segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Pesquisa revela o que torna o ser humano otimista

Pessoas otimistas ignoram evidências de um futuro negativo por causa de um 'defeito' na região frontal do cérebro, afirma estudo realizado na Inglaterra




Cérebro: 'defeito' no lobo central nos faz otimistas
Cérebro: 'defeito' no lobo central nos faz otimistas
(Sebastian Kaulitzki/Hemera/Getty Images)

A visão positiva do mundo é uma questão que intriga os cientistas há décadas: por que o otimismo humano é tão persistente, uma vez que a realidade continuamente nos confronta com informações que vão contra as visões mais positivas? Cientistas da University College London, na Inglaterra, afirmam ter encontrado a resposta, em um estudo publicado no periódico Nature Neuroscience. O motivo: um 'defeito' no lobo frontal do cérebro.


 Os cientistas explicam que indivíduos muito otimistas tendem a aprender apenas a partir das informações que reforçam a visão positiva do mundo. De acordo com a pesquisa, as pessoas não conseguem alterar previsões otimistas diante de informações de conflito por causa de erros na forma como processamos informações em nosso cérebro.

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LOBO FRONTAL
O lobo frontal é uma região do cérebro associada à recompensa, atenção, tarefas de curto prazo e planejamento. A animação mostra, em vermelho, o lobo frontal esquerdo do cérebroAnimação do lobo frontal do cérebro (em vermelho)
MEXT Japão
Como foi feito o experimento — Os pesquisadores apresentaram uma série de eventos pessimistas para 19 voluntários. Situações como o roubo de um carro ou um diagnóstico de uma doença, como o Parkinson. Os cientistas monitoraram a atividade nos cérebros dos participantes enquanto eles observavam as situações. As pessoas tinham que estimar a probabilidade de vivenciarem no futuro as situações observadas.


 Depois de uma pequena pausa, os cientistas diziam qual era a chance média para que aquele evento ocorresse. No total, os voluntários analisaram 80 situações. Depois das sessões de monitoramento cerebral, os participantes faziam uma nova estimativa com base nas novas informações. Eles também tinham que preencher um questionário medindo o nível de otimismo.


Os pesquisadores descobriram que as pessoas alteravam a estimativa que haviam feito, mas apenas se a informação era melhor que o esperado. Por exemplo, se tivessem previsto que a chance de sofrer câncer no futuro era de 40%, mas a média apresentada pelos cientistas era de 30%, o ajuste era feito para perto de 30%. Contudo, se a informação fosse pior que o esperado, por exemplo, se tivessem estimado que a chance de sofrer câncer era de 30% e os cientistas dissessem que era de 40%, o ajuste era muito menor, como se os dados apresentados pelos cientistas fossem ignorados.


'Defeito' — A análise cerebral mostrou que todos os participantes tiveram uma atividade maior no lobo frontal quando a informação era melhor que o esperado. Essa atividade processava a informação para recalcular a estimativa. Contudo, quando os dados eram piores que o esperado, quanto mais otimista era o voluntário (de acordo com o questionário), menor era a atividade do lobo frontal para refazer o cálculo, sugerindo o porquê dos participantes ignorarem as evidências apresentadas.


 Os pesquisadores afirmam que o otimismo ajuda na saúde mental, reduzindo o stress e a ansiedade. Contudo, há desvantagens. "Isso também significa que as chances de não sermos precavidos aumenta", explica Tali Sharot, uma das autoras do estudo. A pesquisadora acrescenta: "Muitos especialistas acreditam que a crise financeira de 2008 foi causada por analistas superestimando o rendimento de seus bens mesmo diante de evidências que provavam o contrário."


 John Williams, outro neurocientista da University College London, mas que não participou do estudo, comentou: "Entender por que algumas pessoas permanecem otimistas pode dar pistas importantes sobre o que acontece quando o cérebro não funciona devidamente".

Fonte:  VEJA

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