado, pães brancos, refrigerantes, salgadinhos – especialmente os fritos – e confeitos desequilibram a balança. Apesar de fornecerem energia, estes alimentos contêm pouco além das chamadas “calorias vazias”. “Nutricionalmente, eles são só sal e gordura”, alerta a nutricionista Rosana Perim, do Hospital do Coração, em São Paulo.

É claro que a maioria das crianças prefere abrir a lancheira e encontrar batatinhas fritas, chocolate e refrigerante. Já os pais gostariam que elas comessem um bolo integral, uma fruta e um suco. Para equilibrar essa equação, a nutricionista e consultora Cynthia Striebel, que há 14 anos desenvolve um projeto de educação alimentar escolar em Porto Alegre, sugere a negociação. “Seu filho quer levar algo não muito nutritivo? Eventualmente, isso não é um problema. Negocie com ele um dia da semana para este lanche e, nos outros dias, as frutas, cereais e o leite”, exemplifica.

Rosana Perim concorda. “Não precisa proibir o chocolate. Basta saber equilibrar”, diz ela. Outra dica é incluir as crianças no processo de comprar e preparar o lanche. Vale levá-las ao mercado ou à feira, explicar porque você escolhe aqueles alimentos e como aquilo vai fazer bem a elas.

Opções industrializadas

Nem todas as mães têm o tempo necessário para assar um bolinho integral ou preparar um suco natural para o lanche do filho antes de sair de casa pela manhã. Por isso, não se desespere se tiver de recorrer aos industrializados. Hoje, os supermercados oferecem opções razoavelmente saudáveis, basta saber escolhê-las.

No caso dos biscoitos, procure aqueles com as menores quantidades de gordura e de açúcar possíveis. Bolinhos com recheio e cobertura devem ser evitados, pois geralmente contêm gordura trans – vale observar também na tabela nutricional do alimento o índice de gordura vegetal hidrogenada; quanto mais elevado, pior. Escolha os sucos de caixinha sem adição de açúcar e lembre-se que achocolatados não são leite, são uma composição feita com soro de leite: prefira aqueles com menos sódio e menos açúcar e garanta que a criança beba leite de verdade em algum outro momento do dia.

Conservação

Não adianta ficar atenta para um cardápio equilibrado se ele não estiver bem conservado na hora do sinal. Lancheiras térmicas garantem conservação por duas a quatro horas, segundo fabricantes. Mesmo assim, é melhor evitar patês e embutidos que necessitem de refrigeração maior.

Cynthia dá uma dica final: colocar a caixinha de suco ou a garrafinha de água congelada na lancheira é uma opção para garantir um resfriamento extra. E não se esqueça de fiscalizar os cuidados do seu filho com o lanche. Se o que ele não consome pela manhã vira petisco para depois da aula de inglês, no fim da tarde, não há lancheira que aguente.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Crianças podem tomar café?
Tudo depende da quantidade consumida e da idade do seu filho. Entenda como as substâncias da bebida agem no organismo das crianças
Renata Losso, especial para o iG São Paulo |
Foto: Getty Images
O café é uma bebida estimulante e pode ser um aliado para os estudos - ou um obstáculo para o desenvolvimento

É provável que você já tenha negado o pedido do seu filho de dar somente um golinho na sua xícara de café, afinal, não são poucos os pais que veem a bebida como prejudicial para a saúde das crianças. Mas na opinião da nutricionista Simone Simas, da Prolab – Centro Diagnóstico Cardiológico, em Curitiba, no Paraná, já se foi o tempo de ver a cafeína como um mal para as crianças: “Na quantidade correta, o café pode proporcionar benefícios para o desenvolvimento infantil e ajudar no aprendizado escolar”.

Simone conta que o café pode ser uma boa fonte de estímulo para crianças que apresentam dificuldade de concentração devido ao sono, especialmente aquelas que estudam no período matinal. “Além de conter substâncias importantes como antioxidantes, minerais e vitaminas, o café aumenta o estado de atenção e alerta das crianças e colabora para o entendimento das aulas”, afirma Simas. Porém, não é indicado que seja consumido em quantidades excessivas.

“O consumo máximo indicado para crianças é de duas xícaras ao dia, preferencialmente com leite, e o consumo deve ser feito no café da manhã e da tarde”, explica a nutricionista. Segundo ela, estudos apontam que a combinação de café com leite é a ideal, já que o segundo apresenta grandes quantidades de cálcio e zinco. Exagerar no consumo, no entanto, é transformar todos os benefícios do café em problemas.

A escolha da quantidade


Insônia, agitação, irritabilidade, dores de estômago e aumento da pressão arterial são alguns dos sintomas que o excesso de café pode trazer a crianças e adultos. E para o pediatra antroposófico Sérgio Spalter, autor de um blog sobre alimentação infantil, o lado ruim do café não para por aí. Segundo ele, a bebida também pode atrapalhar a absorção de cálcio no organismo e causar enjoos e arritmias cardíacas.

O médico afirma que o sistema neurológico do ser humano deve amadurecer de forma adequada, e o consumo do café não é apropriado para tal. “Vivemos num mundo em que as crianças sofrem pela presença de constantes estimulações sensoriais, o que já aumenta a hiperatividade e a agitação infantil; o café se torna mais um fator de estímulo, se consumido por elas”.

Para a nutricionista da Unifesp Carla Fiorillo, a indicação do consumo de café depende da quantidade ingerida. “Sabe-se que a cafeína possui efeito estimulante e também pode atrapalhar a absorção de ferro – o que pode levar à anemia. Mas, por outro lado, o café contém substâncias benéficas para indivíduos de qualquer idade”, diz a especialista. Segundo ela, se uma criança ultrapassar as duas xícaras de café com leite por dia – em proporções de ¾ de leite para ¼ de café – pode perder a concentração e ter seus estudos afetados.
Mas a partir de que idade pode-se liberar o consumo do café para a criança? Na opinião de Fiorillo, é melhor que o café seja consumido por crianças maiores de seis anos. Porém, se a família já tem o hábito de consumir café preto acompanhado de leite dentro de casa, dentro das quantidades recomendadas, Fiorillo não vê contra-indicações. “Para crianças e adultos, alguns estudos já apontam o consumo moderado de café como responsável pela redução do colesterol e do risco de desenvolvimento de diabetes”, afirma.

Ainda assim, é uma recomendação controversa. Spalter acredita que, na infância, quanto mais o café puder ser evitado, melhor: “Se for tomá-lo, que seja a partir da adolescência e diluído no leite, para diminuir os efeitos da cafeína”.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Como fazer seu filho comer verduras e legumes
Na hora da refeição, a palavra-chave para os pequenos comerem bem é persistência. Mas algumas dicas práticas também ajudam
Clarissa Passos, iG São Paulo |

Foto: Getty Images Ampliar
Envolver seu filho na compra e preparo dos alimentos pode fazer com que ele passe a gostar de vegetais antes rejeitados

Há pouco tempo, uma propaganda de TV ganhou popularidade ao retratar uma cena que toda mãe gostaria de ver: no supermercado, um menino esperneava e pedia desesperadamente para a mãe comprar brócolis e chicória. Mas nem só no mundo da publicidade é possível vencer a frequente negativa das crianças frente aos legumes e verduras. O segredo para fazer seu filho comer vegetais está na persistência - e em um pouco de criatividade.
Até por volta dos dois anos de idade as crianças não costumam oferecer resistência aos alimentos. Muitas estão até habituadas ao consumo de batatas, cenouras e espinafre, mas em forma de sopa ou papinha. Quando é hora de apresentar estes alimentos em sua forma natural, a criança estranha - e rejeita.
Outro fator que agrava a equação é o contato do pequeno com alimentos industrializados. "Os problemas aparecem depois. Principalmente com a introdução de açúcar e frituras, que têm um sabor bem mais acentuado que as verduras, e bem mais doce que as frutas", diz o pediatra Sergio Spalter, autor do blog "Cozinhando com o Dr. Spalter", sobre alimentação e nutrição infantil.
Aí é que entra a responsabilidade dos adultos. Em primeiro lugar, o papel dos pais é controlar o que entra em casa. Se pães integrais e produtos de hortifruti frescos estão sempre à mesa, as crianças terão menos chances de consumir balas e salgadinhos.
Além disso, existe o puro e simples - mas não menos eficaz - bom exemplo. "Os pais são o grande exemplo dos filhos. Quando a criança senta-se à mesa e vê seus pais se alimentando de forma adequada, com frutas, verduras e legumes, isso a encoraja a consumir estes alimentos", afirma Daniela Murakami, nutricionista da Nutrir e Brincar, consultoria especializada em nutrição infantil.
Dificuldades e dicas
Nem sempre, no entanto, controlar o que entra na sua casa e alimentar-se de forma saudável bastam para fazer com que os pequenos comam todo o prato de escarola - e ainda peçam uma maçã de sobremesa. Existem abordagens práticas que ajudam os pais a educarem suas crianças para uma alimentação balanceada.
O pediatra Sergio comenta, por exemplo, uma feliz coincidência: se por volta dos 2 anos a criança passa a estranhar alguns alimentos, essa também é a fase em que começa a exercitar a fantasia. Então, por que não fazer da hora da comida um momento de imaginação? Conte histórias e faça jogos para estimulá-los a comer. Uma simples receita de macarrão com legumes pode virar uma poção mágica e as crianças podem se divertir (e comer melhor) se forem desafiadas a adivinhar o conteúdo de cada colherada.
Deixe a criança brincar com os alimentos e convide-a a participar da feira semanal e do preparo dos pratos. Ver que a cenoura é cor de laranja, sentir a textura de sua casca, comprá-la e observar a preparação dela pode despertar o interesse pela até então desconhecida e rejeitada raiz.
Variar nos cortes, na preparação e na apresentação também podem ajudar. Se a criança não come brócolis refogado, tente fazer bolinho de brócolis ou colocar a verdura no arroz. Muitas crianças podem rejeitar cenoura cortada em rodelas, mas gostar de comê-las em palitinhos. E um prato com uma carinha desenhada com os alimentos é bem mais atraente do que a disposição simples da comida.
O que não fazer
Perdidas entre tantas orientações e sugestões do que fazer, as mães costumam se esquecer do que não fazer. "Nunca castigue seu filho caso ele rejeite determinado alimento. Isso fará com que a criança
tenha uma experiência negativa por aquele alimento, associando-o a uma coisa ruim", alerta Daniela.
Também não perca tempo forçando a criança a aceitar couve de bruxelas, especialmente se ela já come chuchu, espinafre e batata doce. Seu filho não é obrigado a gostar de todas as verduras e legumes existentes na face da Terra. "Os pais devem sempre oferecer frutas, legumes e verduras, mesmo que a criança recuse no primeiro momento, pois o paladar muda com o tempo", acrescenta ela.