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domingo, 15 de abril de 2012

Generosidade pode estar nos genes

Pesquisadores americanos descobrem genes que contribuem para uma personalidade gentil e generosa


The New York Times

Foto: Getty Images Ampliar
Estudo indica que genes podem prever a generosidade de uma pessoa

Ser agradável pode estar nos genes afirma novo estudo que descobriu que genes são, ao menos, parte do motivo de uma pessoa ser gentil e generosa.

Pesquisadores da Universidade de Buffalo e da Califórnia avaliaram o comportamento de pessoas com diferentes versões de receptores genéticos de dois hormônios – ocitocina e vasopressina – que acredita-se fazem as pessoas mais agradáveis.

“O estudo descobriu que estes genes combinado com a percepção das pessoas sobre o mundo como um lugar mais ou menos ameaçador pode prever a generosidade”, disse o autor do estudo Micheal Poulin, professor assistente de psicologia da Universidade de Buffalo.

“Especificamente, os voluntários que achavam o mundo ameaçador eram menos dispostos a ajudar – ao menos eles tinham versões dos receptores genéticos que eram associados à gentileza”. Poulin explicou que as versões “mais agradáveis” do receptor genético “permitem que a pessoa supere sentimentos de que o mundo ameaçador e ajude outras pessoas apesar destes medos”. O estudo será publicado no periódico científico Psychological Science.

“O fato de os genes predizerem o comportamento apenas pela combinação das experiências e sentimentos das pessoas em relação ao mundo não é surpreendente pois muitas conexões entre DNA e comportamento social são complexas”, disse Poulin.

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“Portanto se um dos seus vizinhos parecerem ser pessoas generosas, cuidadosas, com preocupações sociais, enquanto outro parece ser mais egoísta, pão-duro e não parecer interessado em trabalhar com afinco, o DNA deles pode explicar porque um é mais agradável que o outro”, disse.

“Nós não estamos dizendo que achamos o gene da generosidade”, disse Poulin. “Mas encontramos genes que prestam uma contribuição para que isto aconteça. O que eu achei interessante é o fato que os genes só fazem sua contribuição na presença de alguns sentimentos que as pessoas têm sobre o mundo que as cerca”.

domingo, 18 de março de 2012

Experimento confirma que neutrinos não viajam mais rápido do que a luz

 

Resultados obtidos em laboratório italiano reafirmam teoria da relatividade de Einstein


AFP | IG


Os neutrinos medidos pelo experimento Ópera, que sacudiu o mundo científico no final setembro, não são mais rápidos que a luz, segundo os cálculos realizados por outra equipe para tentar elucidar o resultado que questionava a física de Einstein, anunciou nesta sexta-feira o CERN.

Esta nova experiência indica que os neutrinos não superaram a velocidade da luz, afirma o comunicado do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN). Em fevereiro, o CERN reconheceu que Os neutrinos mais rápidos que a luz, descobertos no ano passado por físicos do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (na sigla em francês, CERN) nada mais foram do que resultado de uma má conexão entre um dos computadores e o GPS do experimento.

"Começamos a presumir que os resultados do Ópera se deveram a um erro de medida", acrescenta o comunicado.

Em 22 de fevereiro, o site da revista Science já havia afirmado que os resultados da experiência Ópera foram provocados por uma má conexão.

"Uma má conexão entre um GPS e um computador é, sem dúvida, a origem do erro", garantiu a revista americana, que citava "fontes ligadas à experiência".

No final de setembro, os especialistas da equipe Ópera anunciaram que neutrinos percorreram os 730 km entre o CERN, em Genebra, e o laboratório subterrâneo de Gran Sasso, na Itália, em velocidade superior à da luz.

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A maioria dos especialistas não acreditou que uma partícula elementar da matéria tivesse superado a velocidade da luz, considerada um "limite insuperável" na relatividade geral de Einstein.

Segundo a Science, os 60 nanosegundos de vantagem registrados pelos neutrinos sobre a velocidade da luz foram resultado de uma má conexão entre o GPS utilizado para corrigir o momento da chegada e um computador.

Novos estudos serão necessários para confirmar a origem do erro, destacou então a Science.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Livro polêmico diz que europeus colonizaram América antes de indígenas

 

Dupla de pesquisadores afirma que nova teoria é baseada em descobertas arqueológicas



BBC Brasil | IG



Foto: Divulgação Ampliar
Teoria de Bruce Bradley (esq) e Dennis Stanford gerou controvérsia na comunidade científica


Um livro escrito por dois arqueólogos americanos gerou controvérsia na comunidade científica ao defender que os europeus, e não povos provenientes da Ásia, foram os primeiros colonizadores do continente americano.

O livro, lançado recentemente em Washington, aponta novas descobertas arqueológicas, indicando que a América foi colonizada inicialmente por europeus da Idade da Pedra, que cruzaram o Atlântico de barco durante a última Era Glacial, há cerca de 20 mil anos.

Com Across Atlantic Ice: The Origin of America’s Clovis Culture (Pelo gelo do Atlântico: a origem da cultura Clóvis da América, em tradução livre), Dennis Stanford, do Museu Nacional Smithsonian de História Natural, em Washington, e Bruce Bradley, da Universidade de Exeter, no Reino Unido, deram início a uma polêmica entre seus colegas arqueólogos.

É que eles defendem uma teoria considerada radical sobre quem foram os primeiros americanos e quando estes chegaram ao Novo Mundo.

Across Atlantic Ice traça as origens dos solutrenses, que ocuparam o norte da Espanha e França, e de seus supostos descendentes da cultura Clóvis - surgida no final da Era do Gelo e assim batizada por conta dos artefatos encontrados perto da cidade de Clóvis, no Novo México (EUA). O povo da cultura Clóvis era considerado o mais antigo habitante das Américas, com cerca de 13 mil anos.

"O livro é bem pesquisado, interdisciplinar e sério. Mas os dados científicos concretos ainda não estão lá para provar ou refutar a teoria", disse à BBC Brasil Tom Dillehay, renomado arqueólogo da Universidade Vanderbilt, no Tennessee. "Estamos pesquisando teorias para explicar o povoamento das Américas. Esta hipótese é uma das possibilidades, mas os dados genéticos e bioarqueológicos atuais assinalam que a Sibéria, e não a Europa, foi o ponto de entrada."

Ferramentas
Há vários anos Stanford e Bradley têm afirmado que os seres humanos da Idade da Pedra eram capazes de fazer a viagem através do gelo do Atlântico. Mas ainda não contavam com provas suficientes que apoiassem tais indícios. Agora, no entanto, eles dizem ter indícios que sustentam a teoria.

Dezenas de ferramentas de pedra em estilo europeu, que remontam a um período entre 19 mil e 26 mil anos atrás, foram descobertas em seis locais diferentes ao longo da costa leste dos Estados Unidos. Três deles estão localizados na Península Delmarva, em Maryland. Outros dois foram encontrados na Pensilvânia e em Virgínia. Pescadores acharam o último no fundo do mar, a 96 km da costa de Virgínia.

De acordo com a dupla, a completa ausência de qualquer atividade humana no nordeste da Sibéria e no Alasca, num período anterior a 15,5 mil anos atrás, é outro argumento fundamental para a teoria deles. Também defendem que os europeus podem ter sido parcialmente absorvidos ou destruídos pelos índios asiáticos originários.

Além disso, alguns marcadores genéticos para a Idade da Pedra dos europeus ocidentais simplesmente não existem no nordeste da Ásia. Mas já aparecem em pequenas quantidades entre alguns indígenas norte-americanos, o que indicaria uma herança genética desses primeiros habitantes.

Também alguns exames de DNA antigo extraído de esqueletos com 8 mil anos na Flórida revelaram um alto nível de um marcador genético europeu.

Mas há especialistas que discordam deles.

"Os argumentos do livro merecem ser completamente e conscientemente analisados", afirmou Gary Haynes, arqueólogo da Universidade de Nevada. "Tenho certeza de que existem muitas pessoas do público em geral e arqueólogos que aceitarão as teorias, mas não estou convencido."

Haynes disse sentir-se eticamente obrigado a ser cético. De acordo com ele, "as teorias são apenas parcialmente sustentáveis com os indícios disponíveis. Alguns dos argumentos não são lógicos, não foram analisados, ou se baseiam em pressupostos não comprovados e proposições".

DNA

Haynes enumera uma série de fatores que refutam a teoria defendida no livro. Entre eles, destaca que o DNA encontrado em populações nativas americanas não indica uma origem na Europa Ocidental, mas uma ascendência asiática.

O mesmo, de acordo com ele, pode ser dito com relação ao material genético encontrado - tanto nos antigos quanto nos modernos - esqueletos dos nativos americanos.

Além disso, não há esqueletos humanos nas Américas mais velhos do que os da cultura Clóvis; as idades da cultura Solutrense na Europa e da Clóvis nas Américas são amplamente separadas.

O arqueólogo brasileiro Walter Alves Neves, responsável pelo estudo de Luzia, o esqueleto humano mais antigo do continente americano, não quis emitir opinião sobre o livro.

Questionado pela BBC Brasil sobre a nova teoria de Bradley e Stanford, afirmando que os europeus foram os primeiros moradores do Novo Mundo, ele disse desconhecer a hipótese publicada recentemente nos Estados Unidos.

Bradley, por sua vez, considera positivas as críticas a sua teoria. Esse é o caminho natural, diz ele, com a colaboração dos críticos trazendo provas adicionais ou interpretando os indícios atuais.

Segundo Bradley, a arqueologia raramente produz certezas. "Sentimos que as descobertas atuais são muito atraentes, mas para esta teoria ganhar aceitação esmagadora é preciso haver provas adicionais", disse.

O livro é resultado de mais de uma década de trabalho. Stanford e Bradley afirmam que estão apenas no início da jornada e seguem investigando outros locais no Tennessee, em Maryland e no Texas, onde esperam encontrar mais provas que sustentem a teoria. Também estão programadas pesquisas no Maine e na costa oeste americana.

Mas é possível que a maior quantidade de indícios venha do fundo do oceano - nas áreas onde os europeus teriam saído do gelo para a terra seca, atualmente cerca de 160 km abaixo do nível do mar.
Em meados deste ano, Bradley estará em São Paulo e, possivelmente, no Uruguai, para pesquisar indícios de povos primitivos ao longo do lado oriental do continente.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Descoberto novo fóssil de hominídeo que conviveu com homem moderno

 

Hominídeo, que viveu há 14,5 mil anos na China, apresenta mistura de traços físicos arcaicos e modernos


EFE / IG
 |


Foto: Art copyright by Peter Schouten Ampliar
Ilustração do novo hominídeo descoberto em cavernas de Maludong, na China

Fósseis encontrados em duas cavernas do sudoeste da China revelaram a existência de uma espécie de hominídeo até agora desconhecido. Os fósseis da Idade de Pedra apresentavam uma incomum mistura de traços físicos arcaicos e modernos, deixando uma nova pista sobre a evolução humana na Ásia.

Datando entre 14,5 mil e 11,5 mil anos, os fósseis são de hominídeos que conviveram com seres humanos modernos (Homo sapiens) em uma época em que a agricultura estava em seu princípio na China, revelou uma equipe internacional de especialistas no estudo publicado no periódico PLoS One.

Até agora não haviam sido encontrados, no leste do continente asiático, fósseis humanos de menos de 100 mil anos que se diferenciassem fisicamente do Homo sapiens, o que levou os cientistas a pensarem que não havia na região outras espécies de homínideos, quando apareceram os primeiros homens modernos. Com a nova descoberta, esta teoria está sendo posta em dúvida.

"Esses novos fósseis podem ser de uma espécie antes desconhecida que sobreviveu até o final da Idade do Gelo, há 11 mil anos", indicou Darren Curnoe da Universidade de Nova Gales do Sul, da Austrália, que liderou o estudo junto com Ji Xueping do Instituto de Arqueologia e Relíquias Culturais de Yunnan chinês.

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De acordo com Curnoe, a outra opção seria que os fósseis se tratassem de representantes de uma migração da África muito adiantada e desconhecida de homens modernos que, no entanto, não contribuíram geneticamente para o homem atual. A equipe de pesquisadores é cautelosa em classificar os fósseis por causa do mosaico de características incomuns que eles apresentam.

Os restos de três indivíduos foram encontrados em 1989 por arqueólogos chineses em Maludong (na tradução do chinês, Caverna dos Cervos Vermelhos) perto da cidade de Mengzi, na província de Yunnan, mas só começaram a ser estudados em 2008 por cientistas chineses e australianos.

Um quarto esqueleto parcial apareceu em 1979 em uma caverna em Longlin, na região autônoma de Guangxi Zhuang, mas permaneceu no bloco de pedra onde foi descoberto até 2009, quando foi reconstruído.

Os crânios e dentes dos esqueletos encontrados em Maludong e Longlin são muito similares entre si.
Os cientistas apelidaram esses homens de "povo dos cervos vermelhos", já que caçavam esses animais hoje extintos e os cozinhavam na caverna de Maludong.

"A descoberta do povo dos cervos vermelhos abre um novo capítulo na história da evolução humana - o asiático - e é uma história que só agora está começando a ser incluída", afirmou Curnoe.

Embora a Ásia conte atualmente com mais da metade da população mundial, os cientistas ainda sabem pouco sobre como os humanos modernos evoluíram nessa localidade depois que seus ancestrais se fixaram na Eurásia há cerca de 70 mil anos.

Até o momento os estudos sobre as origens humanas se centraram principalmente na Europa e na África, devido em grande parte à ausência de fósseis na Ásia e ao desconhecimento da antiguidade dos poucos restos encontrados nessa zona.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Secas moderadas derrubaram a civilização maia

 

Pesquisadores dizem que secas semelhantes às atuais foram suficientes para acabar com a cultura que dominou a América Central



Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Foto: Science/AAASAmpliar
Templo Tikal, na Guatemala, um dos mais significativos da
cultura maia


A grande e catastrófica seca que teria derrubado a civilização maia em 950 a.C., foi na verdade uma sequência de oito secas moderadas, bem semelhantes com as que acometem atualmente o planeta. De acordo com um grupo internacional de pesquisadores, que pela primeira vez conseguiu quantificar a consequência da falta de chuvas há mil anos, e ao contrário do que se acreditava, as secas foram modestas, mas suficientes o bastante para desencadear eventos sociopolíticos que levaram os maias ao colapso.

Por anos, cientistas suspeitaram que o lento declínio da cultura maia, que dominou o Méxido e a América Central, estava relacionado com secas. Mas até agora, ninguém havia medido a chuva desse período de decadência, que durou 200 anos. De acordo com os cálculos do estudo, que combinou registro das mudanças climáticas em estalagmites com registros fósseis em lagos e modelos hidrológicos, as secas foram provocadas por uma redução de 25% a 40% das precipitações no verão.

“Nosso estudo sugere que o sistema de armazenamento de água ou lagos foi reduzido para 30% de sua capacidade durante cada uma destas secas. Se considerarmos que a civilização maia morava uma região com poucas chuvas – a evaporação na região é duas vezes maior que as chuvas – fica fácil perceber as fortes implicações destas reduções para a agricultura e consumo humano”, disse ao iG Martín Medina-Elizalde do Centro de Pesquisa Científica de Yucatán, no México.

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Medina-Elizalde lembra que há poucos rios na Península de Yucatán, e a maioria da água doce está no lençol freático. “A população maia não tinha sistema de bombeamento de água. Eles confiavam plenamente nas chuvas de verão para abastecer a agricultura e o uso doméstico de água, mas com as secas, um terço da população ficou sem água”, disse.

Os pesquisadores também perceberam que as secas que ocorreram durante o período da queda do império maia têm intensidade muito parecida com aquelas projetadas para a região de Yucatán e América Central, pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, o IPCC. “O alerta está claro. Precisamos nos beneficiar de todo o conhecimento que temos e que a antiga civilização maia não tinha. Precisamos desenvolver instituições sociopolíticas honestas e eficientes para lidar com a crise climática, se não quisermos experimentar consequências que a população maia enfrentou há mil anos”, disse.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cientistas russos atingem lago Vostok, no subsolo antártico

 

Isolado da superfície, lago de água doce pode conter formas de vida até agora desconhecidas



AFP | IG

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Cientistas russos atingem lago Vostok, no subsolo antárticoIsolado da superfície, lago de água doce pode conter formas de vida até agora desconhecidas
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Foto: AFPAmpliar
Príncipe Albert, de Mônaco (3ºE) posa para fotos com cientistas
 perto do centro de pesquisas russo Vostok


Uma equipe de cientistas russos conseguiu atingir o misterioso lago Vostok, situado debaixo de uma camada de gelo de quatro quilômetros na Antártida, um trabalho que consumiu duas décadas de perfurações, anunciou nesta segunda-feira (6) uma fonte do meio científico à agência Ria Novosti.

"Ontem (domingo), nossos cientistas terminaram os trabalhos de perfuração e atingiram a superfície do lago, a 3.768 metros de profundidade", sob a calota polar do Pólo Sul, declarou a fonte, sem dar maiores detalhes.

Contatado pela AFP, um porta-voz do Instituto russo de Pesquisas Científicas para o Ártico e a Antártida informou que só o governo russo poderia confirmar esta informação.

O fim dos trabalhos iniciados há mais de 20 anos permitirão fazer "um estudo científico fundamental" sobre as mudanças climáticas, acrescentou o porta-voz do Instituto, Serguei Lesenkov.

Isolado da superfície há centenas de milhares de anos, este lago de água doce com 250 km de extensão e 50 km de largura (12.500 km2) poderia conter formas de vida até agora desconhecidas.

"Os trabalhos de perfuração começaram em 1989 com o objetivo de fazer investigações sobre paleoclimatologia", explicou Lesenkov. Foi somente depois que "se descobriu que havia um lago logo abaixo do local onde se realizavam as buscas", acrescentou.

Leia também: Cientistas estão a ponto de extrair água mais pura do mundo

Mas no começo dos anos 90, "os trabalhos foram suspensos pela falta de financiamento, (pois) a situação econômica era complicada após a queda da URSS", em 1991, continuou Lesenkov.

As operações foram retomadas em 1996 e foram interrompidas em 1998, depois dos apelos da comunidade internacional, inquieta por uma possível catástrofe ecológica devido ao uso de tecnologia pouco adaptada a estes trabalhos delicados.

"Finalmente, os especialistas do Instituto de Minas de São Petersburgo desenvolveram novas tecnologias de perfuração e os trabalhos foram retomados em 2006", acrescentou Lesenkov.

No ano passado, o ministro russo de Recursos Naturais e Ecologia, Yuri Trutnev, havia declarado que em 2012 "um acontecimento de alcance mundial nos espera".

"Ninguém chegou a tal profundidade na Terra", afirmou.

O estudo da camada de gelo e da água do lago permitirá aos especialistas estabelecer um cenário de mudanças climáticas naturais para os próximos milênios.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Características cerebrais criam vulnerabilidade para vício

 

Estudo mostrou que cérebro de dependentes químicos e seus irmãos sem histórico de abuso de drogas possuem anomalias estruturais


Alessandro Greco, iG São Paulo   
                
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Características cerebrais criam vulnerabilidade para vícioEstudo mostrou que cérebro de dependentes químicos e seus irmãos sem histórico de abuso de drogas possuem anomalias estruturais
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Viciados em drogas e seus irmãos não viciados compartilham as mesmas características cerebrais, não encontradas em outras pessoas saudáveis. Estudo mostrou que o cérebro dos irmãos (dependentes ou não) tem anomalias em uma área do cérebro relacionada ao autocontrole chamada fronto-estriatal. Pesquisadores acreditam que essas anormalidades cerebrais podem ser marcadores de uma vulnerabilidade herdada à dependência de drogas ou abuso de álcool.

“O fato dos irmãos dependentes e não dependentes terem basicamente o mesmo ‘prejuízo’ na capacidade de autocontrole precisa ser interpretado com cuidado porque não reflete o padrão clássico de vulnerabilidade que sugere que parentes em primeiro grau tem características intermediárias entre os pacientes (os dependentes de drogas) e as pessoas saudáveis. Presumivelmente os irmãos (não dependentes) devem ter outros fatores de resiliência que contrapõe a vulnerabilidade familiar à dependência de drogas”, explicou ao iG Karen Ersche, da Universidade de Cambridge, autora do estudo publicado esta semana no periódico científico Science.

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Dinheiro e sexo estimulam áreas diferentes do cérebro

Ao analisar e comparar u o cérebro de dependentes de drogas ou álcool e de seus irmãos sem histórico de abuso dessas substâncias, os pesquisadores também concluíram que a dependência de estimulantes é uma desordem relacionada ao cérebro e pode ser herdada e não apenas a uma escolha de estilo de vida.

Desta forma, o estudo pesquisa fornece insights sobre por que alguns indivíduos com histórico familiar de abuso de drogas estão mais vulneráveis ao risco de vício.“As anormalidades no cérebro afetam regiões relacionadas ao desenvolvimento da dependência de drogas. Isto pode sugerir que alguns indivíduos tenham um risco herdado de desenvolver dependência se usarem drogas regularmente”, afirmou Karen.

No trabalho, os cientistas analisaram primeiro a habilidade dos voluntários em controlar seus impulsos, uma característica sabidamente deficitária nas pessoas com histórico de abusos de drogas ou álcool. O teste utilizado mensurou quão rápido eles conseguiam responder a uma mudança de instrução e o resultado mostrou que os irmãos (dependentes ou não) responderam relativamente pior do que as pessoas saudáveis. Depois do teste, Karen e colegas compararam imagens dos cérebros de todos os voluntários e descobriram as anomalias nos cérebros do irmãos.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Crianças criadas com afeto têm maior hipocampo

 

Estudo mostrou que há um forte vínculo entre a interação com os pais e o tamanho de área cerebral encarregada da memória


EFE | IG
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Crianças criadas com afeto têm maior hipocampoEstudo mostrou que há um forte vínculo entre a interação com os pais e o tamanho de área cerebral encarregada da memória
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Foto: Getty Images
Pesquisadores mostraram que afeto pode provocar mudanças anatômica
no cérebro
 As crianças criadas com afeto têm o hipocampo - área do cérebro encarregada da memória - quase 10% maior que as demais, revela um estudo publicado nesta segunda-feira pela revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" ("PNAS").

A pesquisa, realizada por psiquiatras e neurocientistas da Universidade Washington de Saint Louis, "sugere um claro vínculo entre a criação e o tamanho do hipocampo", explica a professora de psiquiatria infantil Joan L. Luby, uma das autoras.

Para o estudo, os especialistas analisaram imagens cerebrais de crianças com idades entre 7 e 10 anos que, quando tinham entre 3 e 6 anos, foram observados em interação com algum de seus pais, quase sempre com a mãe.

Leia mais:

 
Foram analisadas imagens do cérebro de 92 dessas crianças, algumas mentalmente saudáveis e outras com sintomas de depressão. As crianças saudáveis e criadas com afeto tinham o hipocampo quase 10% maior que as demais. "Ter um hipocampo quase 10% maior é uma evidência concreta do poderoso efeito da criação", ressalta Luby.

A professora defende que os pais criem os filhos com amor e cuidado, pois, segundo ela, isso "claramente tem um impacto muito grande no desenvolvimento posterior".

Durante anos, muitas pesquisas enfatizaram a importância da criação, mas quase sempre focadas em fatores psicossociais e no rendimento escolar. O trabalho publicado nesta segunda-feira, no entanto, "é o primeiro que realmente mostra uma mudança anatômica no cérebro", destaca Luby.

Embora em 95% dos casos estudados as mães biológicas tenham participado do estudo, os pesquisadores indicam que o efeito no cérebro é o mesmo se o responsável pelos cuidados da criança é o pai, os pais adotivos ou os avós.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cientistas desenvolvem técnica para 'ler' pensamentos

Método que analisa sinais elétricos produzidos no cérebro é capaz de reconstruir som das palavras pensadas por pacientes


BBC Brasil | IG



Foto: Getty ImagesAmpliar
Pesquisadores monitoraram as ondas cerebrais de 15 pacientes


Cientistas americanos criaram um método para descobrir palavras nas quais pacientes estavam pensando, com base em suas ondas cerebrais.

A técnica, descrita na revista científica PLoS Biology, se baseia nos sinais elétricos nos cérebros de pacientes que ouviam diferentes palavras. Um computador foi depois capaz de reconstruir os sons nos quais os pacientes estavam pensando.

Segundo os pesquisadores, o método poderia ser usado no futuro para ajudar pacientes em coma ou com síndrome de encarceramento a se comunicar.

Imagens e sons

Estudos recentes vêm aperfeiçoando maneiras de "ler" pensamentos.No ano passado, a equipe do cientista Jack Gallant, da Universidade da Califórnia, Berkeley, desenvolveu uma maneira de relacionar os padrões de fluxo sanguíneo no cérebro a determinadas imagens nas quais os pacientes estavam pensando.

Agora, Brian Pasley, da mesma universidade, liderou uma pesquisa aplicando princípios semelhantes aos sons.

Sua equipe se concentrou no giro temporal superior (GTS), uma região do cérebro que não só é parte do aparato auditivo, mas também nos ajuda a entender linguisticamente os sons que ouvimos.

Palavra secreta

Os pesquisadores monitoraram as ondas cerebrais de 15 pacientes selecionados para cirurgia devido a epilepsia ou tumores, enquanto diferentes alto-falantes tocavam gravações contendo palavras e frases.

Eles usaram então um programa de computador para mapear que partes do cérebro reagiam, e de que forma, quando a pessoa ouvia diferentes frequências sonoras.

Depois, os pacientes recebiam uma lista de palavras e escolhiam uma na qual deveriam pensar. Com a ajuda do programa de computador, a equipe conseguia descobrir que palavra havia sido escolhida.

Eles conseguiram até reconstruir algumas das palavras, transformando as ondas cerebrais que eles viam de volta em som, com base nas interpretações feitas pelo computador.

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"Este trabalho tem uma natureza dupla: a primeira é a ciência básica de entender como o cérebro funciona. A outra, do ponto de vista protético. Pessoas que têm problemas de fala poderiam usar um aparelho protético, quando elas não conseguem falar, mas conseguem pensar no que elas querem dizer", explicou um dos autores do estudo Robert Knight.

"Os pacientes estão nos dando estas informações, então seria bom podermos dar alguma coisa em troca no fim."

Os cientistas explicam, no entanto, que a ideia de "leitura de pensamento" ainda precisa ser amplamente aperfeiçoada para que aparelhos do tipo se tornem uma realidade.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Genes são responsáveis por 40% da inteligência ao longo da vida

 

De acordo com estudo, os outros 60% são determinados por fatores como nutrição, educação dos pais e escolaridade



EFE - IG

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Genes são responsáveis por 40% da inteligência ao longo da vidaDe acordo com estudo, os outros 60% são determinados por fatores como nutrição, educação dos pais e escolaridade
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Os genes são responsáveis por 40% da inteligência ao longo da vida do ser humano, enquanto os outros 60% são determinados pelo contexto, indica um estudo genético publicado nesta quarta-feira (17) na edição digital da revista científica "Nature".

Peter Visscher, especialista em genética da Universidade de Queensland, considerou que a inteligência incide nas chances de sobrevivência, em declarações à emissora australiana "ABC".

Com o objetivo de saber por que algumas pessoas envelhecem mais inteligentes, o cientista australiano e pesquisadores britânicos examinaram testes de inteligência de mais de duas mil pessoas, que o fizeram aos 11 anos de idade e depois aos 65.

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A maioria das pessoas que tinham uma inteligência média quando crianças a aumentou durante a etapa adulta, e as que tinham uma inteligência abaixo da média no início de sua vida mantiveram esta média na velhice.

O contexto no qual a vida se desenvolve, considerando-se fatores como nutrição, educação dos pais e escolaridade, contribui para o desenvolvimento da inteligência, comprovaram os pesquisadores.

Durante o estudo, os especialistas também analisaram amostras genéticas e quantificaram o papel dos genes nas mudanças da inteligência à medida que o ser humano envelhece.

"Calculamos que entre um quarto e um terço destas mudanças são genéticas", indicou Visscher.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Nasa diz ter prova definitiva de que houve água em Marte

 

Jipe-robô Opportunity encontrou veio de gesso que se forma, geralmente, pelo fluxo de água dentro de rochas

Reuters |IG

Foto: NASA/JPL-Caltech/Cornell/ASU

Veios de gesso são a prova mais convincente até agora de que Marte teve água no passado



O jipe Opportunity, da Nasa, encontrou a prova mais convincente até agora de que Marte teve água no passado - um veio de gesso, mineral depositado pela água, projetando-se a partir de uma rocha antiga.
O jipe Opportunity e seu "gêmeo" Spirit chegaram em 2004 a lados opostos do planeta. Com o auxílio de sondas orbitais, eles ofereceram ao longo dos anos várias pistas convincentes de que o planeta nem sempre foi tão frio e seco quanto hoje.
A maior dessas provas, apresentada nesta semana na conferência da União Geofísica Americana, em San Francisco, é um fino veio de gesso numa rocha da beirada da cratera Endeavour, que tem 154 quilômetros de diâmetro.
O gesso geralmente se forma pelo fluxo de água dentro de rochas.
"É a observação mais 'à prova de balas' que acho que já fizemos em toda essa missão", disse à Reuters Steve Squyres, pesquisador-chefe dos jipes Spirit e Opportunity.

O Spirit não está mais operacional, mas o Opportunity continua enviando dados de Marte.
Leia mais:








Materiais depositados pela água já haviam sido encontrados a céu aberto, o que dificulta sua interpretação, já que eles podem ser deslocados pelo vento. Já o veio de gesso oferece uma análise mais inequívoca, por estar gravado na rocha.
Segundo Squyres, as características químicas e geológicas do veio "simplesmente gritam (que havia) água."

Atualmente, a Nasa está enviando outra sonda para Marte, a Curiosity, para investigar a existência atual ou passada de água na cratera Gale, em outro ponto do planeta.

Ratos têm compaixão e empatia por seus semelhantes, diz estudo

 

Experiência provou que roedores se esforçam para libertar companheiros presos e depois dividem chocolate com eles

 
 
iG São Paulo


    Foto: Science/AAAS Ampliar
    A presença de um companheiro enjaulado fazia o rato focar esforços em sua libertação



    A pergunta: “Você é um homem ou um rato?” está prestes a ganhar uma nova conotação. Novas experiências mostram ratos demonstrando compaixão e ajudando outros roedores, um traço de comportamento que até agora alguns cientistas achavam que era exclusividade de humanos e primatas superiores, como chimpanzés.


    Leia também:

    Nas experiências, que foram repetidas à exaustão, ratos libertaram outros ratos presos em jaulas, mesmo quando chocolates foram postos para servir de distração. De 30 animais, 23 abriam a jaula e libertavam o outro animal, empurrando uma portinha. Os ratos poderiam ter simplesmente comido o chocolate antes de libertar seus amigos, mas muitos não fizeram isso, escolhendo ajudar primeiro e depois dividindo a guloseima.

    “O que o estudo nos contou é que, para os ratos, libertar um companheiro é tão importante quanto comer chocolate,” diz a autora do estudo Peggy Mason, da Universidade de Chicago. “É algo crucial”.

    Em alguns casos, os ratos tiravam antes os pedaços de chocolate de um recipiente, mas não comiam. Prosseguiam abrindo a jaula e depois dividiam o doce, “quase como se estivessem servindo a eles,” descreve Peggy, que relatou suas descobertas na edição desta semana do periódico científico Science. Os animais demoravam alguns dias para aprender como abrir a jaula, mas depois que dominavam a técnica, demoravam menos de um minuto para libertar seus amigos presos. Quando as jaulas estavam vazias ou tinham algum objeto, os ratos não mexiam nelas.

    O estudo mostrou fêmeas mostravam mais empatia que machos. Todas as seis fêmeas do estudo libertaram seu companheiro cativo; 17 dos 24 machos fizeram o mesmo. Isso confirma outros estudos em animais que mostram que fêmeas têm comportamentos socialmente mais ativos que machos. Em alguns dias, alguns machos “tiravam folga” da tarefa de libertar os amigos, mas isso nunca aconteceu com as fêmeas, de acordo com Peggy.

    Jeff Mogil, da Universidade McGill, do Canadá, não esteve envolvido na pesquisa, mas afirmou que embora um pouco surpreendentes, as provas eram convincentes. “É uma demonstração muito óbvia do fenômeno de empatia e compaixão,” afirmou à AP. Ambos os pesquisadores afirmaram que empatia social deve ter sido uma característica importante na evolução animal. Peggy brincou: “Se ratos podem cuidar e ajudar uns aos outros, dá para ter otimismo que nós também podemos ser assim”.

    (Com informações da AP)

    quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

    Cientistas desvendam profecia maia do 'fim do mundo em 2012'

     


    Especialistas explicam que maias não previram o fim do mundo, apenas o fim de um ciclo

     
    BBC Brasil | IG
     
    Foto: Getty Images
    Cultura maia: Teoria do fim do mundo é contada a turistas no México, Guatemala, Belize



    Arqueólogos de diversos países se reuniram no Estado de Chiapas, uma área repleta de ruínas maias no sul do México, para discutir a teoria apocalíptica de que essa antiga civilização previra o fim do mundo em 2012.
     
    A teoria, amplamente conhecida no país e contada aos visitantes tanto no México como na Guatemala, Belize e outras áreas onde os maias também se estabeleceram, teve sua origem no monumento nº 6 do sítio arqueológico de Tortuguero e em um ladrilho com hieróglifos localizado em Comalcalco, ambos centros cerimoniais em Tabasco, no sudeste do país.
     
    O primeiro faz alusão a um evento místico que ocorreria no dia 21 de dezembro de 2012, durante o solstício do inverno, quando Bahlam Ajaw, um antigo governante do lugar, se encontra com Bolon Yokte´, um dos deuses que, na mitologia maia, participaram do início da era atual.
     
    Até então, as mensagens gravadas em "estelas" – monumentos líticos, feitos em um único bloco de pedra, contendo inscrições sobre a história e a mitologia maias – eram interpretadas como uma profecia maia sobre o fim do mundo.

    Entretanto, segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah), uma revisão das estelas pré-hispânicas indica que, na verdade, nessa data de dezembro do ano que vem os maias esperavam simplesmente o regresso de Bolon Yokte´.

    Leia mais:

    "(Os maias) nunca disseram que haveria uma grande tragédia ou o fim do mundo em 2012", disse à BBC o pesquisador Rodrigo Liendo, do Instituto de Pesquisas Antropológicas da Universidade Autônoma do México (Unam).

    "Essa visão apocalíptica é algo que nos caracteriza, ocidentais. Não é uma filosofia dos maias."

    Novas interpretações

    Durante o encontro realizado em Palenque, que abriga uma das mais impressionantes ruínas maias de toda a região, o pesquisador Sven Gronemeyer, da Universidade australiana de Trobe, e sua colega Bárbara Macleod fizeram uma nova interpretação do 6º monumento de Tortuguero.
     
    Para eles, os hieróglifos inscritos na estela se referem à culminação dos 13 baktunes, os ciclos com que os maias mediam o tempo. Cada um deles era composto por 400 anos.
    "A medição do tempo dos maias era muito completa", explica Gronemeyer. "Eles faziam referência a eventos no futuro e no passado, e há datas que são projetadas para centenas, milhares de anos no futuro", afirma.
     
    Para a jornalista Laura Castellanos, autora do livro 2012, Las Profecias del Fin del Mundo, o sucesso da teoria apocalíptica junto à cultura ocidental se deve a uma "onda milenarista" que, segundo ela, "antecipa catástrofes ou outros acontecimentos cada vez que se completam dez séculos".
     
    Para Castellanos, esse tipo de efeméride é reforçada por uma "crise ideológica, religiosa e social".

    Ela observa que as profecias sobre 2012 não têm somente uma "vertente catastrófica", mas também uma linha que "prognostica o despertar da consciência e o renascimento de uma nova humanidade, mais equitativa".
     
    Crença no final

    A asséptica explicação científica e histórica vai de encontro à crença popular no México, um país onde há quem procure adquirir os conhecimentos necessários para sobreviver com seu próprio cultivo de alimentos em caso de uma catástrofe mundial.
     
    Muitos dos que vivem fora procuram regressar ao país porque sentem que precisam estar em casa em 2012, e há empresas que oferecem espaço em bunkeres subterrâneos, com todas as comodidades.

    Afinal, o possível fim do mundo também é negócio. O próprio governo mexicano lançou uma campanha para promover o turismo no sudeste do país, onde estão localizados os sítios arqueológicos maias.
     
    Muitos governos dos Estados onde existem ruínas da antiga civilização maia já estão registrando aumento na chegada de turistas.