sexta-feira, 30 de março de 2012

Luiz Felipe Pondé: "Homens e mulheres não são iguais"

Uma conversa rápida com o polêmico filósofo sobre mulheres, homens, filhos e envelhecimento


Redação iG São Paulo |


O filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé costuma despertar reações extremadas - sobretudo entre mulheres -- em função dos pontos de vista considerados por muitos conservadores e, eventualmente, pessimistas. Recifense, de origem judaica, atualmente é professor de Ciências da Religião na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e de Filosofia, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

Num bate-papo rápido, ele falou ao iG o que pensa sobre mulheres, homens, machismo, envelhecimento, filhos e conquistas. Confira agora.

Foto: Flávia Watanabe Ampliar
O filósofo Luiz Felipe Pondé sustenta opiniões polêmicas sobre mulheres

iG: O que falta às mulheres?
Pondé: As mulheres devem sempre buscar igualdade diante de um tribunal da lei e de salários. Mas homens e mulheres não são iguais. O tema da igualdade, fora desse contexto jurídico e trabalhista, é um enorme erro e coisa de mulher infeliz, que só conhece homens ruins. Pena que as mulheres mais felizes não têm tempo para escrever sobre a relação delas com os homens.

iG: Machismo é...
Pondé: Só entendo o machismo no que se refere a homens que espancam mulheres.

iG: O que é fundamental ensinar para os nossos filhos homens?
Pondé: Que eles não precisam ser mulheres para serem do bem e que não precisam ter medo das mulheres só porque começam a perceber que gostam delas e, por isso, como todo mundo, seja homem ou mulher, temem aquilo que mais desejam...

iG: E para nossas filhas?
Pondé: É claro que devemos ensinar as meninas a buscarem independência econômica e financeira, mas também precisamos dizer a elas que mulheres que gostam de homens são uma benção para os homens. É essencial ensinar meninos e meninas que homens e mulheres são "feitos" um para o outro e que não devemos pensar em "nós" e "elas" ou “nós” e "eles", mas sim lembrar da delicia que é quando estamos juntos nos desejando mutuamente, ainda que de forma apenas platônica. Para mim, o mundo profissional melhorou muito depois que as mulheres entraram nele. Essa, aliás, é minha principal razão de defender a emancipação feminina: egoísmo sexual. Uma reunião de business sem mulheres é um deserto...

iG: O que dizer para uma mulher que acabou de casar?
Pondé: Boa sorte e cuidado. Não esqueça que a partir de agora tem um ser diferente de você vivendo com você e não adianta querer que ele seja como você porque ele jamais será. Sim, não seja pudica e goste de sexo.

iG: O que define uma bela mulher?
Pondé: Isso é como pedir a definição de Deus. Uma bela mulher consome a realidade à sua volta com suas pernas, seus seios, cabelos e gestos (a brecha por onde aparece a alma invisível). Respira-se melhor quando há uma bela mulher por perto!

iG: Quem está envelhecendo bem?
Pondé: A rigor, ninguém. O envelhecimento não é para covardes. E quanto mais as pessoas querem ser jovens quando não mais o são, pior fica. Jogue fora cremes de pele, maquiagem, viagra. Para envelhecer bem você precisa aprender a detestar baladas e não bancar o ridículo (ou a ridícula) mandando para o mundo mensagens relacionadas com hábitos que há muito você não tem mais.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sete perguntas sobre brincadeiras infantis

 

“É importante permitir que a criança aprenda a brincar sozinha”, afirma Kathleen Alfano, especialista com mais de 40 anos dedicados ao desenvolvimento da criança


Clarissa Passos, iG São Paulo |


Foto: Jackie Albarella Ampliar
Kathleen Alfano: depois da alimentação, afeto e cuidados pessoais, brincadeiras são o mais importante para uma criança

Kathleen Alfano tem mais de 40 anos de experiência em desenvolvimento e educação infantil. Mais de 30 deles foram passados à frente do Play Lab, laboratório de apoio à criação de brinquedos da Fisher-Price. Especialista no assunto reconhecida internacionalmente, ela conheceu o mundo dando palestras em países de culturas tão diferentes quanto Rússia e Japão. Hoje diretora sênior do Departamento de Pesquisa Infantil da empresa, Kathleen também é pesquisadora e PhD em educação.

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Ela falou ao Delas sobre brinquedos e brincadeiras diretamente do Play Lab, em East Aurora, nos Estados Unidos, cidade onde ficam os escritórios da Fisher-Price. Segundo Kathleen, a percepção geral de que brinquedos eletrônicos são ruins para a imaginação está equivocada. E os pais precisam aprender a respeitar o tempo de brincadeira dos filhos. “Brincar não é apenas algo que a criança faz para passar o tempo”, resume. Quando bem estimuladas, crianças que brincam tendem a ser mais bem-sucedidas que as outras. Leia a entrevista completa abaixo e deixe seu comentário: você concorda com Kathleen?

iG: Qual a importância do brincar para a criança?

Kathleen Alfano:
Segundo estudos acadêmicos e minha própria observação, crianças que brincam são mais bem ajustadas. É por meio da brincadeira que elas aprender a resolver problemas. Elas aprendem a dividir, a se defender, a falar – tudo através da brincadeira. Elas resolvem problemas e treinam o pensamento criativo. Então, quem brinca acaba sendo, segundo estudos, uma criança mais bem ajustada e um aluno melhor.

O brinquedo ajuda a brincadeira a acontecer. A brincadeira acontece sem os brinquedos, mas eles facilitam a brincadeira. Quando você tem um brinquedo adequado para a idade, baseado nas habilidades de desenvolvimento da criança, eis uma combinação perfeita.
Foto: Thinkstock Ampliar
Para as crianças, brincar é a primeira forma de se relacionar com o mundo


iG: Hoje em dia, essa importância da brincadeira é subestimada?

Kathleen Alfano:

Sim. Há uma percepção geral de que brincar é algo que as crianças fazem só para passar o tempo. Mas na verdade, brincar tem um papel fundamental no desenvolvimento infantil. É a maneira da criança sentir-se livre para experimentar, descobrir e explorar. Algumas pré-escolas daqui [dos Estados Unidos] querem tirar o horário livre da grade diária e estamos tentando impedi-los de fazer isso. A criança precisa ter um tempo livre para brincar.

iG: Você acha que brincar é tão importante para a criança quanto comer?

Kathleen Alfano:
Depois da alimentação, do afeto e dos cuidados físicos, vem o brincar. Crianças que são bem-nutridas, amadas e bem cuidadas serão bem sucedidas. Mas, se brincarem, alcançarão ainda mais sucesso.

iG: Nestes 40 anos de experiência, você viu muitas mudanças na maneira que as crianças brincam?

Kathleen Alfano:
Não na forma como elas brincam, mas com o que elas brincam. Crianças gostam de explorar, apertar botões, criar sons. Isso tem sido sempre igual. Mas hoje eles têm objetos diferentes para brincar, e isso faz com que eles pareçam mais espertos aos nossos olhos. Porque eles podem brincar com um iPhone ou um iPad, entre outros gadgets. Eles não têm medo de tecnologia, nem de explorá-la. Mas ainda gostam de brincar das mesmas coisas: de faz de conta, de inventar histórias, brincar com a caixa onde veio o brinquedo...
Foto: ig
Brincadeiras para todas as idades e tipos de crianças


iG: E os pais?

Kathleen Alfano:
Os pais mudaram. Eles estão mais informados e têm mais expectativas. Hoje há mais fabricantes de brinquedos, mais lojas e eles têm mais decisões a tomar. Mas todos eles têm o mesmo objetivo: fazer o melhor para seus filhos.

iG: Qual o maior erro dos pais quando o assunto é o brincar?

Kathleen Alfano:
Um erro muito comum é julgar que brinquedos eletrônicos são ruins. Eletrônicos não “roubam” a imaginação das crianças, que são muito adaptáveis. Se o componente eletrônico for um opcional, de forma que o brinquedo seja funcional mesmo sem pilhas, não há problemas. Quem está no controle é a criança.

iG: E qual o papel dos pais nas brincadeiras dos filhos?

Kathleen Alfano:
Os pais devem proporcionar um ambiente seguro, brinquedos adequados para a idade e tempo para a criança brincar. Além disso, devem respeitar a brincadeira: muitas vezes a criança leva um tempo para sair do faz de conta. Por fim, estar presente é importante, mas tão importante quanto é permitir que a criança também aprenda a brincar sozinha.

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sábado, 24 de março de 2012

EUA mudam diretrizes e aumentam periodicidade do Papanicolaou



De anual, teste para detecção de câncer de colo do útero passará a ser feito a cada três anos


The New York Times* - IG
Foto: Getty Images Ampliar
Consulta: orientação de espaçar mais as visitas ao médico está gerando polêmica nos EUA

Por quase três gerações, as mulheres foram ensinadas que testes de Papanicolaou, mamografias, e visitas anuais ao médico eram essenciais para a boa saúde.

Agora, tudo isso está mudando. As diretrizes nacionais dos EUA estão pedindo exames menos frequentes para detecção de câncer de mama e câncer cervical.

A diminuição no uso de hormônios da menopausa significa que as mulheres mais velhas não precisam mais consultar seus médicos para obter as novas prescrições anuais. As mulheres estão postergando a gravidez e alguns métodos contraceptivos são eficientes por até cinco anos, o que não as incentiva a agendar consultas regulares. Para muitas mulheres que realizaram visitas anuais ao ginecologista desde a adolescência, o conselho de que isso não é mais necessário é inquietante.

"Preocupa-me que essa possa ser a mensagem errada", afirmou Miriam Richards, enfermeira em Raleigh, Carolina do Norte, que foi tratada contra uma displasia pré-cancerosa, revelada durante um teste de Papanicolaou anual.

"Eu acredito que esse é um mau caminho a se trilhar, porque eu creio que as mulheres, em especial as meninas, devem ficar atentas."

Entretanto, os especialistas médicos continuam a pregar que, quando se trata de exames para detecção de câncer, mais não é necessariamente melhor. Por muitos anos, as mulheres foram aconselhadas a iniciar a mamografia aos 40 anos; então, em 2009, a força-tarefa de Serviços de Prevenção dos Estados Unidos elevou a idade recomendada para 50 anos – e especificou que o exame passasse a ser realizado a cada dois anos, em vez de anualmente.

Na semana passada, a força-tarefa e alguns grupos médicos, incluindo a Sociedade Oncológica Americana, recomendaram que o exame de Papanicolaou para detecção do câncer de colo de útero fosse feito a cada três anos, afirmando que as mulheres não devem começar a fazê-lo antes dos 21 anos. No passado, o exame era recomendado a cada um ou dois anos, poucos anos depois do início da vida sexual.

A preocupação é que exames mais frequentes para detecção do câncer, seja de mama ou de colo de útero, levem a um número maior de falsos positivos – e biópsias intrusivas e dolorosas que causam stress, desconforto e, no caso do exame para detecção do câncer de colo de útero, sangramentos e futuros riscos para as mulheres durante a gravidez.


A mudança de cenário dos exames para detecção do câncer certamente terá um efeito sobre os cuidados com a saúde feminina, mas ninguém sabe ao certo de que maneira.

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Há muito tempo, as mulheres têm sido as usuárias mais frequentes da assistência médica, em especial para cuidados pré-natais e visitas ao pediatra com seus filhos. Mas, mesmo quando a gravidez e os cuidados pediátricos são removidos da equação, as mulheres ainda têm uma chance 33% maior de visitar o médico, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

A taxa de consultas médicas para exames anuais e serviços de prevenção para mulheres é o dobro da masculina. E, o mais importante, os ginecologistas frequentemente utilizam a consulta anual para trazer à tona problemas que podem dificultar a reprodução: tabagismo, ganho de peso, pressão alta, depressão.

"Eu entendo os relacionamentos estreitos que se formam entre os médicos e as pacientes durante suas consultas anuais", afirmou Wanda Nicholson, membro da força-tarefa de um serviço de prevenção e professora associada da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.

"Mas nossas recomendações dizem respeito apenas aos exames para detecção do câncer de colo de útero. Não desejamos alterar ou mudar a possibilidade de as mulheres entrarem em contato com seus médicos para conversar sobre outras preocupações."


Susan Love afirma que, ainda que as consultas médicas anuais possam ser reconfortantes, não há qualquer evidência de que elas produzam melhores resultados em saúde.

"Não há dados que demonstrem que as visitas anuais tenham qualquer efeito", afirmou Love, pesquisadora do câncer de mama e uma importante defensora da saúde da mulher em Santa Monica, Califórnia.

"No atual sistema de saúde, você raramente tem o mesmo médico a vida toda. Portanto, as relações que você constrói em 15 minutos não valerão de nada quando você realmente ficar doente."


Algumas mulheres dizem que as novas diretrizes não irão dissuadi-las das consultas médicas regulares, e podem, na verdade, torná-las mais dispostas a agendar as consultas, sabendo que é menos provável que sejam submetidas a um exame pélvico e a um exame de Papanicolaou.

Uma mãe de dois filhos, de 32 anos de idade, natural de Atlanta, que pediu que seu nome não fosse revelado, contou que seu seguro paga apenas uma consulta de bem-estar por ano, e que ela gostaria de mudar seus cuidados para um clínico geral, ao invés de gastar todo o pagamento com uma visita ao ginecologista.

"Eu preciso falar mais sobre problemas reprodutivos com o meu médico", afirmou. "Eu não quero falar com meu ginecologista sobre a minha dor no pé, mas, no clínico geral, podemos falar sobre dores no pé e no joelho. Ele verificou manchas suspeitas em minha pele, fez exames de sangue e eu recebi uma vacina antitetânica. Nós falamos sobre o fato de meu pai ter removido pólipos pré-cancerosos do cólon. Você sente que pode falar sobre mais coisas com um clínico geral."


Richards, a enfermeira da Carolina do Norte, diz que não sabe como as mudanças afetarão o relacionamento das mulheres com seus médicos.

"Primeiro a questão da mamografia e agora a do Papanicolaou", comentou.

"Ou isso vai nos tornar mais determinadas a conseguir o que precisamos, ou nós vamos ter uma postura mais indiferente. É com as meninas que eu me preocupo."
* Por Tara Parker Pope

quinta-feira, 22 de março de 2012

Doença misteriosa que afeta crianças devasta nordeste de Uganda

 

Autoridades sanitárias pesquisam as possíveis causas da doença desde 2009, sem sucesso


Reuters Health* IG


Foto: Reuters

Nancy Lamwaka tem hematomas por todo o corpo porque perdeu
 a capacidade de reconhecer o perigo


Na maioria das manhãs, Michael Odongkara leva a filha para fora de casa e amarra o tornozelo da menina a uma árvore. Não é algo que ele goste de fazer. Mas a doença que provoca violentos ataques epiléticos diminuiu tanto a capacidade mental da criança, de 12 anos, que ela já não fala e, muitas vezes, se perde no caminho. Certa vez, ela se perdeu no mato por três dias.

"Dói muito amarrar minha própria filha a uma árvore... mas eu sou forçado a faze-lo porque quero salvar a vida dela. Eu não quero que ela se perca e morra em um incêndio, ou ande e se afogue nos pântanos próximos ", disse ele.


Lamwaka sofre de uma doença que está sendo chamada de “nodding syndrome”, ou síndrome do cabeceio (em tradução literal). De origem desconhecida e sem cura, as autoridades de Uganda estimam que mais de três mil crianças tenham sido afetadas pela doença.Nomeada desta forma por provocar episódios semelhantes a ataques epilépticos, a doença, que afeta principalmente crianças entre cinco e 15 anos, já fez mais de 200 vítimas em Uganda nos últimos três anos. Milhares de crianças no sul do Sudão também estão doentes.
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Como as crises são muitas vezes desencadeadas por alimentos, as crianças que têm a síndrome tornam-se desnutridas e atrofiam mental e fisicamente.

"Há um efeito geral no sistema neurológico e na memória que prejudica a visão, o ato de comer ou até mesmo o simples reconhecimento do ambiente," disse Emmanuel Tenywa, conselheiro no controle de doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS), em Uganda.

Lamwaka teve convulsões até cinco vezes por dia nos últimos oito anos e sua saúde deteriorou. O pai assiste impotente.

"Quando ela ainda falava, ela pedia comida", disse ele. "Hoje em dia ela só estende a mão”, relata.

Por que isso acontece?

A síndrome foi documentada pela primeira vez na Tanzânia em 1962. Cinquenta anos depois, os pesquisadores ainda não sabem o que ela é.

"Temos uma longa lista de coisas que não causam a doença. Mas nós ainda não temos uma causa definitiva", disse Scott Dowell, diretor da divisão de detecção global de doenças e resposta de emergência dos Centers for Disease Control (CDC).

Funcionários do CDC de Atlanta estiveram em Uganda durante nove dias em fevereiro, na última das três viagens para investigar a doença.

"Excluímos, por meio de nossos estudos de campo e testes de laboratório, mais de três diferentes causas hipotéticas, incluindo 18 famílias de vírus", disse Dowell.

É uma situação relativamente rara para o CDC: de 600 surtos de doenças investigadas pela divisão da organização de detecção da doença global, apenas seis não foram resolvidas.

Embora eles não tenham razão para acreditar que a doença vá se espalhar, os pesquisadores podem não estar certos. Dowell cita a "doença do emagrecimento", que surgiu na África Ocidental na década de 1980 e acabou por ser o início da AIDS.

Possíveis pistas

Os pesquisadores têm algumas pistas: uma é uma possível ligação com o parasita da mosca preta que causa cegueira do rio, uma condição chamada de oncocercose. "Todos esses casos são relatados em áreas onde há a oncocercose, por isso, acreditamos fortemente que há uma relação entre os dois", disse Tenywa, da OMS.

Os investigadores pretendem fazer testes genéticos em amostras de pele colhidas de crianças para tentar estabelecer uma ligação.

"Nas próximas semanas pretendemos descobrir se esta é uma variante da oncocercose ou se poderia ser algum outro tipo de parasita que se parece com a oncocercose", disse Dowell, do CDC.
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Os pesquisadores também observaram uma deficiência de vitamina B6 nas populações onde a doença é prevalente.

Enquanto a causa da doença permanece desconhecida, as autoridades estão se concentrando em tratar os sintomas. Pesquisadores do CDC se reuniram com autoridades de saúde de Uganda para discutir como uma triagem de tratamentos poderia funcionar.

A triagem vai testar dois tipos de anticonvulsivantes, assim como suplementos de vitamina B6. Algumas crianças afetadas já estão tomando antiepilépticos, com variados graus de sucesso.

"Eu acho que todo mundo está de acordo que, nesta fase, seria bom ter uma ideia muito melhor sobre quais os tratamentos estão funcionando e se algum deles são prejudiciais", disse Dowell.

Investigadores dizem que eles esperam ter um protocolo para triagem, que irá incluir 80 crianças, pronto para ser submetido à aprovação ética em Uganda e nos Estados Unidos em algumas semanas.

Amargura

Mas para aqueles que vivem com a doença e seus efeitos, tudo parece estar se movendo muito lentamente. Em Uganda, a frustração com uma resposta do governo está crescendo.

"As pessoas estão muito amargas e acham que o governo as abandonou", disse Martin Ojara, coordenador do conselho local da sub-região de Acholi, onde a doença está concentrada.

Embora o governo tenha anunciado recentemente um plano para estabelecer centros de tratamento e trazer trabalhadores de saúde para tratar a doença, muitos acham pouco.

Pegando fogo

Crianças com a síndrome são propensas a acidentes, como afogamento e queimaduras, por causa de deficiência mental, e muitas das mortes pela doença são o resultado dessas causas secundárias.

Desde que contraiu a doença, Lamwaka teve muitos incidentes. Seu corpo é coberto de hematomas resultado de diversas quedas e suas mãos estão machucadas porque recentemente ela caiu no fogo, quando os pais estavam fora.

"Ela não sabe que está pegando fogo, que está queimando, até que alguém leve-a para longe do fogo", disse o pai. Ele admite que parou de levá-la ao médico.

"Mesmo que eles nos deem remédios, eu não tenho certeza se eles vão ajudar", disse Odongkara.


Sentada em uma sombra próxima está a avó, Jujupina Ataro, 72. Ela tem três netos com a doença e passa seu tempo dando banho e alimentando-os. Ela disse que muitos de seus vizinhos e amigos também têm filhos com a doença.

"Eu conheço muitos nesta área. Se um médico viesse você veria quantas pessoas... é incontável", disse ela. "É como se a geração estivesse sendo exterminada."

* reportagem de Sonya Hepinstall

terça-feira, 20 de março de 2012

Brasileiro é escolhido melhor professor do ano de todo condado de Miami-Dade

 

IG


Alexandre Lopes com as crianças do programa de inclusão que criou na escola Carol City Elementary, em Miami. Foto de Carla Guarilha.

Um brasileiro está fazendo história nos EUA com um projeto de inclusão em escolas: Alexadre Lopes recebeu o prêmio de Melhor Professor do Ano de Miami-Dade.

Ele foi escolhido entre 24 mil professores de todas as escolas públicas do condado. O processo de seleção é longo e incorpora diversos aspectos do professor, fora e dentro da sala de aula, desde o seu método de ensino à filosofia e política educacional.

“É um orgulho, uma honra muito, muito grande deles terem escolhido neste país um brasileiro nascido e criado no Brasil”, diz ele. “Foi um processo intenso de seleção. “Não foi só pré-escola, não foi só no departamento de crianças especiais, não foi só entre os latinos. Eu competi em termos de igualdade com todos os professores daqui”.

Lopes ganhou um Toyota novinho, US$5.500 e uma bolsa de estudos na Nova University – que ele abriu mão pois já está cursando o doutorado na Florida International University.


Lopes com seu novo Toyota. Foto de Carla Guarilha.
Mas para ele, o mais importante foi receber o troféu, que simboliza o reconhecimento do seu trabalho. E as homenagens não param. Hoje, Alexandre vai receber uma homenagem de Bárbara J. Jordan, representante de um dos condados de Miami-Dade.

Troféu de Melhor Professor do Ano. Cortesia Alexandre Lopes.
“Levou um bom tempo para conseguir o respeito pelo que eu faço, e acho que foi muito importante ganhar esse título, não só por mim mas, por todos os outros professores que trabalham na pré-escola”, diz Lopes emocionado.

Hoje aos 43 anos, o carioca é, agora, o porta-voz de educação de todo o condado de Miami-Dade. O próximo passo é o prêmio estadual com mais 71 concorrentes. Se ganhar, entra como finalista ao prêmio nacional, que será anunciado no inicio de 2013.

Seu programa de inclusão é composto de dois grupos diários de 12 crianças, de 3 a 5 anos – um de manhã e outro no inicio da tarde. Em cada grupo, há oito que exibem desenvolvimento regular da idade e quatro com algum tipo de desordem que compromete o desenvolvimento, como, por exemplo, o autismo.

“As crianças com autismo estão integradas a um ambiente onde elas tem a capacidade de interagir socialmente com crianças fora do espectro autista”, diz ele. “É uma sala de aula normal, onde temos alunos com autismo e alunos sem autismo. Não são diferenciados em absolutamente nada”.


Lopes com um dos alunos. Foto de Carla Guarilha.

Numa rotina extremamente bem estruturada, Lopes, apaixonado pela música – e um estudioso de piano desde cedo, usa a sonoridade e a melodia como técnicas de ensino – na comunicação, compreensão e aprendizado de palavras e respeito mútuo.

Na hora que entram na sala de aula, as crianças dão as mãos e formam uma roda, cantando, “we are glad you are here. Hello to you and me” (“estamos felizes por estarem aqui. Olá para você e para mim”), fazendo com que todos se sintam bem-vindos e unidos. Lopes usa tambores e canções para ensinar conceitos, como tolerância e o controle emocional: “When you are mad, take a deep breath and relax” (“quando está bravo, respira fundo e relaxa”). (Veja vídeo no fim da coluna.)

“O que enfatizamos aqui, que de repente não é tão enfatizado em outras salas de aula, — mas que na minha opinião deveria ser enfatizado em todos os lugares — é o ensino da interação social: como lidar com uma pessoa, pegar sua atenção, olhar no olho daquela pessoa, chamá-la pelo nome”, diz o carioca, que atribui parte do seu sucesso ao fato de ser brasileiro – não só pela sua musicalidade mas pela forma que se relaciona com as pessoas.


Foto de Carla Guarilha.

“Eu acho que faço com que cada um se sinta especial, e isso é importante”, diz ele. “Eu acho que o brasileiro tem isso, quando quer, de realmente mostrar ao mundo do que ele é capaz”.

Lopes nunca se imaginou trabalhando na área de educação. Nascido e criado em Petrópolis, o carioca se formou em comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhava em companhias aéreas. Sempre gostou muito de viajar, e em 1995, se mudou para Miami. Aqui, como comissário de bordo, na época pela United Airlines, fazia rotas para a América Latina e servia como intérprete de português e espanhol. Com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, as companhias aéreas tiveram muitos problemas financeiros, e a United ofereceu um pacote de benefícios para quem se afastasse. Lopes aceitou imediatamente, e retomou os estudos. Validou em Miami seu diploma do Brasil e começou mestrado em “Educação Especial” na Universidade de Miami, com foco em crianças autistas, rumo a um trabalho sério que, está rendendo frutos.

DICA: Alexandre adora correr ao ar livre e comer asinhas de frango no Wilton Wings em Fort Lauderdale, favorito dos locais. Telefone: 954-462-9696. Endereço: 1428 NE 4 Ave., Fort Lauderdale, FL 33304.

Assista ao video de Alexandre Lopes com um de seus grupos de inclusão:

domingo, 18 de março de 2012

Experimento confirma que neutrinos não viajam mais rápido do que a luz

 

Resultados obtidos em laboratório italiano reafirmam teoria da relatividade de Einstein


AFP | IG


Os neutrinos medidos pelo experimento Ópera, que sacudiu o mundo científico no final setembro, não são mais rápidos que a luz, segundo os cálculos realizados por outra equipe para tentar elucidar o resultado que questionava a física de Einstein, anunciou nesta sexta-feira o CERN.

Esta nova experiência indica que os neutrinos não superaram a velocidade da luz, afirma o comunicado do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN). Em fevereiro, o CERN reconheceu que Os neutrinos mais rápidos que a luz, descobertos no ano passado por físicos do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (na sigla em francês, CERN) nada mais foram do que resultado de uma má conexão entre um dos computadores e o GPS do experimento.

"Começamos a presumir que os resultados do Ópera se deveram a um erro de medida", acrescenta o comunicado.

Em 22 de fevereiro, o site da revista Science já havia afirmado que os resultados da experiência Ópera foram provocados por uma má conexão.

"Uma má conexão entre um GPS e um computador é, sem dúvida, a origem do erro", garantiu a revista americana, que citava "fontes ligadas à experiência".

No final de setembro, os especialistas da equipe Ópera anunciaram que neutrinos percorreram os 730 km entre o CERN, em Genebra, e o laboratório subterrâneo de Gran Sasso, na Itália, em velocidade superior à da luz.

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A maioria dos especialistas não acreditou que uma partícula elementar da matéria tivesse superado a velocidade da luz, considerada um "limite insuperável" na relatividade geral de Einstein.

Segundo a Science, os 60 nanosegundos de vantagem registrados pelos neutrinos sobre a velocidade da luz foram resultado de uma má conexão entre o GPS utilizado para corrigir o momento da chegada e um computador.

Novos estudos serão necessários para confirmar a origem do erro, destacou então a Science.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Livro polêmico diz que europeus colonizaram América antes de indígenas

 

Dupla de pesquisadores afirma que nova teoria é baseada em descobertas arqueológicas



BBC Brasil | IG



Foto: Divulgação Ampliar
Teoria de Bruce Bradley (esq) e Dennis Stanford gerou controvérsia na comunidade científica


Um livro escrito por dois arqueólogos americanos gerou controvérsia na comunidade científica ao defender que os europeus, e não povos provenientes da Ásia, foram os primeiros colonizadores do continente americano.

O livro, lançado recentemente em Washington, aponta novas descobertas arqueológicas, indicando que a América foi colonizada inicialmente por europeus da Idade da Pedra, que cruzaram o Atlântico de barco durante a última Era Glacial, há cerca de 20 mil anos.

Com Across Atlantic Ice: The Origin of America’s Clovis Culture (Pelo gelo do Atlântico: a origem da cultura Clóvis da América, em tradução livre), Dennis Stanford, do Museu Nacional Smithsonian de História Natural, em Washington, e Bruce Bradley, da Universidade de Exeter, no Reino Unido, deram início a uma polêmica entre seus colegas arqueólogos.

É que eles defendem uma teoria considerada radical sobre quem foram os primeiros americanos e quando estes chegaram ao Novo Mundo.

Across Atlantic Ice traça as origens dos solutrenses, que ocuparam o norte da Espanha e França, e de seus supostos descendentes da cultura Clóvis - surgida no final da Era do Gelo e assim batizada por conta dos artefatos encontrados perto da cidade de Clóvis, no Novo México (EUA). O povo da cultura Clóvis era considerado o mais antigo habitante das Américas, com cerca de 13 mil anos.

"O livro é bem pesquisado, interdisciplinar e sério. Mas os dados científicos concretos ainda não estão lá para provar ou refutar a teoria", disse à BBC Brasil Tom Dillehay, renomado arqueólogo da Universidade Vanderbilt, no Tennessee. "Estamos pesquisando teorias para explicar o povoamento das Américas. Esta hipótese é uma das possibilidades, mas os dados genéticos e bioarqueológicos atuais assinalam que a Sibéria, e não a Europa, foi o ponto de entrada."

Ferramentas
Há vários anos Stanford e Bradley têm afirmado que os seres humanos da Idade da Pedra eram capazes de fazer a viagem através do gelo do Atlântico. Mas ainda não contavam com provas suficientes que apoiassem tais indícios. Agora, no entanto, eles dizem ter indícios que sustentam a teoria.

Dezenas de ferramentas de pedra em estilo europeu, que remontam a um período entre 19 mil e 26 mil anos atrás, foram descobertas em seis locais diferentes ao longo da costa leste dos Estados Unidos. Três deles estão localizados na Península Delmarva, em Maryland. Outros dois foram encontrados na Pensilvânia e em Virgínia. Pescadores acharam o último no fundo do mar, a 96 km da costa de Virgínia.

De acordo com a dupla, a completa ausência de qualquer atividade humana no nordeste da Sibéria e no Alasca, num período anterior a 15,5 mil anos atrás, é outro argumento fundamental para a teoria deles. Também defendem que os europeus podem ter sido parcialmente absorvidos ou destruídos pelos índios asiáticos originários.

Além disso, alguns marcadores genéticos para a Idade da Pedra dos europeus ocidentais simplesmente não existem no nordeste da Ásia. Mas já aparecem em pequenas quantidades entre alguns indígenas norte-americanos, o que indicaria uma herança genética desses primeiros habitantes.

Também alguns exames de DNA antigo extraído de esqueletos com 8 mil anos na Flórida revelaram um alto nível de um marcador genético europeu.

Mas há especialistas que discordam deles.

"Os argumentos do livro merecem ser completamente e conscientemente analisados", afirmou Gary Haynes, arqueólogo da Universidade de Nevada. "Tenho certeza de que existem muitas pessoas do público em geral e arqueólogos que aceitarão as teorias, mas não estou convencido."

Haynes disse sentir-se eticamente obrigado a ser cético. De acordo com ele, "as teorias são apenas parcialmente sustentáveis com os indícios disponíveis. Alguns dos argumentos não são lógicos, não foram analisados, ou se baseiam em pressupostos não comprovados e proposições".

DNA

Haynes enumera uma série de fatores que refutam a teoria defendida no livro. Entre eles, destaca que o DNA encontrado em populações nativas americanas não indica uma origem na Europa Ocidental, mas uma ascendência asiática.

O mesmo, de acordo com ele, pode ser dito com relação ao material genético encontrado - tanto nos antigos quanto nos modernos - esqueletos dos nativos americanos.

Além disso, não há esqueletos humanos nas Américas mais velhos do que os da cultura Clóvis; as idades da cultura Solutrense na Europa e da Clóvis nas Américas são amplamente separadas.

O arqueólogo brasileiro Walter Alves Neves, responsável pelo estudo de Luzia, o esqueleto humano mais antigo do continente americano, não quis emitir opinião sobre o livro.

Questionado pela BBC Brasil sobre a nova teoria de Bradley e Stanford, afirmando que os europeus foram os primeiros moradores do Novo Mundo, ele disse desconhecer a hipótese publicada recentemente nos Estados Unidos.

Bradley, por sua vez, considera positivas as críticas a sua teoria. Esse é o caminho natural, diz ele, com a colaboração dos críticos trazendo provas adicionais ou interpretando os indícios atuais.

Segundo Bradley, a arqueologia raramente produz certezas. "Sentimos que as descobertas atuais são muito atraentes, mas para esta teoria ganhar aceitação esmagadora é preciso haver provas adicionais", disse.

O livro é resultado de mais de uma década de trabalho. Stanford e Bradley afirmam que estão apenas no início da jornada e seguem investigando outros locais no Tennessee, em Maryland e no Texas, onde esperam encontrar mais provas que sustentem a teoria. Também estão programadas pesquisas no Maine e na costa oeste americana.

Mas é possível que a maior quantidade de indícios venha do fundo do oceano - nas áreas onde os europeus teriam saído do gelo para a terra seca, atualmente cerca de 160 km abaixo do nível do mar.
Em meados deste ano, Bradley estará em São Paulo e, possivelmente, no Uruguai, para pesquisar indícios de povos primitivos ao longo do lado oriental do continente.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Descoberto novo fóssil de hominídeo que conviveu com homem moderno

 

Hominídeo, que viveu há 14,5 mil anos na China, apresenta mistura de traços físicos arcaicos e modernos


EFE / IG
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Foto: Art copyright by Peter Schouten Ampliar
Ilustração do novo hominídeo descoberto em cavernas de Maludong, na China

Fósseis encontrados em duas cavernas do sudoeste da China revelaram a existência de uma espécie de hominídeo até agora desconhecido. Os fósseis da Idade de Pedra apresentavam uma incomum mistura de traços físicos arcaicos e modernos, deixando uma nova pista sobre a evolução humana na Ásia.

Datando entre 14,5 mil e 11,5 mil anos, os fósseis são de hominídeos que conviveram com seres humanos modernos (Homo sapiens) em uma época em que a agricultura estava em seu princípio na China, revelou uma equipe internacional de especialistas no estudo publicado no periódico PLoS One.

Até agora não haviam sido encontrados, no leste do continente asiático, fósseis humanos de menos de 100 mil anos que se diferenciassem fisicamente do Homo sapiens, o que levou os cientistas a pensarem que não havia na região outras espécies de homínideos, quando apareceram os primeiros homens modernos. Com a nova descoberta, esta teoria está sendo posta em dúvida.

"Esses novos fósseis podem ser de uma espécie antes desconhecida que sobreviveu até o final da Idade do Gelo, há 11 mil anos", indicou Darren Curnoe da Universidade de Nova Gales do Sul, da Austrália, que liderou o estudo junto com Ji Xueping do Instituto de Arqueologia e Relíquias Culturais de Yunnan chinês.

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De acordo com Curnoe, a outra opção seria que os fósseis se tratassem de representantes de uma migração da África muito adiantada e desconhecida de homens modernos que, no entanto, não contribuíram geneticamente para o homem atual. A equipe de pesquisadores é cautelosa em classificar os fósseis por causa do mosaico de características incomuns que eles apresentam.

Os restos de três indivíduos foram encontrados em 1989 por arqueólogos chineses em Maludong (na tradução do chinês, Caverna dos Cervos Vermelhos) perto da cidade de Mengzi, na província de Yunnan, mas só começaram a ser estudados em 2008 por cientistas chineses e australianos.

Um quarto esqueleto parcial apareceu em 1979 em uma caverna em Longlin, na região autônoma de Guangxi Zhuang, mas permaneceu no bloco de pedra onde foi descoberto até 2009, quando foi reconstruído.

Os crânios e dentes dos esqueletos encontrados em Maludong e Longlin são muito similares entre si.
Os cientistas apelidaram esses homens de "povo dos cervos vermelhos", já que caçavam esses animais hoje extintos e os cozinhavam na caverna de Maludong.

"A descoberta do povo dos cervos vermelhos abre um novo capítulo na história da evolução humana - o asiático - e é uma história que só agora está começando a ser incluída", afirmou Curnoe.

Embora a Ásia conte atualmente com mais da metade da população mundial, os cientistas ainda sabem pouco sobre como os humanos modernos evoluíram nessa localidade depois que seus ancestrais se fixaram na Eurásia há cerca de 70 mil anos.

Até o momento os estudos sobre as origens humanas se centraram principalmente na Europa e na África, devido em grande parte à ausência de fósseis na Ásia e ao desconhecimento da antiguidade dos poucos restos encontrados nessa zona.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Quase 500 mil alunos ficam sem aulas em Brasília

 

Começa nesta segunda a greve dos 12 mil professores da rede pública da capital. Na quarta, haverá paralisação em outros Estados


iG Brasília |


Os 470 mil alunos da rede pública do Distrito Federal ficarão sem aulas a partir desta segunda-feira. O motivo é a greve dos professores, que começa nesta segunda-feira. A decisão de paralisar as atividades por tempo indeterminado foi tomada na última quinta-feira, em assembleia que reuniu 12 mil docentes.

Apesar de receberem o maior piso salarial do País (R$ 2,3 mil para quem tem diploma de licenciatura), os professores exigem equiparação média salarial com outras carreiras de ensino superior do próprio governo do DF.


O governo do Distrito Federal alega que não pode conceder aumento de salário para não ultrapassar o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que define o teto de comprometimento das receitas com a folha de pessoal. O Distrito Federal alcançou 46,1% de comprometimento, dos 46,55% permitidos pela lei.

Em nota, o secretário de Educação do DF diz que a categoria recebeu o maior reajuste salarial entre os servidores públicos no ano passado – 13,83% - e que o governo não descumpriu a agenda de compromissos assumida com os professores no ano passado.
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“Afirmamos e reafirmamos nosso firme propósito em recuperar os salários da categoria, objetivando alçá-los ao nível da média das outras categorias de nível superior do GDF, ao longo dos próximos anos, sendo nosso compromisso construir alternativas para que essa reivindicação seja alcançada. Entretanto, os limites orçamentários e financeiros impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, exigem cautela deste Governo”, diz a nota.

O Sindicato dos Professores do DF (Sinpro), por sua vez, rebateu as afirmações em outra nota, rebatendo todos os pontos do acordo que o governo afirma ter cumprido. “Vale lembrar que a proposta de reajuste de 13,83%, em três parcelas, só foi aceita pela categoria na assembleia de 13 de abril de 2011, porque vinha acompanhada da proposta de reestruturação do plano de carreira e envio à Câmara Legislativa até 30 de setembro de2011. Até o momento isso não ocorreu”, ressalta a nota do sindicato.

Calendário
Ainda esta semana, professores de todo o País vão realizar paralisações de três dias para cobrar de governos estaduais e prefeituras o pagamento do piso nacional do magistério, a partir de quarta-feira.
A lei que definiu uma remuneração mínima para os professores foi aprovada em 2008, mas Estados e municípios alegam não ter recursos para pagar o piso. Em 2012, o valor sofreu um reajuste de 22%, chegando a R$ 1.451.

Nesta segunda, assembleias regionais serão realizadas nas cidades-satélites de Brasília, a partir das 18h, para organizar a mobilização. Na terça, haverá piquetes em frente às escolas. No dia 15, os professores voltarão a se reunir na Praça do Buriti, em frente à sede do governo, para apoiar ato dos auxiliares de ensino e policiais militares, a partir das 9h. Outra assembleia geral está marcada para o dia 20 de março, às 9h30.